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ONU: 14 Milhões de Crianças Sem Vacinação Globalmente

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O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) estão alertando para a necessidade urgente de ações globais que visem aumentar a cobertura vacinal entre crianças ao redor do mundo. O chamado se dá em meio a dados preocupantes sobre a imunização infantil.

Cobertura Vacinal em Números

De acordo com novas informações de ambas as agências da ONU, no último ano, 89% das crianças globalmente, cerca de 115 milhões, receberam pelo menos uma dose da vacina contra difteria, tétano e coqueluche (DTP). No entanto, quase 20 milhões de crianças perderam pelo menos uma dose, incluindo 14,3 milhões que não receberam nenhuma vacina.

Desafios à Imunização

Esses números ultrapassam a meta estipulada para o ano passado em 4 milhões, e representam um aumento de 1,4 milhão em relação a 2019, ano base para o acompanhamento dos progressos. O diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, destacou que as vacinas são vitais para salvar vidas e promover o desenvolvimento das comunidades, alertando que a desinformação e cortes drásticos em ajuda humanitária podem reverter os avanços obtidos.

Impactos de Conflitos e Crises

Fatores como conflitos e crises humanitárias estão dificultando a vacinação. Um quarto das crianças do mundo reside em 26 países afetados por esses desafios, que correspondem a metade das crianças não vacinadas. Nos últimos anos, o número de crianças não vacinadas nesses locais aumentou de 3,6 milhões em 2019 para 5,4 milhões em 2024, evidenciando a necessidade de respostas humanitárias que incluam a imunização.

Estagnação nas Taxas de Cobertura em Países Ricos

Entre os países que não atingiram 90% de cobertura vacinal em 2019, apenas 17 tiveram aumentos nas taxas nos últimos cinco anos. Em contrapartida, 47 nações observaram estagnação ou retrocesso, incluindo 22 que já superaram a meta de 90% e, subsequentemente, enfrentaram quedas.

Avanços em Países de Baixa Renda

No entanto, a cobertura vacinal nos 57 países de baixa renda apoiados pela Gavi, a Aliança para Vacinas, melhorou no último ano, resultando em redução de cerca de 600 mil crianças não vacinadas ou que não completaram o esquema vacinal. A situação parece ser oposta em países de renda média-alta e alta, onde há sinais de declínio na cobertura vacinal, aumentando o risco de surtos de doenças.

Vacinação contra Sarampo e HPV

Apesar dos desafios, diversos países, especialmente os que recebem apoio da Gavi, continuam a implementar e expandir programas de vacinação, incluindo vacinas contra o papilomavírus humano (HPV), meningite e poliomielite. Até 2024, 31% das adolescentes ao redor do mundo receberam pelo menos uma dose da vacina contra o HPV, um avanço significativo em comparação aos 17% registrados em 2019.

Preocupações com o Financiamento e a Desinformação

A cobertura vacinal contra o sarampo também apresentou melhoras, com 84% das crianças recebendo a primeira dose e 76% a segunda. Contudo, ainda está longe dos 95% necessários para prevenir surtos. A falta de financiamento e a desinformação continuam a ameaçar os progressos, resultando em potenciais aumentos em casos e mortes por doenças que podem ser prevenidas por vacinação.

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