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Oficinas de Economia Solidária ampliam cuidado nos Caps de Curitiba

Linhas de crochê e tricô, objetos decorativos, plantas ornamentais e alimentos artesanais fazem parte das atividades desenvolvidas por usuários dos Centros de Atenção Psicossocial (Caps) da Prefeitura de Curitiba. Nas Oficinas de Economia Solidária, os participantes produzem peças artesanais, desenvolvem habilidades e têm perspectivas de geração de renda e retorno ao mundo do trabalho.

As oficinas integram o processo de reabilitação psicossocial dos Caps, vinculados à Secretaria Municipal de Saúde (SMS). A proposta amplia o cuidado em saúde mental para além das consultas, dos medicamentos e do acompanhamento clínico, com atividades voltadas à criatividade, à autoestima, à convivência e à reinserção social.

“As Oficinas de Economia Solidária materializam o compromisso da Prefeitura de Curitiba com um cuidado humanizado, que reconhece as potencialidades de cada pessoa e valoriza sua participação na sociedade. Cada peça confeccionada, cada conquista e cada oportunidade de geração de renda representam passos importantes na reconstrução da autonomia e da cidadania”, destaca a secretária municipal de Saúde, Tatiane Filipak.

Cinco Caps da Prefeitura de Curitiba, vinculados aos Distritos Sanitários do Bairro Novo, Boqueirão, Cajuru, Portão e Santa Felicidade, desenvolvem atualmente atividades das Oficinas de Economia Solidária. Cada grupo reúne, em média, dez usuários.

Entre os produtos confeccionados estão peças de crochê e tricô, tapetes, artigos decorativos, objetos em silicone, plantas ornamentais, como suculentas, e alimentos artesanais, como bolachas.

Segundo a coordenadora de Saúde Mental da SMS, Luciana Sydor, as oficinas ajudam a desenvolver habilidades que vão além da produção artesanal, como organização do tempo, planejamento, convivência em grupo, responsabilidade e gestão financeira.

“As atividades são conduzidas por profissionais de saúde e integradas ao Projeto Terapêutico Singular (PTS), plano de cuidado elaborado de acordo com as necessidades e potencialidades de cada usuário”, explica Luciana.

Agulhas criativas

No Caps Portão, o grupo feminino Enlaçadamente se reúne semanalmente às sextas-feiras. As participantes trabalham com linhas, agulhas e criatividade na produção de peças de tricô e crochê, como golas, sousplats de mesa, tapetes e panos de prato com acabamentos artesanais.

Para a bancária aposentada S.M.L.L., de 61 anos, a participação no grupo também representa o reencontro com uma parte importante de sua história. Ela aprendeu a fazer tricô e crochê com a mãe, ainda na juventude.

“No início, o grupo era um desafio para mim. Agora é um momento de prazer, quando nos encontramos semanalmente, falamos sobre sentimentos e emoções e trocamos experiências”, conta S.M.L.L., que recebe acompanhamento no Caps Portão após enfrentar um quadro de depressão grave.

A assistente social Ataise Pereira da Silva, que orienta as participantes do Enlaçadamente no Caps Portão, acompanha as mudanças vivenciadas pelo grupo. “Elas compartilham experiências, conversam sobre sentimentos, desenvolvem habilidades e encontram no grupo um espaço de pertencimento”, frisa.

Saindo do forno

Às segundas-feiras, o cheiro de biscoitos de polvilho preparados no forno toma conta de uma cozinha da Vila Tecnológica, no bairro Sítio Cercado. No local, pacientes que integram o grupo Cozinhando para o Bem participam da Oficina de Economia Solidária do Caps Bairro Novo.

A dona de casa R. L.S., de 44 anos, participa do grupo e considera a oficina uma experiência importante. “Além de aprender a fazer as bolachas, tenho a oportunidade de conversar, fazer amizades e trabalhar junto com as outras meninas. Quando os biscoitos saem do forno, fico muito feliz e orgulhosa de mim mesma”, reconhece R.L.S., que trata de um quadro de esquizofrenia.

A técnica de enfermagem Nirce da Silva de Souza, responsável por orientar a oficina do Caps Bairro Novo, afirma que as participantes compartilham experiências, desenvolvem habilidades e exercitam a cooperação durante o preparo da massa, a modelagem das bolachas e a organização da produção. “É muito gratificante perceber a evolução de cada uma, principalmente quando descobrem que são capazes de produzir e recuperar a confiança em si mesmas”, observa.

Exposição em feiras

Os produtos das Oficinas de Economia Solidária também são comercializados fora dos Caps. As vendas ocorrem em espaços públicos, incluindo a tradicional Feira do Largo da Ordem, aos domingos, e em feiras organizadas pela Rede de Saúde Mental e Economia Solidária de Curitiba e Região Metropolitana (Libersol).

As feiras da Libersol são realizadas em bairros da capital e no campus da UFPR no Jardim Botânico. A participação dos grupos dos Caps ocorre de forma alternada, a cada um ou dois meses.

Do valor arrecadado com as vendas, 50% são distribuídos entre os integrantes de cada oficina e os outros 50% são destinados à manutenção das atividades.

Rede de Atenção Psicossocial

A Prefeitura de Curitiba conta com 13 Caps, vinculados à Secretaria Municipal de Saúde, que oferecem atendimento multiprofissional a usuários com transtorno mental severo ou persistente e/ou que fazem uso de álcool e outras drogas.

O serviço tem base comunitária, é gerenciado pela Fundação Estatal de Atenção à Saúde (Feas) e oferece gratuitamente assistência humanizada, com foco na reabilitação e na reinserção social.

São dez unidades para atendimento da população adulta, uma em cada Distrito Sanitário, e outras três destinadas à população infanto-juvenil: Boa Vista, Portão e Pinheirinho.

Também integram a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) da Prefeitura de Curitiba as 109 unidades de saúde, nove UPAs, seis equipes do Consultório na Rua, duas residências terapêuticas, o Ambulatório Encantar (TEA), a Unidade de Estabilização Psiquiátrica Irmã Dulce, os leitos psiquiátricos do Hospital Municipal do Idoso, os ambulatórios de psicologia e psiquiatria credenciados e os leitos psiquiátricos de hospitais contratualizados.

Com informações da Prefeitura de Curitiba.

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