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ONU Solicita Investigação das Mortes em Operações Policiais no Rio de Janeiro

Após uma operação policial que resultou em um número alarmante de mortes no Rio de Janeiro, o secretário-geral da ONU, António Guterres, expressou sua profunda preocupação. A missão, considerada a mais letal da história da cidade, levantou questionamentos sobre a conduta das forças de segurança e a necessidade de reformas no policiamento brasileiro.

Tragédia em Números

Na terça-feira, 28 de outubro, uma grande operação nas comunidades do Complexo do Alemão e Complexo da Penha visou cumprir aproximadamente 100 mandados judiciais contra membros de grupos criminosos. Os dados oficiais indicam que pelo menos 121 pessoas perderam a vida, incluindo quatro policiais. Além disso, 81 indivíduos foram detidos durante a ação.

Demandas Internacionais por Reformas

Em declaração nesta quarta-feira, o Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Turk, solicitou uma reforma abrangente nos métodos de policiamento no Brasil. Turk reconheceu os desafios enfrentados por autoridades na luta contra organizações criminosas, mas ressaltou que a elevada taxa de mortalidade associada a operações policiais, especialmente em comunidades negras, exige uma análise crítica das táticas utilizadas.

“A longa lista de operações que resultam em mortes desproporcionais levanta questões sobre a condução dessas incursões”, afirmou Turk. Ele exigiu investigações rápidas e imparciais sobre os acontecimentos recentes e clamou por uma mudança radical na abordagem das forças de segurança.

Foco no Racismo Sistêmico

Turk também enfatizou a necessidade de abordar o racismo sistêmico que afeta a população negra no Brasil. “É imprescindível acabar com um sistema que perpetua o racismo, a discriminação e a injustiça”, declarou.

Segundo o Mecanismo Internacional Independente de Especialistas para Promover a Justiça Racial e a Igualdade na Aplicação da Lei, os homicídios de indivíduos negros por agentes de segurança são comuns no país, com estimativas de que cerca de 5 mil mortes ocorram anualmente. Os jovens negros em áreas empobrecidas representam a maioria das vítimas.

Dezenas de corpos são trazidos por moradores à Praça São Lucas, na Penha, zona norte do Rio de Janeiro, Brasil

Tomaz Silva/Agência Brasil

Dezenas de corpos são trazidos por moradores à Praça São Lucas, na Penha, zona norte do Rio de Janeiro, Brasil.

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