Mesmo com os altos volumes de chuva registrados nos últimos dias, Curitiba tem reduzido os impactos nos bairros por meio de obras de infraestrutura, manutenção permanente e ações de prevenção. Entre as principais iniciativas estão os investimentos em macrodrenagem, que somam atualmente R$ 273 milhões em obras e ações em andamento pelo Programa de Requalificação e Obras de Curitiba (PRO Curitiba).
Segundo o Centro Municipal de Gerenciamento de Riscos e Desastres (CMGERD), alguns pontos da cidade registraram 91.5 milímetros de chuva nas últimas 24 horas. O volume exigiu atenção das equipes municipais, mas os investimentos em infraestrutura contribuíram para evitar danos de grandes proporções.
Desde 2025, 12 obras de macrodrenagem foram executadas pelo programa. Cinco já foram concluídas e outras sete estão em andamento, ampliando a capacidade de escoamento e armazenamento da água da chuva em diferentes regiões.
“O preparo da cidade tem permitido reduzir transtornos, proteger vidas e garantir que os impactos sejam cada vez menores diante de um cenário climático desafiador. Com investimentos contínuos, planejamento técnico e ações preventivas, a Prefeitura de Curitiba prepara a cidade para enfrentar os desafios climáticos”, diz o prefeito Eduardo Pimentel.
Obras reduziram pontos históricos de alagamento
Locais onde os alagamentos eram frequentes não registraram problemas após a execução de obras e serviços coordenados pela Secretaria Municipal de Obras Públicas (Smop).
Na região da Trincheira do Sabará, na Avenida Juscelino Kubitschek de Oliveira, na CIC, a implantação de um novo sistema de escoamento de águas pluviais eliminou os alagamentos recorrentes. A nova galeria tem aproximadamente 260 metros de extensão e foi dimensionada de acordo com a realidade atual da bacia de drenagem, ampliando significativamente a capacidade de escoamento da água da chuva.
No Tarumã, uma intervenção na Rua Monte Castelo foi realizada a partir de uma demanda apresentada pela comunidade durante o programa Fala Curitiba. A Prefeitura implantou uma nova rede de galerias de águas pluviais, com investimento de R$ 1,35 milhão. A obra ampliou a capacidade de escoamento, reduziu os riscos de alagamento e aumentou a segurança para moradores e motoristas.
Na Rua Antônio Pupo, no Xaxim, a implantação de uma nova galeria de macrodrenagem, acompanhada de novo asfalto, solucionou os alagamentos registrados em períodos de chuva forte. Foram instalados 330 metros de tubulação com 1,20 metro de diâmetro, o dobro do tamanho dos tubos anteriores. O trecho fica entre a Rua Vereador Aureliano Mader Gonçalves e o Ribeirão dos Padilha.
A antiga rede não suportava a vazão durante chuvas intensas. Com isso, a água transbordava pelas calçadas até chegar ao Ribeirão dos Padilha, localizado na parte mais baixa da via. A nova estrutura ampliou a capacidade de drenagem e eliminou o problema.
O conjunto de obras de macrodrenagem que resultou na implantação do novo Parque Rio Mossunguê também passou pelo teste das fortes chuvas. A bacia de detenção construída na Rua Eduardo Sprada, entre as ruas Maria Bizinelli e José Baggio, contribuiu para proteger áreas dos bairros Campo Comprido, Mossunguê, Santo Inácio, Orleans e São Braz.
No Atuba, as novas bacias de contenção do Rio Atuba, ainda em obras, já demonstraram a eficiência do sistema. As duas estruturas terão capacidade para armazenar 150 mil metros cúbicos de água, volume equivalente a cerca de 60 piscinas olímpicas.
Mesmo em obras, as bacias já funcionam como reservatórios temporários, retendo a água da chuva e liberando-a gradualmente para o Rio Atuba. Dessa forma, diminuem a pressão sobre a rede de drenagem e ajudam a prevenir alagamentos em ruas e imóveis.
Além de contribuir para a prevenção de alagamentos na região Norte de Curitiba e nos municípios de Pinhais e Colombo, a intervenção dará origem a um novo parque-esponja da cidade. As obras devem ser concluídas no primeiro trimestre de 2027, mas as bacias já demonstraram capacidade de acumular a água que chegaria ao Rio Atuba após o pico das chuvas.
“Em eventos mais severos, o sistema de drenagem pode operar no limite e gerar pontos de alagamento, especialmente nas áreas mais impermeabilizadas. Porém, na maioria das ocorrências, a água escoa naturalmente após o fim da chuva, indicando que a rede de drenagem funciona e consegue absorver o volume acumulado”, explica o secretário municipal de Obras Públicas, Luiz Fernando Jamur.
Outras intervenções seguem em andamento em diferentes regiões, com atenção especial às áreas historicamente mais suscetíveis a alagamentos.
Manutenção permanente
A prevenção também ocorre diariamente nos bairros. Atualmente, 38 equipes percorrem Curitiba com obras e serviços voltados à drenagem, pontes e outras estruturas que ajudam a reduzir os riscos de alagamentos.
Desde 2025, já foram executados 4.066 serviços de pontes e drenagem, distribuídos em 3.300 intervenções. Entre os trabalhos estão a implantação, substituição e manutenção de 7.128 metros de galerias. Quando somadas as estruturas executadas nas obras de macrodrenagem, a extensão chega a 14.742 metros.
Também foram implantadas 507 caixas de captação, ligação e queda e realizadas 104 vídeo-inspeções de galerias com o uso de robô. As equipes executaram ainda 63 serviços de contenção, que totalizam 1.056 metros, além de 22 intervenções em pontes e passarelas de madeira e 305 serviços de manutenção nessas estruturas.
Campanhas educativas e limpeza
Além das obras estruturais, o trabalho envolve Manutenção Urbana, campanhas educativas, ações de prevenção e políticas públicas voltadas às mudanças climáticas. O objetivo é preparar a cidade para eventos climáticos extremos e ampliar a capacidade de resposta durante períodos de chuva intensa.
A limpeza periódica de rios, córregos e canais, a recuperação de galerias, a desobstrução de caixas de captação e a conservação de pontes e passarelas são ações menos visíveis, mas fundamentais para garantir o escoamento da água da chuva.
Desde janeiro de 2025, Curitiba já teve 106.724 metros de rios atendidos por serviços de limpeza, desobstrução e desassoreamento. Ao todo, a cidade tem 106,7 quilômetros de rios limpos e desassoreados como medida de prevenção a alagamentos.
Plano Diretor de Drenagem
O mapeamento dos pontos críticos de alagamento permitiu identificar gargalos históricos do sistema e definir intervenções graduais de curto, médio e longo prazo.
O trabalho técnico serve de base para a atualização do Plano Diretor de Drenagem, que deverá adequar o planejamento da cidade à nova realidade climática e urbana.
“O cenário mudou. Hoje lidamos com chuvas mais intensas em menos tempo e com uma cidade mais impermeabilizada. Atualizar o Plano é essencial para antecipar soluções e reduzir riscos”, destaca Jamur.
As intervenções são coordenadas pelo Departamento de Pontes e Drenagem da Smop e integram o PRO Curitiba, programa que prevê mais de R$ 6 bilhões em investimentos entre 2025 e 2028.
Políticas públicas integradas
A Prefeitura também investe em políticas públicas integradas, como a ampliação de áreas verdes, a recuperação ambiental, a mobilidade sustentável e a redução da emissão de gases de efeito estufa.
Entre as iniciativas estão o Bairro Novo da Caximba, o programa Meio Milhão de Árvores para Curitiba, a Reserva Hídrica do Futuro, o Plano de Adaptação e Mitigação das Mudanças Climáticas de Curitiba (PlanClima) e a modernização do transporte coletivo, com projetos como o Inter 2 e o BRT.
Parques
Com 52 parques e bosques públicos espalhados por diferentes regiões, Curitiba utiliza áreas verdes como parte da estratégia de adaptação climática. Esses espaços funcionam como áreas de retenção natural da água, ajudam a preservar os recursos naturais e reduzem os riscos de inundação. Também contribuem para evitar novas ocupações irregulares em áreas vulneráveis.
Moradia e recuperação de áreas
A política habitacional integra a estratégia de prevenção e recuperação urbana. Por meio da Companhia de Habitação Popular de Curitiba (Cohab), a Prefeitura busca ampliar o acesso a moradias dignas e promover a recuperação de áreas ambientalmente vulneráveis.
Pequenas atitudes também ajudam
A prevenção também começa em casa. Cuidados simples podem evitar prejuízos, proteger pessoas e colaborar para que a cidade enfrente melhor os períodos de chuva intensa.
As principais recomendações são limpar calhas, ralos e condutores de água, pois folhas, galhos e lixo acumulados dificultam o escoamento e podem provocar infiltrações e alagamentos.
Também é importante não jogar lixo em ruas, terrenos baldios ou rios. Os resíduos podem entupir bueiros e galerias pluviais e aumentar o risco de alagamentos.
A orientação é preservar os rios, evitando o descarte de resíduos e denunciando casos de descarte irregular pelo telefone 156 ou pelo 153, da Guarda Municipal.
Os moradores devem manter desobstruídos os bueiros próximos às residências e comunicar à Prefeitura, pelo 156, quando houver entupimentos.
Não se deve construir nem realizar obras em áreas de risco, como encostas, margens de rios e fundos de vale. Também é necessário observar sinais de risco em encostas e muros, como rachaduras no solo, inclinação de árvores ou muros e portas que passam a emperrar.
A manutenção de telhados e estruturas ajuda a evitar danos provocados por ventos fortes e chuvas intensas. A recomendação é nunca atravessar ruas alagadas ou rios cheios, porque mesmo uma lâmina fina de água pode esconder buracos e oferecer risco de arrastamento de pessoas e veículos.
A população deve acompanhar os alertas meteorológicos e da Defesa Civil para agir com antecedência, usar capa de chuva e botas adequadas para reduzir o risco de acidentes e doenças e proteger documentos e objetos importantes, mantendo-os em locais elevados ou impermeáveis, principalmente em áreas sujeitas a alagamentos.
Também é recomendado conversar com os vizinhos e fortalecer a prevenção coletiva. Ações conjuntas, como mutirões de limpeza, aumentam a segurança de toda a comunidade.
Com informações da Prefeitura de Curitiba.
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