O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, afirmou nesta terça-feira (13) que a ilha não está à venda e que não será governada pelos Estados Unidos. A declaração ocorre em meio a recentes demonstrações de interesse do presidente norte-americano, Donald Trump, em anexar o território.
Posicionamento do Governo Groenlandês
Durante uma coletiva de imprensa, Nielsen enfatizou que a Groenlândia optou pela Dinamarca ao invés dos Estados Unidos. Ele reiterou a posição do governo local de que a ilha não deseja ser propriedade ou parte dos EUA.
“Uma coisa precisa ficar clara para todos: a Groenlândia não quer ser propriedade dos EUA; a Groenlândia não será governada pelos EUA; a Groenlândia não quer fazer parte dos EUA”, ressaltou Nielsen.
Contexto Geopolítico
- A Groenlândia possui direito à autodeterminação e pode decidir sobre sua independência por meio de referendo. No entanto, a política externa e a defesa do território são responsabilidade da Dinamarca.
- A região é estratégica para os EUA devido à sua localização no Ártico, à presença de uma base militar norte-americana voltada para a defesa antimísseis e ao potencial econômico, que inclui reservas de minerais e possíveis jazidas de petróleo e gás.
- Como parte da Dinamarca, a Groenlândia é membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), junto com os Estados Unidos.
- A possibilidade de um membro da Otan atacar outro aliado gera pressão institucional inédita, já que a aliança se baseia na defesa coletiva.
Nielsen afirmou que a Groenlândia optou pela Dinamarca, pela Otan e pelo Reino Unido, reafirmando sua identidade dentro do Reino da Dinamarca.
“Escolhemos a Groenlândia que conhecemos hoje, que faz parte do Reino da Dinamarca”,
disse o primeiro-ministro.
Ele pediu unidade em vez de divisões internas e destacou a importância de construir uma comunidade que sabe o que quer.
Ameaças à Segurança na Região
As tensões aumentaram após as ameaças de Trump em relação à Groenlândia, em um contexto onde o presidente norte-americano tem demonstrado interesse em expandir a influência dos EUA na região. Essas ameaças colocam a Otan sob pressão para garantir a segurança da Groenlândia, controlada pela Dinamarca.
A Otan, fundamentada no princípio da defesa coletiva, considera um ataque a um de seus membros como uma agressão contra todos. Essas ameaças levaram autoridades britânicas a se reunirem com aliados, como Alemanha e França, para discutir uma possível missão de segurança na ilha.
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