O Irã confirmou, através de seu presidente Masoud Pezeshkian, planos para a reconstrução de suas instalações nucleares danificadas por ataques dos Estados Unidos e Israel. A declaração foi feita neste domingo (2/11) e representa um desafio direto às ameaças do presidente norte-americano Donald Trump, que prometeu novas ações caso o país persista em reparar os danos.
Reação de Teerã às Ameaças
Em visita à agência nuclear iraniana, Pezeshkian garantiu que o Irã “não será impedido” de restaurar os locais atingidos pelos ataques. Ele declarou: “Destruir prédios e fábricas não vai criar um problema para nós. Vamos reconstruir e com mais força”.
O presidente reiterou, em um vídeo postado nas redes sociais, que Teerã não busca desenvolver um programa de armas nucleares, enfatizando que suas intenções são estritamente civis. “Tudo é destinado a resolver os problemas do povo, combater doenças, auxiliar na saúde das pessoas”, completou.
Motivos da Intervenção dos EUA e Israel
O programa nuclear iraniano tem sido monitorado com atenção pelo Ocidente desde 2003, após a descoberta de instalações secretas de enriquecimento de urânio. Em 2023, as tensões aumentaram quando o Irã anunciou que havia alcançado um nível de enriquecimento de urânio de 83% em abril, muito acima do requerido para fins civis, mas abaixo do que seria necessário para armas nucleares. Em resposta, o país expulsou inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), o que resultou em uma escalada das ameaças por parte dos EUA e Israel.
Para Israel, o programa nuclear iraniano representa uma ameaça existencial. Em junho deste ano, o país esteve envolvido em um conflito de 12 dias com o Irã, focando especialmente nas instalações nucleares. Bombardeiros B-2 dos EUA também foram utilizados, principalmente para atingir a usina nuclear de Fordo.
O presidente Trump declarou que as ações de Israel haviam destruído o programa nuclear do Irã, o que foi contestado por Teerã, que afirmou ter sofrido danos, mas sem a eliminação total do projeto. Atualmente, não há uma avaliação independente da extensão dos danos, uma vez que o Irã suspendeu toda cooperação com a AIEA.
Intermediação de Omã
Enquanto isso, Omã, conhecido por seu papel como intermediário nas relações entre o Irã e os EUA, pressionou para que ambos os países retomem as negociações. O país já havia mediado cinco rodadas de tratativas entre as partes este ano, sendo que os ataques israelenses iniciaram três dias antes da sexta rodada de negociações.
Sanções da ONU contra o Irã foram restabelecidas em setembro, após que o Reino Unido, Alemanha e França acionaram o mecanismo de “retomada automática” devido à alegação de descumprimento do país com o acordo nuclear de 2015. Nesse pacto, Teerã se comprometeu a limitar seu programa nuclear, mas recomeçou o enriquecimento de urânio após a saída dos EUA do acordo em 2018, durante a administração de Trump.
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