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Inteligência Artificial Preocupa Especialistas no Apoio Emoional

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Uma pesquisa realizada na França revelou que 25% dos jovens entre 15 e 29 anos estão enfrentando sintomas depressivos. A pesquisa, conduzida por três institutos e abrangendo 5.600 pessoas, destaca um fenômeno preocupante: muitos desses jovens têm optado por recorrer à inteligência artificial em vez de buscar atenção profissional para suas questões de saúde mental. Especialistas alertam para os riscos dessa tendência.

O Crescente Uso da Inteligência Artificial

A OpenAI, responsável pelo ChatGPT, anunciou na última terça-feira a implementação de um mecanismo de controle parental, em resposta a um caso de suicídio nos Estados Unidos envolvendo um adolescente de 16 anos. Essa medida evidencia a crescente preocupação com o uso inadequado de ferramentas digitais no contexto da saúde mental.

Impacto da Pandemia

Denise Gaelzer Mac Ginity, psicóloga e psicanalista franco-brasileira baseada em Paris, argumenta que a utilização de recursos digitais para apoiar a saúde mental se intensificou durante a pandemia de COVID-19. Naquela época, essas ferramentas se tornaram essenciais para preservar conexões sociais, mesmo que de forma virtual. Segundo ela, essa abordagem gerou uma epidemia silenciosa de depressão e ansiedade que perdura até hoje.

A Relação entre Digital e Depressão

Denise observa que a interconexão entre o uso de plataformas digitais e estados depressivos tem crescido. “Indivíduos emocionalmente vulneráveis veem no ambiente virtual uma forma rápida de combater a solidão, sem refletir sobre suas causas”, explica. A profissional acrescenta que, anteriormente, as pessoas se valiam de substâncias como álcool ou drogas para lidar com a dor, e agora se voltam para redes sociais e chatbots.

Alternativas Digitais

Na França, ferramentas como o Owlie, um chatbot desenvolvido por psicólogos, oferecem suporte 24 horas por dia. No entanto, a própria plataforma salienta que este serviço não é um substituto para terapia profissional.

Buscas por Apoio e Alternativas Econômicas

Um levantamento da Harvard Business Review aponta que perguntas comuns entre os usuários do ChatGPT incluem sentimentos de sobrecarga e insegurança em relação ao futuro. Lucas Natan, um arquiteto brasileiro vivendo em Paris, relata sua experiência positiva com a inteligência artificial após dificuldades com psicólogos. Ele considera a ferramenta útil para análises rápidas de suas situações.

Custos e Preferências

A diferença de custo entre consultas terapêuticas e interações com inteligência artificial pode influenciar a escolha dos jovens. Uma sessão com um terapeuta costuma custar em média € 70, enquanto um plano pago do ChatGPT chega a € 23 mensais.

Perigos do Reforço Positivo

Sophia, uma estudante de moda americana, descreve sua interação com o ChatGPT como similar a ter um amigo ao seu lado. Contudo, a psicanalista Juliana Sperandio Faria alerta sobre os perigos desse tipo de interação, afirmando que as respostas fornecidas pelo chatbot podem ser superficiais e não abordar realmente os problemas emocionais dos usuários.

Responsabilidade e Regulação

Juliana enfatiza que o foco do ChatGPT em oferecer reforços positivos pode empobrecer as relações sociais e mentais. Ela defende a necessidade de regulamentação e responsabilidade das plataformas de inteligência artificial diante do aumento dessa demanda social.

Além disso, a OpenAI introduziu novos mecanismos para alertar usuários sobre conversas que podem se tornar preocupantes. No entanto, se uma interação se estender sem o uso de palavras-chave, a IA não ativa mensagens de prevenção ou fornece informações de emergência.

A crescente discussão em torno do uso de inteligência artificial para a saúde mental evidencia a necessidade urgente de abordar suas implicações éticas e a importância de um suporte profissional adequado.

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