O governador Carlos Massa Ratinho Junior esteve nesta quarta-feira (4) em Maringá, no Noroeste do Paraná, para avaliar os danos provocados pelo tornado que atingiu o município na madrugada de segunda-feira (2). Desde a ocorrência, o Governo do Paraná, por meio da Defesa Civil e das forças de segurança, atua em apoio à prefeitura e à população para restabelecer serviços públicos e auxiliar na recuperação da cidade.
Durante a visita, Ratinho Junior afirmou que o Paraná deve enfrentar um período prolongado de instabilidade climática. “O El Niño será longo e, possivelmente, teremos esse cenário até março, de acordo com o Simepar. O caso de Maringá é um exemplo. Outubro já foi um mês muito difícil em todo o Estado, porque tivemos 139 cidades atingidas por fortes chuvas, granizo e ventos fortes”, destacou.
“Estamos preparados para enfrentar esse momento, tanto a Defesa Civil do Estado quanto o Corpo de Bombeiros, em conjunto com as Defesas Civis dos municípios, para amenizar esses problemas”, acrescentou o governador.
Ratinho Junior também disponibilizou o Fundo Estadual para Calamidades Públicas (Fecap) para atender os municípios. O fundo conta com recursos para situações emergenciais, como a registrada em Maringá.
“Para além daquilo que já foi disponibilizado à prefeitura, temos o Fecap, o único fundo desse tipo no Brasil destinado a dar uma pronta resposta quando ocorre esse tipo de catástrofe, sem contar as questões sociais, como a distribuição de telhas e lonas, e do trabalho que está sendo feito pela Copel e pelas equipes da prefeitura na retirada de árvores”, explicou.
A Prefeitura de Maringá prepara os laudos necessários para publicar o decreto de situação de emergência. A medida permite agilizar a contratação de maquinários para atender os danos provocados pelo tornado.
“Definimos, com a equipe do Governo do Estado, a forma como vamos publicar o decreto de emergência, para que possamos ter acesso imediato aos recursos associados a esse tipo de catástrofe”, comentou o prefeito de Maringá, Silvio Barros.
A Defesa Civil Estadual atua desde as primeiras horas após o tornado para auxiliar Maringá e os demais municípios afetados pelas fortes chuvas do feriado, segundo o coordenador estadual, coronel Fernando Schunig.
“Atendemos mais de 25 municípios em decorrência dos fortes ventos, das chuvas e do granizo que ocorreram na região, tudo de forma rápida, com o fornecimento de materiais iniciais de ajuda humanitária, como lonas, kits de higiene e materiais de limpeza”, ressaltou.
O próximo passo será a publicação do decreto municipal, que depois deverá ser homologado pelo Governo do Estado. “Em um segundo momento, esse processo segue para a homologação do governador e, a partir disso, conseguimos disponibilizar os recursos financeiros do Governo do Paraná para atender ao município, entre eles o Fecap”, acrescentou o coronel.
“O objetivo é apoiar o governo municipal da forma mais rápida possível, com a estrutura robusta que a Defesa Civil do Paraná tem para enfrentar esses desastres”, afirmou Schunig.
Durante a agenda em Maringá, o governador também anunciou R$ 175 milhões em linhas de crédito para apoiar empresas atingidas pelos temporais no Paraná. O valor reúne R$ 100 milhões do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), com juros subsidiados pelo Governo do Estado, e R$ 75 milhões da Fomento Paraná, com condições especiais de financiamento, incluindo modalidades com juros zero.
O tornado, confirmado pelo Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), foi classificado como categoria F2 e deixou um rastro de destruição em diversas regiões de Maringá. De acordo com a escala Fujita, que classifica a intensidade dos fenômenos com base nos danos provocados e na estimativa da velocidade dos ventos, o município pode ter registrado rajadas entre 180 km/h e 250 km/h.
O fenômeno derrubou centenas de árvores, danificou imóveis e estruturas e provocou interrupções no fornecimento de energia elétrica. O levantamento completo dos prejuízos ainda está em andamento.
Equipes da Companhia Paranaense de Energia (Copel) continuam trabalhando para restabelecer a energia. Cerca de 54 mil unidades consumidoras já tiveram o fornecimento normalizado, o equivalente a 62% dos clientes afetados. Outras 34 mil unidades permanecem sem luz. Quase mil profissionais estão mobilizados para recuperar a rede danificada pelo tornado, e a previsão é que 100% da rede de Maringá seja restabelecida até sexta-feira.
Segundo a Copel, 275 postes foram quebrados, dos quais 169 já foram substituídos. Também foram danificados oito quilômetros de rede elétrica, e seis transformadores precisam ser trocados.
Entre as prioridades de atendimento estão hospitais, unidades básicas de saúde, pessoas que dependem de equipamentos elétricos para sobreviver e condomínios verticais, além de outros serviços essenciais.
Logo após o tornado, o Governo do Estado mobilizou equipes da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros Militar do Paraná (CBMPR) para auxiliar o município. A operação recebeu reforço de militares de Cascavel, Londrina, Ponta Grossa e Curitiba, que se juntaram aos profissionais locais e regionais nos trabalhos de corte e poda de árvores e desobstrução de vias.
Efetivos da Polícia Militar do Paraná (PMPR) de municípios vizinhos a Maringá também atuam para garantir a segurança nas regiões onde falta energia elétrica.
Até esta quarta-feira (4), 862 árvores haviam sido contabilizadas entre as ocorrências. Desse total, 450 já tinham sido retiradas, enquanto cerca de 400 ainda aguardavam remoção, exigindo a continuidade do trabalho das equipes.
Outros municípios afetados
O temporal em Maringá faz parte de uma sequência de eventos climáticos severos que atingiram diferentes regiões do Paraná. Conforme o boletim da Defesa Civil Estadual divulgado na manhã desta quarta-feira (04), 38 municípios registraram ocorrências desde domingo (1º), envolvendo vendavais, granizo, enxurradas, alagamentos e inundações.
Além de Maringá, Guaíra, na região Oeste, e Marquinho, no Centro-Sul, registraram grandes prejuízos. Em Guaíra, 2.007 pessoas foram afetadas. Em Marquinho, o número chegou a 1.080.
Em Marquinho, o decreto de Situação de Emergência já foi homologado pelo Governo do Estado, permitindo o acesso a recursos estaduais e à ajuda humanitária, mediante solicitação formal da prefeitura.
A mobilização das equipes estaduais após os temporais é resultado de um trabalho permanente de preparação e integração entre os órgãos públicos. O Paraná estruturou um fluxo de atendimento para organizar a resposta a desastres naturais, com a ativação dos Gabinetes de Gestão Integrada (GGIs) nos municípios que precisam da atuação conjunta de diferentes instituições. Em Maringá, o gabinete está instalado na sede do Corpo de Bombeiros.
Os gabinetes reúnem representantes de órgãos estaduais e municipais para centralizar informações, identificar as necessidades mais urgentes e coordenar as ações de atendimento. A estrutura permite direcionar equipes e equipamentos, organizar prioridades e agilizar as providências necessárias em cada localidade.
Previsão de chuva
Segundo o Simepar, a chuva deve continuar nos próximos dias em Maringá, com tempo instável até domingo (8). Nesta quarta, quinta e sexta-feira, há possibilidade de queda de granizo e rajadas de vento de até 70 km/h.
A previsão indica sensação de abafamento, variação de nuvens e presença de sol em alguns momentos. Os termômetros devem chegar a 30ºC.
Em Marquinho, cidade do Centro-Sul atingida por fortes chuvas, os índices de instabilidade aumentam nesta quarta-feira na região, favorecendo a ocorrência de tempestades. Também há possibilidade de queda de granizo, rajadas de vento acima de 70 km/h e descargas atmosféricas. A chuva deve continuar nos próximos dias.
Com informações da Agência Estadual de Notícias do Paraná.
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