A Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda revisou sua projeção de inflação para 2023, diminuindo a estimativa de 4,9% para 4,8% pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Essa atualização foi divulgada no Boletim Macrofiscal nesta quinta-feira (11).
Contexto da Redução da Inflação
Segundo a SPE, a queda na projeção da inflação é influenciada por um excesso de oferta de bens no mercado global, decorrente do aumento das tarifas comerciais, especialmente o tarifário imposto pelos Estados Unidos. O boletim também ressalta a redução da inflação no atacado agropecuário e industrial, além dos efeitos da valorização do real, como fatores que contribuíram para essa revisão. Vale destacar que a estimativa considera a bandeira amarela para as tarifas de energia elétrica em dezembro.
Metas de Inflação
Apesar da redução na previsão, o IPCA ainda deve se manter acima do teto da meta de inflação para 2023, que foi estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) em 3%. Essa meta permite uma variação de 1,5 ponto percentual, com limites de 1,5% a 4,5%.
Projeções para 2026 e 2027
Para 2026, a inflação medida pelo IPCA deve se estabilizar em 3,6%, com expectativa de convergência em direção ao centro da meta a partir de 2027.
Índices de Preço
Em relação a outros índices de inflação, a SPE manteve a projeção do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) em 4,7%, mesmo número da previsão anterior. Já o Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI), que abrange setores atacadista, construção civil e consumidor final, teve sua previsão reduzida de 4,6% para 2,6% em 2023, apresentando-se mais suscetível a variações do dólar.
Revisão do PIB
A estimativa de crescimento da economia brasileira foi igualmente ajustada para baixo, passando de 2,5% para 2,3%. O boletim destaca que essa revisão foi motivada por um desempenho abaixo do esperado do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre de 2023, com impactos diretos na política monetária e no crédito.
“Esse quadro de desaquecimento da atividade econômica está associado à política monetária restritiva, levando à desaceleração do crédito. A taxa de juros básica encontra-se em 15% ao ano, resultando em uma queda na expansão interanual das concessões reais de crédito, que passou de 10,5% no trimestre encerrado em dezembro de 2024 para 2,4% no trimestre encerrado em julho”, informa o boletim.
Avaliação do Crescimento Econômico
A atividade econômica desacelerou significativamente no segundo trimestre, com a taxa de crescimento caindo de 1,3% no primeiro trimestre para 0,4% no segundo. Esta queda é atribuída à diminuição da produção na indústria de transformação e construção, além da redução nos serviços da administração pública.
O consumo das famílias também apresentou desaceleração, juntamente com um recuo no consumo do governo e no investimento. Com essas alterações, a previsão de crescimento do PIB da indústria foi ajustada de 2% para 1,4%, enquanto a projeção para o PIB de serviços permanece em 2,1%. O PIB agropecuário, por sua vez, teve sua previsão elevada de 7,8% para 8,3%, impulsionado pela expectativa de maior produção de milho, algodão e abate de bovinos, considerando ainda os impactos das tarifas adicionais impostas pelos EUA e as estratégias do Plano Brasil Soberano.
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