A segunda edição da Feira de Cultura Científica Paraná Faz Ciência (FECCI 2026) começa nesta quarta-feira (4) e segue até sexta-feira (6), no Campus Neoville da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), em Curitiba. A entrada é gratuita e aberta ao público.
A feira recebeu 1.192 inscrições e selecionou 688 trabalhos para apresentação. A maior parte das pesquisas foi desenvolvida por estudantes que participam dos Clubes de Ciências vinculados à rede Paraná Faz Ciência, iniciativa voltada ao incentivo da investigação científica e tecnológica nas escolas da Educação Básica.
O Paraná conta atualmente com 421 Clubes de Ciências vinculados à rede estadual. Há iniciativas voltadas à ciência, à cultura maker — conceito de faça você mesmo —, à sustentabilidade e ao protagonismo feminino. Nesses espaços, crianças e adolescentes desenvolvem projetos, testam ideias e investigam questões relacionadas à realidade em que vivem.
Para o secretário estadual da Educação, Roni Miranda, a feira fortalece o protagonismo estudantil e evidencia a contribuição da ciência para a formação dos jovens. “Quando incentivamos nossos estudantes a investigar, experimentar e apresentar suas descobertas, ampliamos as possibilidades de aprendizagem e mostramos que eles também podem contribuir para transformar a realidade ao seu redor. Iniciativas como a FECCI valorizam o trabalho realizado nas escolas, aproximam a ciência da comunidade e ajudam a preparar nossos jovens para os desafios do futuro”, afirma o secretário.
Os 688 trabalhos selecionados estão divididos em três categorias, de acordo com a etapa de ensino dos participantes: Kids, Júnior e Jovem. A organização reúne projetos desenvolvidos desde os primeiros anos do Ensino Fundamental até etapas mais avançadas da formação escolar.
A categoria Kids, destinada a estudantes do 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental, reúne 74 projetos de 44 escolas paranaenses. Na categoria Júnior, voltada aos alunos do 6º ao 9º ano, foram selecionados 289 trabalhos. Desse total, 93% são de escolas públicas do Paraná, além de projetos de redes privadas e uma iniciativa de Santa Catarina.
A categoria Jovem, destinada a alunos do Ensino Médio, da Educação Profissional e da Educação de Jovens e Adultos (EJA), conta com 324 projetos. Eles foram desenvolvidos em 166 escolas de 78 municípios paranaenses. A distribuição corresponde a uma média próxima de dois trabalhos selecionados por escola.
Durante os três dias, os estudantes poderão apresentar suas pesquisas, conhecer outros projetos e trocar experiências com participantes de diferentes localidades do Estado. A programação também favorece o desenvolvimento de habilidades como comunicação, criatividade, pensamento crítico, autonomia e trabalho em equipe.
A avaliação dos trabalhos será feita por 162 avaliadores, entre professores do Ensino Superior, pós-graduandos e profissionais da área de divulgação científica. Eles analisarão os projetos e definirão os primeiros colocados, que receberão prêmios exclusivos.
Os Clubes de Ciências são vinculados à rede NAPI (Novos Arranjos de Pesquisa e Inovação) Paraná Faz Ciência e promovem espaços colaborativos de investigação científica e tecnológica nas escolas da Educação Básica da rede estadual. A feira reúne e compartilha trabalhos desenvolvidos ao longo do ano por estudantes e professores.
Segundo a articuladora do NAPI Paraná Faz Ciência e professora da Universidade Estadual de Maringá (UEM), Débora de Mello Sant’Anna, “A FECCI é uma culminância, um momento que representa o esforço do ano todo de alunos e professores, que fazem da feira de ciências uma vitrine para novas ideias”. Ela afirma que a iniciativa também contribui para despertar vocações e preparar futuros pesquisadores. “Eles já estão no futuro. Estão produzindo e formando a nova geração de cientistas paranaenses que, daqui a pouco, estarão na Academia buscando soluções para problemas locais e regionais”.
Para o diretor de Ciência e Tecnologia da Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti), Marcos Aurélio Pelegrina, o fortalecimento da cultura científica desde as salas de aula é estratégico para o desenvolvimento socioeconômico regional. “A democratização e a divulgação do conhecimento desempenham um papel fundamental ao aproximar a sociedade do ecossistema de pesquisa, transformando a curiosidade natural dos estudantes em inovação real e despertando as vocações que vão liderar o avanço científico do nosso Estado”, destaca o gestor.
O presidente da Fundação Araucária, Ramiro Wahrhaftig, considera a disseminação da cultura científica estratégica para o desenvolvimento socioeconômico do Paraná e do Brasil. Segundo ele, o Estado consolidou um ecossistema de Ciência e Tecnologia composto por cerca de 400 programas de pós-graduação stricto sensu, sendo metade deles em nível de doutorado. Para garantir a continuidade desse ecossistema nas próximas décadas, ele ressalta a importância de despertar vocações científicas desde a Educação Básica.
“O Paraná dispõe de uma estrutura científica e tecnológica sólida para os padrões brasileiros, mas sua sustentabilidade a longo prazo depende de engajar as novas gerações. Precisamos incentivar os estudantes desde a base escolar a ingressarem e permanecerem na carreira científica e acadêmica, formando pesquisadores de alto impacto que impulsionem o progresso regional e nacional. Nesse contexto, iniciativas como a FECCI desempenham um papel essencial ao conectar e fortalecer os clubes de ciências escolares, demonstrando na prática as oportunidades transformadoras da pesquisa.”
A FECCI tem fomento da Fundação Araucária e apoio da Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná (Seti), da Secretaria de Estado da Educação do Paraná (Seed-PR), do Sesc Paraná, da Prefeitura de Curitiba, da 9ª Região Fiscal da Receita Federal (Paraná e Santa Catarina), da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) e do programa Pop Ciência, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), do Governo Federal.
Além da apresentação dos trabalhos científicos, a FECCI 2026 terá atrações culturais, oficinas e atividades interativas abertas aos participantes e visitantes.
Na quarta-feira (4), a programação terá apresentação musical da Camerata UTFPR, às 14h, e o espetáculo do Mágico Biológico, com Giovani Miranda, às 15h.
Na quinta-feira (5), estão previstas a apresentação da Banda Lyra Curitibana, às 10h; o show da Deusa Cientista, alter ego de Kananda Eller, às 14h; e o lançamento de publicações da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência, às 16h.
Na sexta-feira (6), último dia do evento, será apresentada a peça teatral “Pingo: uma gotinha rumo ao mar”, às 10h. A cerimônia de encerramento e a premiação dos trabalhos estão previstas para as 14h, com término às 16h.
Durante os três dias, o público também poderá conhecer parte do acervo do Museu Tecnológico da UTFPR (MUTEC) e participar das atividades interativas da Arena Robótica Sesc.
FECCI 2026 – Feira de Cultura Científica Paraná Faz Ciência
Data: 4 a 6 de novembro de 2026
Local: Campus Neoville da UTFPR
Endereço: Rua Pedro Gusso, 2.601, Neoville, Cidade Industrial de Curitiba (CIC).
Com informações da Agência Estadual de Notícias do Paraná.
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