O Ministério da Fazenda revisou sua previsão de inflação para 2023, elevando a projeção de 3,7% para 4,5%, atingindo assim o teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). A nova estimativa, apresentada no Boletim Macrofiscal desta segunda-feira (18), é reflexo da alta nos preços do petróleo em meio às tensões no Oriente Médio. O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) permanece estimado em 2,3% para este ano e 2,6% para 2027.
Revisão da Inflação
Conforme a análise da equipe econômica, a inflação é influenciada principalmente pelo aumento do preço do petróleo, que já ultrapassou os US$ 110 por barril. A Secretaria de Política Econômica destacou que o conflito no Oriente Médio tem um impacto significativo nos preços.
Apesar da pressão inflacionária, o governo acredita que a valorização do real e ações para limitar o repasse dos preços dos combustíveis ao consumidor poderão moderar parte desse impacto. O documento ressalta que parte do choque nos preços será equacionada por essas medidas.
Com a atualização, a previsão oficial se posiciona no teto do sistema de metas de inflação, que estabelece um centro de 3% e um intervalo de tolerância de 1,5% a 4,5%. Para 2027, a previsão de inflação também foi ajustada para 3,5%.
Projeção do PIB
Apesar do cenário inflacionário mais desafiador, a projeção de crescimento econômico do Ministério da Fazenda foi mantida em 2,3% para 2023. A expectativa para 2027 também foi mantida em 2,6%, de acordo com a análise da equipe econômica.
O governo prevê que a atividade econômica deve desacelerar nos próximos trimestres em razão da política monetária mais restritiva, mas com uma recuperação gradual esperada para o final do ano. O primeiro trimestre teve a projeção preservada, com mudanças na contribuição entre setores.
Expectativas do Mercado
As projeções do governo diferem das expectativas do mercado financeiro. O boletim Focus, uma pesquisa semanal do Banco Central, indica uma inflação de 4,92% para este ano e um crescimento de 1,85% no PIB. A equipe econômica reconhece os riscos internacionais, mas destaca a resiliência do mercado de trabalho brasileiro como um fator positivo.
Arrecadação em Alta
A alta nos preços do petróleo também poderá aumentar a arrecadação do governo federal. Segundo dados da Secretaria de Política Econômica, esse aumento pode resultar em um incremento de aproximadamente R$ 8,5 bilhões por mês na arrecadação, considerando tributos relacionados ao setor petrolífero.
Essa melhora na arrecadação é considerada essencial para viabilizar uma resposta fiscal consistente e responsável, integrando-se à política monetária e ao compromisso com a consolidação orçamentária em andamento.
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