Rússia Considera Retomar Testes Nucleares Após Declarações de Trump
A recente postura do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em relação a testes nucleares gerou tensão entre as potências nucleares. Em declaração feita na terça-feira (5), o vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia, Dmitry Medvedev, indicou que Moscou está reavaliando sua posição sobre a realização de testes nucleares.
Declarações de Medvedev
Medvedev afirmou que as declarações de Trump, que pediu ao Pentágono a retomada imediata de testes de armas nucleares, “forçam” a Rússia a considerar suas opções. Ele disse que, embora Trump seja o presidente dos EUA, suas palavras possuem consequências sérias, levando a Rússia a ponderar a realização de testes nucleares completos.
“A Rússia será forçada a avaliar a conveniência de realizar testes nucleares completos por conta própria”, ressaltou Medvedev.
Contexto Global
Trump não especificou se os testes incluiriam detonações efetivas de ogivas nucleares. Sua declaração representa uma ruptura em uma moratória informal que dura mais de 30 anos, estabelecida desde a década de 1990. Esta tensão ocorre em um momento crítico, com as duas nações, que juntas possuem cerca de 90% das ogivas nucleares do mundo, explorando limites diplomáticos.
- A Rússia revogou, em 2023, a ratificação do Tratado de Proibição Completa de Testes Nucleares, enquanto os EUA, embora tenham assinado o tratado em 1996, nunca o ratificaram.
- O tratado New START, que limita o número de ogivas estratégicas e que expira em 2026, também enfrenta ameaças, sinalizando uma possível nova corrida armamentista.
- Recentemente, Putin anunciou o sucesso do teste do drone nuclear Poseidon, enquanto Trump afirmou que os EUA buscam “igualar as condições” com seus rivais.
Reunião do Conselho de Segurança
A resposta de Moscou à retórica de Trump levou Putin a convocar o Conselho de Segurança da Rússia para discutir a situação. Durante a reunião, Putin reafirmou o compromisso da Rússia com o Tratado de Proibição de Testes Nucleares, mas alertou que o país tomará medidas se os EUA ou outros signatários descumprirem o acordo.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, esclareceu que não existe uma ordem concreta para iniciar testes nucleares, mas sim uma análise técnica e política da situação. “Trata-se de avaliar a conveniência, não de iniciar os testes”, afirmou Peskov.
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