O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) discursou nesta terça-feira (23/9) na Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), em Nova York, em meio a uma nova rodada de sanções impostas pelo governo dos Estados Unidos a autoridades brasileiras, incluindo a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Abertura da Assembleia da ONU
Este é o primeiro discurso de Lula na ONU desde o aumento de tarifas por Donald Trump. O presidente brasileiro costuma ser o primeiro a se pronunciar, seguido pelo presidente dos EUA. Apesar da proximidade, não há previsão de um encontro entre Lula e Trump, embora o presidente brasileiro tenha expressado interesse em discutir tarifas durante sua visita.
“Se ele passar perto de mim, vou cumprimentá-lo. Eu sou um cidadão civilizado e converso com todo mundo”, afirmou Lula na última semana, demonstrando abertura ao diálogo.
Agenda em Nova York
- Lula chegou a Nova York no domingo (21/9) e ficará até quarta-feira (24/9), participando de reuniões sobre democracia, combate ao extremismo e meio ambiente.
- A primeira-dama, Janja Lula da Silva, já está nos EUA como enviada especial para a COP30 e acompanhará Lula em algumas atividades.
- A viagem do presidente foi marcada por incertezas na comitiva, especialmente em relação ao visto do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que só foi concedido na quinta-feira anterior.
- Na véspera do discurso, o governo dos EUA anunciou sanções a brasileiros, incluindo a esposa do ministro do STF, Alexandre de Moraes.
Novas Sanções dos EUA
Na segunda-feira (22/9), o governo dos EUA anunciou sanções contra Viviane Barci de Moraes e um instituto ligado à família do ministro do STF, Alexandre de Moraes. As sanções foram ditadas pela Lei Magnitsky e incluem restrições econômicas, como o congelamento de bens em território americano.
A decisão veio após a condenação de Jair Bolsonaro pelo STF, que o sentenciou a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe. Segundo a administração de Trump, as sanções visam desarticular “uma rede de apoio financeiro” ao ministro.
Restrições de Visto
Nos dias que antecederam a viagem, a concessão de vistos para a delegação brasileira enfrentou atrasos. O governo dos EUA, como país-sede da ONU, deve garantir a entrada de comitivas que participam da Assembleia.
Os vistos dos ministros Ricardo Lewandowski e Alexandre Padilha foram liberados apenas dias antes do evento, e Padilha enfrentou restrições de circulação que o impediriam de participar plenamente de suas agendas.
O Ministério da Saúde e o chanceler Mauro Vieira criticaram as restrições como “infundadas” e “injustas”, e buscaram reverter as medidas junto a autoridades da ONU.
Agenda de Lula na ONU
No primeiro dia de atividades, Lula participou de uma sessão sobre a Resolução Pacífica da Questão Palestina e no dia 24 liderará uma reunião sobre defesa da democracia, ao lado de outros líderes internacionais.
A visita ocorre em um momento delicado nas relações Brasil-EUA, após as sanções recentes. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que o governo responderá às ações do STF contra Bolsonaro.
Temas Ambientais na COP30
Lula também abordará questões ambientais em preparação à COP30, marcada para novembro em Belém (PA). Ele participará da Cúpula das NDCs, com foco nas metas de redução de emissões de gases de efeito estufa, e do lançamento do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF).
Até o momento, apenas um encontro com o secretário-geral da ONU, António Guterres, foi confirmado para o dia 23 de setembro, antes do discurso na Assembleia.
