Mulheres representam apenas 15% dos profissionais de engenharia no Estado do Paraná

Historicamente, a Engenharia é uma área dominada por homens no Brasil. No Paraná, segundo o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA-PR), as mulheres representam apenas 15% dos profissionais com registro. Entretanto, algumas empresas estão trabalhando firme para mudar esta realidade, como é o caso da Votorantim Cimentos. Do total de profissionais registrados como engenheiros na empresa no Brasil, 26,6% são mulheres que atuam em fábricas e escritórios corporativos, incluindo no Paraná.  E isso não é por acaso. A Votorantim definiu como meta a equidade em suas operações e busca, até 2030, ter 30% das mulheres ocupando posições de liderança em seu quadro de empregados.   

Nos últimos três anos, de 2019 a 2021, a empresa dobrou o número de mulheres atuando como engenheiras e, algumas delas, são responsáveis por garantir o funcionamento da maior fábrica de cimento da América Latina, em Rio Branco do Sul (PR). Como é o caso da Vanessa Von Kruger, de 29 anos que é engenheira eletricista. Ela viu seu pai atuar como profissional da área elétrica na mesma empresa há 31 anos e se apaixonou pela área. Percebendo que poderia ter as mesmas oportunidades que seu pai, começou a cursar engenharia na Universidade Tecnológica Federal do Paraná e iniciou seu plano de carreira na empresa em 2016, como estagiária. Após passar pelas áreas de gestão e planejamento de manutenção, foi promovida a Engenheira de Confiabilidade. 

“Eu entrei em busca de uma oportunidade, pois me encantei com o ambiente de trabalho e consegui essa chance. Quando iniciei meu estágio eu era tímida, mas hoje consigo me posicionar melhor, falar de igual para igual. A empresa me dá esse suporte, pois acredita na gente (mulheres)”, afirma Vanessa.  

O desejo da Vanessa de ter mais mulheres atuando na profissão está se tornando realidade. Como uma ação para comprimento dos seu compromisso em igualdade de gênero de longo prazo, a Votorantim Cimentos busca mais histórias como essa e realiza a formação de outras profissionais por meio do seu Programa de Engenheiras de Confiabilidade. A formação possui duração de 18 meses e as profissionais podem ter a oportunidade de atuar como engenheiras de confiabilidade em unidades da Votorantim Cimentos, como em Rio Branco do Sul. As participantes passam por etapas como formação técnica, desenvolvimento de competências comportamentais e participam de grupos de conversas sobre temas relacionados aos desafios de mulheres atuando em uma área historicamente de predominância masculina. 

Como é o caso da Maria Mello, engenheira de 25 anos, participante do programa na unidade paranaense. Nascida no Maranhão, se apaixonou pela profissão aos 15 ao ouvir uma engenheira de uma empresa aeroespacial mostrar onde uma jovem sonhadora é capaz de chegar. Desde então, Maria decidiu que sua profissão seria a Engenharia e, mesmo sabendo das dificuldades da área, mudou-se para a Bahia em busca das raras oportunidades.  

Em dezembro de 2021, já formada, Maria inscreveu-se no Programa de Engenheiras de Confiabilidade da Votorantim Cimentos, foi aprovada e se mudou para o Paraná. Hoje, ela trabalha como engenheira de confiabilidade e, diariamente, analisa e prevê falhas nos equipamentos, sendo uma colaboradora crucial no funcionamento da fábrica em Rio Branco do Sul. “Vivo dentro da maior fábrica cimenteira da América Latina. É uma oportunidade ímpar para mim”, disse Maria.  

Além disso, Maria também destaca a diferença na cultura da fábrica em relação as experiências anteriores. “A Votorantim Cimentos está bem à frente na questão de cultura e olha para todos de forma igual, ela incentiva essa igualdade. As mulheres têm um projeto de liderança sem olhar de julgamento; pelo contrário, as pessoas dão parabéns e ajudam”. E ela não para por aí. Motivada pelas oportunidades diárias, visa voar ainda mais alto. “Eu gostaria muito de ser a nirvana de alguém. Que uma menina de 14 anos siga meus passos, que eu seja o sonho de alguém, assim como alguém foi para mim na adolescência”, afirma Maria. 

“Com o programa para formação de engenheiras de confiabilidade pretendemos fortalecer o pilar de gênero em nossas operações por meio de ações que gerem a presença, a participação e o desenvolvimento de mulheres. Essa é uma forma de criarmos oportunidades específicas para desenvolvermos futuras líderes do sexo feminino em nossas fábricas”, afirma a gerente geral de Desenvolvimento Organizacional Global da Votorantim Cimentos, Thatiana Soto Riva. 

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Carreira: arquitetura é profissão em alta e promete salários elevados

O mercado de trabalho para arquitetos vem retomando o crescimento desde o final de 2020, segundo o Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR). O setor havia sido abalado pelas incertezas e restrições ao comércio impostas pela pandemia, que reduziram a demanda por obras e projetos de maneira significativa.

Ainda conforme o CAU, no último trimestre de 2020 o número de atividades registradas pelos arquitetos e urbanistas aumentou 12% em relação ao mesmo período em 2019.

Considerando-se 2020 ao todo, porém, houve uma queda de 6,3% quando comparado ao ano anterior.

Considerando o abalo drástico sofrido nos primeiros meses de 2020, o mercado de Arquitetura e Urbanismo mostrou um poder de reação importante para a retomada das atividades do setor.

Aumento da demanda do setor

De acordo com uma pesquisa feita pela Archademy, startup brasileira que oferece soluções para arquitetos, 80% dos profissionais de arquitetura tiveram alta na demanda de trabalho em 2021. O levantamento revelou que os clientes estão valorizando mais seus espaços e buscando adequá-los ao home office.

De todos os escritórios que participaram do estudo, 95,5% dos profissionais receberam demanda para reforma de ambientes domiciliares. Entre eles, 67,4% receberam pedidos de adequação do layout geral da casa, 65,8% para adaptabilidade do espaço ao trabalho remoto e 58,4% para modificar os ambientes de convivência.

Em entrevista à imprensa, o CEO da Archademy Raphael Tristão alertou que a necessidade de adequações diferentes no domicílio — que agora também é local de trabalho para parte das pessoas — teve contribuição no aquecimento do mercado de arquitetura mesmo num momento de retenção de gastos. A adaptabilidade ao home office foi adicionada às necessidades básicas dos projetos.

2º Censo dos Arquitetos e Urbanistas do Brasil

Realizado pelo CAU e com resultados tabulados pelo Instituto DataFolha, o 2º Censo das Arquitetas e Arquitetos e Urbanistas do Brasil revelou que a maioria dos profissionais do país é composta por jovens adultos, com idade média de 35 anos e interessados por atividades de atualização e formação profissional.

O grupo de participantes gosta da profissão escolhida e crê que o mercado pode crescer nos próximos anos. Cerca de 79%, no entanto, acreditam que um dos obstáculos para o seu exercício é a baixa valorização da profissão.

Quando comparado aos dados do 1º Censo (2012), praticamente dobrou a quantidade de arquitetos insatisfeitos com sua remuneração. A pesquisa mostra ainda que 35% não têm acesso ao mercado de trabalho.

Vale ressaltar que o levantamento foi feito no primeiro semestre de 2020, quando existiam cerca de 180 mil arquitetos e urbanistas ativos no país. Até dezembro de 2021, o CAU reunia aproximadamente 212 mil profissionais desse setor.

O que faz o profissional arquiteto

Com formação superior em Arquitetura ou Arquitetura e Urbanismo, o arquiteto é responsável por desenvolver projetos para casas e edifícios, gerenciar reformas, planejar e acompanhar obras de edificação — que podem ser de moradia, lazer ou qualquer outra categoria de espaço de convivência humana. Deve também estar sempre atento e pesquisar a resistência dos materiais com os quais pretende trabalhar.

Além disso, o profissional pode atuar em áreas como paisagismo, design de interiores, decoração e desenho de móveis sob medida.

O curso de Arquitetura e Urbanismo é um bacharelado com duração de cinco anos. Oferecida pelas principais instituições públicas e privadas do Brasil, a graduação está disponível somente no formato presencial. Mais de 400 instituições oferecem o curso em todo o território nacional.

É importante observar, porém, se a faculdade escolhida é reconhecida pelo Ministério da Educação (MEC) para que o diploma tenha validade no mercado.

Quem deseja exercer a profissão de arquiteto deve obrigatoriamente ter o diploma e o registro junto ao Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea).

Quanto recebe esse profissional

No Brasil, o CAU aponta que os valores salariais de um arquiteto são regulamentados pela Lei 4.950-A/66, que determina que o piso salarial desse profissional deve ser baseado no salário mínimo vigente e na jornada de trabalho. Sendo assim, uma jornada diária de seis horas renderia seis salários mínimos; sete horas, 7,25 salários mínimos; e oito horas, 8,5 salários mínimos.

De acordo com o 2º Censo do CAU , 35% dos arquitetos e urbanistas têm renda individual que varia entre um e três salários mínimos (R$ 998 a R$ 2.994). Outros 28% afirmam ganhar entre três e seis salários (R$ 2.994 a R$ 5.988) e 11% informaram que contam com recebimentos entre seis e nove salários (R$ 5.988 a R$ 8.982). Já 10% dos participantes disseram que recebem menos do que um salário mínimo, e outros 6%, por sua vez, não têm nenhuma renda.

IBEF-PR reúne executivos de finanças de grandes empresas no interior do estado

Com o intuito traçar estratégias para o setor de finanças no interior do Paraná, o Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (IBEF-PR) reuniu 25 profissionais de grandes empresas para discutir as novas competências da liderança C-level e as dificuldades na contratação de cargos chave dentro das organizações.

Durante o encontro, o vice-presidente do IBEF-PR para o interior do estado, Jeferson Vinhas, relembrou o objetivo e benefícios em fazer parte do instituto e apresentou a agenda com as datas dos próximos eventos que serão realizados ainda neste ano na região. “Neste encontro, o professor Guaracy Silva foi convidado para falar sobre as novas competências da liderança C-level, como são chamadas as posições de lideranças executivas nas empresas. O professor trouxe importantes conceitos dos principais autores atuais que caracterizam as competências de um C-level”, destaca Vinhas.

A reflexão foi mediada pela vice-presidente de Projetos Estratégicos do IBEF-PR, Ruth Bandeira, que pode apontar sua vivência prática na contratação para posições chaves e as dificuldades encontradas nesse processo.

O encontro faz parte da estratégia de expansão do IBEF-PR para o interior do estado. Esta foi a segunda reunião do grupo neste ano, que aconteceu na noite de 21 de junho e contou com executivos de Maringá e cidades próximas, como Campo Mourão, Umuarama e Londrina. Segundo o VP do interior, Jeferson Vinhas, um dos objetivos do IBEF-PR é proporcionar eventos para que CFOs das empresas possam debater e se capacitar às novidades do mercado. Isso de maneira indireta traz desenvolvimento. “A iniciativa do IBEF vem para fomentar os executivos financeiros do interior do estado com vistas ao desenvolvimento regional das empresas”, ressalta.

Case Coamo

Outro ponto importante do evento foi a apresentação do case Coamo, a empresa com maior faturamento do Paraná e maior cooperativa da América-Latina, feita por Joel Makohin, gerente financeiro da Coamo. Makohin explicou os desafios que a empresa enfrentou para conseguir alcançar o status atual e como funciona a relação do cooperativismo com o executivo financeiro. “Aproveitamos as reuniões para apresentar cases de sucesso da área financeira de empresas da nossa região. É uma ótima forma de inspirar outros executivos e transmitir conhecimento para que as ações também sejam realizadas em mais empresa”, finaliza Vinhas.