17/09/2025 – 15:44
Debate sobre DPOC na Câmara dos Deputados
Pacientes e familiares demandaram a atualização dos protocolos de atendimento para a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) durante um debate realizado nesta quarta-feira (17) pelas comissões de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa e de Saúde da Câmara dos Deputados. O tema é de relevância, uma vez que as doenças respiratórias crônicas figuram como a terceira maior causa de morte no mundo.
Cenário Global e Nacional da DPOC
Segundo o Global Burden of Disease Study (2019), 445 milhões de pessoas no mundo, principalmente com mais de 60 anos, são afetadas por doenças respiratórias crônicas. No Brasil, esse número soma cerca de sete milhões de pessoas diagnosticadas com DPOC, conforme dados da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia.
Características e Fatores de Risco
O pneumologista Roberto Stirbulov, representante da Sociedade, destacou que os principais sintomas da DPOC incluem tosse persistente e falta de ar, além de comorbidades como depressão, problemas cardíacos e diabetes. O tabagismo foi apontado como um dos fatores de risco mais significativos. Stirbulov alertou para o risco de exacerbações súbitas que podem resultar em agravamento da condição e até morte.
Diagnóstico e Tratamento
O diagnóstico da DPOC é realizado por meio da espirometria, um exame que avalia a função pulmonar. Para o tratamento, são recomendados a cessação do tabagismo, a prática de exercícios físicos, reabilitação pulmonar, oxigenoterapia e medicamentos.
Demandas por Novos Tratamentos
A representante da rede Colabore com o Futuro, Soraya Araújo, criticou a lentidão do Sistema Único de Saúde (SUS) em implementar terapias já aprovadas. Ela solicitou ao Ministério da Saúde a publicação do protocolo atualizado e à Agência Nacional de Saúde Suplementar a autorização para o uso das novas terapias em planos de saúde, citando a experiência de seu pai, de 86 anos, com a doença.
Aumento nos Atendimentos
A representante do Ministério da Saúde, Danielle Moreira, revelou que os atendimentos relacionados à DPOC quase dobraram nos últimos cinco anos, passando de 485 mil em 2020 para 819 mil em 2024. Além disso, os investimentos em atenção primária cresceram de R$ 12 bilhões em 2023 para R$ 16,1 bilhões em 2024, incluindo a aquisição de espirômetros digitais e kits para teleconsulta.
Considerações Finais
O presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia no Distrito Federal, Leonardo Pitta, enfatizou a importância de medidas preventivas e destacou que o custo das internações por DPOC é cinco vezes maior para idosos com mais de 80 anos em comparação a adultos mais jovens. O debate foi solicitado pela deputada Flávia Morais (PDT-GO).
Reportagem – Luiz Cláudio Canuto
Edição – Geórgia Moraes
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