O presidente Donald Trump pode anunciar sua escolha para a presidência do Federal Reserve (Fed) ainda esta semana. A expectativa é que o indicado defenda cortes nas taxas de juros. No entanto, essa escolha enfrentará um novo cenário dentro do comitê de política monetária, que pode ser mais resistente a essas alterações.
Novo Composição do Comitê
Anualmente, quatro dos doze presidentes regionais do Fed assumem funções rotativas com direito a voto no comitê que define as taxas de juros do banco central. Para 2023, os presidentes que compõem o comitê são: Lorie Logan (Dallas), Beth Hammack (Cleveland), Anna Paulson (Filadélfia) e Neel Kashkari (Minneapolis). O presidente do Fed de Nova York e todos os sete membros do Conselho de Governadores têm direito a voto permanente.
Recentemente, Logan e Hammack manifestaram preocupação com a inflação, que permanece acima da meta de 2% pelo quinto ano consecutivo. Este cenário torna improvável um apoio para cortes nas taxas de juros, pois tais medidas poderiam impulsionar a inflação ainda mais.
Falcões vs. Pombas
Os banqueiros centrais que apoiam políticas mais rigorosas contra a inflação são conhecidos como “falcões”, enquanto aqueles que priorizam o mercado de trabalho são chamados de “pombas”. Este equilíbrio se torna crítico, especialmente após a introdução de uma agenda econômica abrangente por Trump, que ameaçou tanto a estabilidade de preços quanto o pleno emprego.
A fraqueza do mercado de trabalho levou a três cortes nas taxas de juros no ano passado. Contudo, as tarifas e potenciais novos impostos introduzidos por Trump podem continuar a pressionar a inflação, complicando a possibilidade de novos cortes nas taxas pelo Fed.
Em entrevista ao Wall Street Journal, Hammack observou que as taxas podem permanecer elevadas até que haja evidências mais concretas de que a inflação está se estabilizando. Ela enfatizou a importância de cumprir o objetivo de manter a inflação em 2%.
Logan também se posiciona como defensora de políticas conservadoras, indicando que votaria contra novos cortes nas taxas, argumentando que é necessário avaliar os impactos das reduções já realizadas.
Recentemente, dois presidentes regionais do Fed, Jeffrey Schmid (Kansas City) e Austan Goolsbee (Chicago), votaram contra os cortes de taxas, preferindo uma manutenção dos níveis atuais.
Perspectivas Moderadas
Anna Paulson, por sua vez, é vista como uma voz moderada no comitê, manifestando uma disposição maior para cortes nas taxas de juros. Em discurso recente, ela expressou otimismo cauteloso em relação à inflação e afirmou que ajustes na taxa de juros podem ser apropriados se a inflação se moderar e o mercado de trabalho se estabilizar.
As opiniões de Paulson se alinham mais com membros do Conselho de Governadores do Fed, embora não sejam tão extremas como as do membro Stephen Miran, que advoga por cortes substanciais nas taxas para evitar uma possível recessão econômica.
Kashkari adota uma posição intermediária, alertando sobre a persistência do risco inflacionário e os efeitos das tarifas sobre a economia.
Enquanto Trump delineia suas expectativas para o novo presidente do Fed, é importante notar que esse líder é apenas um voto entre doze membros, e as decisões sobre as taxas de juros serão pautadas pela realidade econômica.
Fonte: CNN https://www.cnnbrasil.com.br/economia/macroeconomia/novos-votantes-do-fed-podem-dificultar-apelo-de-trump-por-juros-baixos/
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