O governo brasileiro manifestou preocupação em relação às recentes manifestações no Irã, que se intensificaram em resposta ao aumento do custo de vida no país. As manifestações, que começaram em 28 de dezembro, se voltaram contra o regime clerical no poder desde a Revolução Islâmica de 1979. O rial, moeda iraniana, perdeu quase 50% de seu valor em relação ao dólar, enquanto a inflação atingiu 42,5% em dezembro de 2025, em meio a sanções dos Estados Unidos e ameaças de ataques israelenses.
As autoridades iranianas têm respondido aos protestos com repressão severa, resultando em pelo menos 600 mortes, segundo ONGs. O Ministério das Relações Exteriores do Brasil lamentou as perdas e reiterou o direito dos iranianos de decidirem sobre o futuro do seu país.
“Ao sublinhar que cabe apenas aos iranianos decidir, de maneira soberana, sobre o futuro de seu país, o Brasil insta todos os atores a se engajarem em diálogo pacífico, substantivo e construtivo”, diz a nota do ministério.
Atualização sobre cidadãos brasileiros
O governo brasileiro confirmou que, até o momento, não há registros de brasileiros entre os mortos e feridos nas manifestações. A embaixada em Teerã permanece em contato com a comunidade brasileira no Irã, oferecendo assistência.
Contexto dos protestos no Irã
As autoridades iranianas acusam os Estados Unidos e Israel de instigarem os protestos e ameaçaram retaliar atacando bases norte-americanas. O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou que manifestações pacíficas são toleradas, mas classificou os recentes distúrbios como ações de “terroristas do estrangeiro.” Esta narrativa é usada para justificar possíveis intervenções estrangeiras.
Por sua vez, o ex-presidente dos EUA, Donald Trump, tem ameaçado intervir militarmente no Irã e anunciou a imposição de uma tarifa de 25% sobre qualquer país que tenha relações comerciais com a República Islâmica. Essa medida poderá afetar o comércio brasileiro, especialmente no agronegócio, que é o principal beneficiário das relações comerciais com Teerã.
Em 2025, o Brasil registrou um comércio de quase US$ 3 bilhões com o Irã, este último representando apenas 0,84% das exportações brasileiras.
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