Todas as quartas e sextas-feiras à tarde, 25 pessoas em situação de rua atendidas pela Fundação de Ação Social (FAS) participam de uma oficina de pintura e desenho. A atividade oferece um espaço para experimentar, criar e expressar sentimentos por meio de tintas, pincéis, traços e colagens.
A iniciativa é desenvolvida pela FAS em parceria com a Fundação Cultural de Curitiba (FCC) e reúne pessoas atendidas nos Centros Pop e em unidades de acolhimento. A proposta amplia as formas de atendimento da FAS, que incluem acolhimento, abordagem social, acompanhamento e encaminhamentos para diferentes políticas públicas.
“Neste projeto, a arte entra como uma ferramenta de expressão, convivência, descoberta de habilidades e fortalecimento de novos projetos de vida”, explica o presidente da FAS, Renan de Oliveira Rodrigues.
A oficina é orientada pela artista plástica e ilustradora Mariza Del Claro. Os participantes têm liberdade para escolher o que desejam criar, com orientação quando solicitada. “A arte contemporânea é mais solta e eu deixo que façam o que gostam. Eu oriento, mas eles têm liberdade para criar. Quando querem fazer algo específico, pedem orientação”, afirma Mariza.
Durante as atividades, são trabalhadas cores, traços e diferentes técnicas. Os participantes utilizam tinta acrílica e guache, além de desenho e colagem. Aqueles que demonstram maior interesse ou habilidade recebem telas para desenvolver seus trabalhos.
Entre os participantes, seis chamaram a atenção da professora pelo potencial artístico. Daniel Silva, José Roberto Santos e Dionísio José Skalski estão entre os que desenvolveram trabalhos com características diferentes e encontraram na oficina uma nova forma de expressão.
José Roberto Santos, de 66 anos, é acolhido na UAI Cajuru e conta que desenha e pinta desde os 18 anos. Ele aprendeu sozinho, observando um livro de desenhos, e costuma desenhar na unidade onde está acolhido. Na oficina, passou a ter a oportunidade de pintar em telas. “Eu gosto de vir para a oficina. Fico emocionado”, relata.
A coordenadora de relações institucionais da Diretoria de Proteção à População em Situação de Rua da FAS, Grace Puchetty Ferreira, explica que a arte também funciona como uma forma de comunicação para José Roberto. “É durante a atividade que consegue expressar com mais liberdade sentimentos, opiniões e alegrias que nem sempre consegue colocar para fora em outros espaços”, diz.
Dionísio José Skalski, de 65 anos, é curitibano e técnico eletrônico. Ele começou a pintar a partir da oficina do Centro Pop Doutor Faivre, no ano passado. “Eu gosto. A pintura me traz tranquilidade, consigo expressar meus sentimentos e isso ajuda a ter mais objetivos para a vida”, afirma.
Dionísio também teve a oportunidade de apresentar seu trabalho em uma exposição realizada no Teatro Guaíra, em maio, com obras produzidas por pessoas em situação de rua.
Daniel Silva, de 63 anos, participou da oficina por quase dois meses. Acolhido havia três meses na UAI Cajuru, ele chegou a Curitiba vindo do Rio de Janeiro e nunca tinha pintado em tela. “Isso é novo para mim. Estou começando. Vejo que uma nova porta se abriu para mim”, disse durante uma aula, poucos dias antes de ser contratado por uma rede de supermercados de Curitiba.
Os trabalhos de Daniel chamaram a atenção pela semelhança com características das obras do artista espanhol Joan Miró, conhecido pelas formas abstratas e pelas cores vibrantes. Por isso, os envolvidos na oficina passaram a chamá-lo de “Miró”.
Para Mariza, Daniel, José Roberto e Dionísio têm potencial para que seus trabalhos sejam conhecidos fora da oficina. A expectativa é reunir as obras produzidas ao longo das atividades em uma exposição no fim do ano. O local ainda será definido.
Com informações da Prefeitura de Curitiba.
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