Ex-Ministro Onyx Lorenzoni Defende Ações contra Fraudes no INSS
06/11/2025 – 20:47
Bruno Spada / Câmara dos Deputados
Onyx Lorenzoni defendeu medidas tomadas no governo Bolsonaro
Depoimento na CPMI do INSS
Em depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS nesta quinta-feira (6), o ex-ministro do Trabalho e da Previdência, Onyx Lorenzoni, rejeitou acusações de ligação com infrações relacionadas a descontos indevidos de aposentados e pensionistas. Durante sua gestão, ele garantiu que o governo Bolsonaro adotou ações rigorosas no combate a fraudes no sistema previdenciário.
Acordos de Cooperação e Medidas de Combate à Corrupção
Lorenzoni, que ocupou o cargo de ministro por oito meses entre 2021 e 2022, destacou que foram assinados seis acordos de cooperação técnica (ACT) com associações atualmente sob investigação. Ele se referiu à Lei 8.213/91 e mencionou ações como a introdução da biometria, ressaltando que a gestão Bolsonaro foi a primeira a tomar medidas concretas contra a corrupção na Previdência.
Histórico de Descontos Associativos
O ex-ministro revelou que problemas com descontos associativos são recorrentes desde 2010, com denúncias mais significativas surgindo em 2018. Ele explicou que, em 2019, foi iniciada uma “agenda de transformação” com a Medida Provisória 871/19, a qual exigia o consentimento anual dos segurados. Contudo, lamentou que o Congresso alterou essa obrigatoriedade, ampliando o prazo de revalidação para três anos com a Lei 13.846/19.
Contestações e Críticas
Deputados da oposição, como Zeca Dirceu (PT-PR), criticaram o depoimento de Lorenzoni, chamando-o de vazio e acusando-o de utilizar o tempo da audiência para promover o governo Bolsonaro. Dirceu destacou que o ciclo de fraudes foi interrompido com a devolução de recursos no atual governo.
Doações de Campanha
Lorenzoni também foi questionado sobre doações recebidas para sua campanha em 2022, especialmente uma doação de R$ 60 mil feita por um dirigente de uma das associações investigadas. Embora tenha afirmado que não teve ingerência nas assinaturas de acordos e que suas contas foram aprovadas pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Rio Grande do Sul, a senadora Leila Barros (PDT-DF) apontou a implicação do doador no escândalo.
Relação com Entidades Suspeitas
Outros parlamentares mencionaram que a União Brasileira de Aposentados da Previdência (Unibap) contratou serviços do advogado Pietro Lorenzoni, filho do ex-ministro. Onyx defendeu que se tratava de uma relação normal de cliente e advogado, afirmando que não teme a investigação.
Análise do Relator
O relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), avaliou que as informações apresentadas por Lorenzoni sobre a diminuição dos descontos associativos durante sua gestão precisam ser confrontadas com dados disponíveis, ressaltando a necessidade de investigar se houve omissão por parte do ex-ministro e outros líderes envolvidos.
Reportagem – José Carlos Oliveira
Edição – Ana Chalub
