JBS vai investir R$ 1,8 bilhão no Paraná e fará maior fábrica de empanados do mundo

A JBS, uma das maiores empresas do ramo agroindustrial do Brasil, anunciou nesta sexta-feira (14) investimento de R$ 1,8 bilhão na unidade de Rolândia para a construção da maior fábrica de empanados do mundo. O governador Carlos Massa Ratinho Junior participou da cerimônia de anúncio na planta instalada no município do Norte do Estado. A nova unidade, que já está em fase inicial de construção, ficara anexa à atual. Também será feita a expansão de turno e modernização da unidade de aves da Seara na cidade.

Ratinho Junior destacou a importância de um anúncio tão robusto no Paraná mesmo em um momento de crise causada pela pandemia do novo coronavírus. “O Paraná tem vocação para produzir alimentos e alimentar o mundo, e agora abrigará com muito orgulho a maior fábrica de empanados do planeta”, disse o governador.

“Quando uma empresa consolidada e de porte internacional decide por um investimento bilionário, atesta que o Paraná está no caminho certo. Isso vai ser muito importante na retomada da economia paranaense e na geração de emprego e renda”, acrescentou.

Governador Carlos Massa Ratinho Junior durante visita a JBS – Foto: Ari Dias/AEN

Segundo o governador, a gestão estadual tem foco na viabilização de novos negócios e na valorização da modernização do setor agropecuário no Estado. Essa agenda tem influenciado nos números positivos da geração de empregos e do crescimento da produção industrial.

“Temos reduzido a burocracia, o que atrai mais investimentos e acelera o crescimento da economia. Mas vamos além, tendo um foco especial para a infraestrutura que vai escoar toda essa produção do agronegócio. Estradas de qualidade, ferrovias, um porto moderno, tudo isso influencia diretamente na competitividade do empresário que está no Paraná, e isso chega na ponta, na gôndola, para o consumidor final”, afirmou.

INVESTIMENTO –Com o investimento na unidade, que terá bandeira da Seara, serão gerados cerca de 2,6 mil novos empregos diretos, e também 150 novas parcerias com integrados. Atualmente, a unidade de Rolândia emprega 3.700 colaboradores diretos, além de 390 integrados. A obra de expansão já está sendo realizada, e a expectativa é de conclusão no final de 2022. A expectativa é de alcançar mil toneladas de produção por dia.

Segundo o secretário de Estado da Agricultura e Abastecimento, Norberto Ortigara, o anúncio representa um marco para o agronegócio paranaense. “O impacto é gigantesco para os produtores de proteína animal do Paraná”, ressaltou. “É desafiador ampliar investimentos, principalmente no atual cenário. Mas o Paraná tem capacidade e potencial competitivo, tem selo de qualidade de sanidade animal e um cuidado para garantir que os negócios se desenvolvam de forma sustentável, desde o pequeno produtor até a grande indústria”.

Darlan José Carvalho, diretor de negócios da companhia e responsável pela unidade de Rolândia, disse que o Paraná representa um polo muito importante para a JBS. Ele ressaltou a segurança sanitária da carne produzida no Estado, que tem qualidade reconhecida internacionalmente.

“O Paraná tem uma série de qualidades, com DNA de produção agrícola, referência na produção de grãos e de frango, além de uma excelente mão de obra e logística. Tudo isso faz a diferença na hora de decidirmos onde fazer investimentos”, explicou o diretor. “Pesa também o cuidado do Estado com a sanidade animal, que é um item importante para acessar mercados internacionais”.

Para o prefeito de Rolândia, Ailton Maistro, a expansão da JBS representa um grande ganho para a região. “Somos um município que tem carências na geração de emprego, isso afeta a cidade como um todo, e um empreendimento desse tamanho gera mais do que postos de trabalho, mas movimenta a economia como um todo, a arrecadação de impostos, atrai outros investimentos”, destacou. “Para nós é uma alegria muito grande, e ter uma gestão estadual comprometida com o avanço produtivo do Estado com certeza ajuda Rolândia a se desenvolver também”.

Obras já estão em andamento em Rolândia. Foto: Jonathan Campos/AEN

SANIDADE – Em março de 2021, o Paraná recebeu o parecer favorável do comitê técnico da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) e deu mais um passo para o reconhecimento internacional como área livre de febre aftosa sem vacinação. Essa foi a penúltima etapa de um processo de controle sanitário iniciado há 50 anos e que permitirá um salto na produção e comercialização da cadeia de carnes. A expectativa é que o último passo seja dado neste mês, com o reconhecimento definitivo.

Além disso, o Paraná conquistou a chancela técnica da OIE como zona livre de peste suína clássica independente. Essa classificação retira o Estado de um grupo formado por 14 outros estados e garante vantagens sanitárias aos produtores locais no mercado internacional. Ambas as chancelas técnicas abrem as portas de mercados internacionais para as carnes produzidas no Paraná.

Foto: Jonathan Campos/AEN

“O Paraná buscava essa qualificação há 50 anos, meio século de luta. É um trabalho de muitos técnicos e do setor como um todo. Cerca de 65% do mundo não compra carne do Paraná pela ausência desse reconhecimento. Ou seja, alguns bilhões de dólares entrarão na nossa economia, gerando milhares de novos empregos”, ressaltou Ratinho Junior.

DOAÇÕES – Durante o anúncio dos investimentos, o governador também agradeceu as doações realizadas pela JBS ao Paraná durante a pandemia, como parte do programa Fazer o Bem Faz Bem. Foram doze cidades atendidas com R$ 21 milhões, recurso que possibilitou a aquisição de 858 mil Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), 365 respiradores, 497 equipamentos hospitalares e 28 mil cestas básicas para populações mais vulneráveis.

JBS NO PARANÁ – Atualmente, a JBS mantém plantas em Santo Inácio, Jaguapitã, Santa Fé, Jacarezinho, Rolândia, Campo Mourão, Carambeí e Lapa. Somando os Centros de Distribuição, incubatórios e fábricas de ração, a companhia está presente em 14 municípios paranaenses. São 14,2 mil colaboradores e 2 mil produtores integrados no Estado. Com a atuação da companhia também são gerados cerca de 42 mil empregos indiretos no Estado.

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Auxílio emergencial pode ser renovado após outubro se pandemia persistir, diz Guedes

O ministro Paulo Guedes (Economia) disse nesta sexta-feira (25) que o governo poderá renovar o auxílio emergencial depois de outubro, caso a pandemia continue fora de controle.

Em audiência na Comissão Temporária da Covid no Senado, Guedes afirmou que “quem dirige o auxílio emergencial não é a economia, nem sequer a política, quem dirige o auxílio emergencial é a pandemia”.

“Se a pandemia continuasse fora de controle em setembro, outubro, novembro vamos ter que renovar o auxílio emergencial. Mas não é a expectativa no momento. Nas palavras do ministro Queiroga [Saúde], estaríamos num ambiente de controle da pandemia, com a pandemia sob controle”, explicou o ministro.

Guedes voltou a garantir que o benefício será estendido por mais três meses. Segundo ele, o prazo leva em conta a expectativa de vacinação da população brasileira.

“O auxilio que terminaria em 31 de julho segue agosto, setembro e outubro. Outubro é o mês que todos os governadores estão dizendo que terão vacinado toda a população adulta brasileira”, disse.

Guedes não detalhou como vai efetivar a proposta. A tendência é que o governo edite uma Medida Provisória para estender o auxílio. A ideia é manter o público beneficiado e os valores das parcelas. Hoje o benefício varia de acordo com a composição familiar, com parcelas que variam de R$ 150 a R$ 375 por mês.

Na rodada atual, cada parcela da assistência tem custo estimado de R$ 9 bilhões. Portanto, a prorrogação deve ter impacto de R$ 27 bilhões às contas do governo federal.

De acordo com técnicos do Ministério da Economia, cerca de R$ 7 bilhões devem sobrar dos pagamentos. Desse modo, o novo ciclo deve exigir uma liberação adicional de R$ 20 bilhões.

No dia 14 de junho, o ministro já havia afirmado ao jornal Folha de S.Paulo que o auxílio emergencial seria prorrogado por três meses. Segundo ele, a decisão considerava que a população adulta estará vacinada contra a Covid-19 até outubro.

De acordo com Guedes, o presidente Jair Bolsonaro iria bater o martelo sobre a medida após se informar com o Ministério da Saúde e receber a decisão do Ministério da Cidadania, que é responsável pela gestão do programa.

Logo após a declaração de Guedes, Bolsonaro disse que irá turbinar o Bolsa Família, programa criado na gestão do PT, e estender o pagamento do auxílio emergencial.

Bolsonaro confirmou em entrevista que o Ministério da Economia está estudando o pagamento de “mais duas ou três parcelas” do auxílio emergencial após o fim da rodada atual, que termina em julho.

“Mais duas ou três parcelas, está faltando só esse ‘finalmente’ aí, de auxílio emergencial de média de R$ 250. Média”, afirmou Bolsonaro em entrevista à SIC TV, afiliada da RecordTV em Rondônia, no dia 15 de junho.

A liberação dos recursos será feita por meio de crédito extraordinário, mecanismo usado em situações consideradas urgentes e imprevisíveis. Essa despesa não é contabilizada no teto, regra que limita as despesas do governo.

“No tocante ao Bolsa Família, tivemos uma inflação durante a pandemia no tocante aos produtos da cesta básica em torno de 14%, você teve item que subiu até 50%, sabemos disso daí”, disse.

Governo deve anunciar prorrogação do auxílio nesta semana, diz Guedes

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou hoje (23), durante encontro com empresários da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que o presidente da República Jair Bolsonaro deve anunciar, em breve, a prorrogação do auxílio emergencial por mais três meses. “O presidente deve anunciar, talvez ainda nesta semana, mais três meses de auxílio [emergencial]”, disse Guedes.

O ministro também ressaltou o trabalho do governo, em parceria com os empresários, para enfrentar a crise ocasionada pela pandemia de covid-19. Ele disse que neste momento em que a população está sendo vacinada, a recuperação econômica em V já aconteceu, com a criação de 1 milhão de empregos nos últimos quatro meses do ano passado, totalizando 140 mil empregos formais em 2020.

“É a primeira vez que houve uma recessão com a criação de empregos formais. Neste ano já criamos 960 mil empregos. O Brasil está transformando, com sucesso, o que era uma recuperação cíclica, baseada em consumo, em retomada do crescimento sustentável, com base em investimentos que estão aumentando”, disse o ministro.

BIP e BIQ

Ele lembrou que o governo federal renovou programas bem sucedidos e que planeja anunciar novos programas como o Bônus de Inclusão Produtiva, que prevê que jovens, entre 18 e 21 anos, que saem da universidade e não conseguem um emprego formal recebam do governo entre R$ 250 e R$ 300 para trabalhar em escolas técnicas ou empresas e se qualificarem. A empresa paga o mesmo valor, o chamado Bônus de Incentivo à Qualificação. A estimativa é a de que mais de 2 milhões de jovens sejam beneficiados. Guedes disse ainda que neste ano o governo pagará o valor total do programa.

“Isso seria um treinamento no trabalho. Não é um emprego. Vamos conversar com as redes privadas, empresas, com o Senai, Sesi, Senac para ver se eles estão dispostos. Nós damos esse valor de um lado e a empresa dá esse mesmo valor de outro lado. Ele vai receber metade de um salário mínimo para ser treinado meio expediente. Para a empresa é muito bom e para o jovem também porque ele vai ficar fora da rua, vai ser socializado, incluído produtivamente”, explicou Guedes.

Congresso

O ministro destacou ainda o trabalho do Congresso Nacional, como a aprovação do marco do saneamento, da nova lei do gás, e a autonomia do Banco Central. Guedes afirmou que a Reforma Tributária está bem encaminhada e em um primeiro estágio entra na Câmara e em seguida no Senado, para tratar do chamado passaporte tributário, que é a regularização de situações anormais, permitindo o desconto para empresas que estiverem devendo os tributos.

“Nós realmente vamos aplicar descontos generosos para pequenas e médias empresas. Para os grupos maiores, vamos conversar sobre isso. Mas a ideia é tirar o Estado do cangote do povo. Nós vamos reduzir os impostos, vamos apostar na reativação da economia e em que se a arrecadação aumentar, e nós estimamos que vai, vamos imediatamente rebaixando os impostos”, garantiu Guedes.