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Estoques de Alimentos da ONU no Haiti Se Esgotarão Até o Fim de Julho

O Programa Mundial de Alimentos (WFP) alertou sobre a crítica situação humanitária no Haiti, onde os estoques de alimentos da agência devem se esgotar até o final do próximo mês. O país enfrenta uma das piores crises de fome do mundo, junto a outros locais como os Territórios Palestinos, Sudão, Sudão do Sul e Mali, o que é agravado pela iminente temporada de furacões.

Corte de Verbas Preocupa

Em entrevista à ONU News, a diretora regional do WFP para América Latina e Caribe, Lola Castro, destacou que a quantidade de alimentos disponível deveria ser suficiente para atender 500 mil haitianos. No entanto, a redução de recursos financeiros compromete essa previsão. “Este ano, a situação está crítica. Não temos estoques alimentares adequados e, em caso de um furacão ou outro desastre natural, a capacidade de resposta será seriamente afetada”, alertou Castro, mencionando que os números de pessoas em insegurança alimentar já são alarmantes.

Crise de Insegurança e Deslocamento

Atualmente, mais de 1,3 milhão de haitianos estão deslocados devido à violência de gangues e conflitos. Em Porto Príncipe, a capital, 85% do território é dominado por facções armadas, estendendo-se a áreas vizinhas como Artibonite e Centre. Essa emergência já foi discutida em reuniões do Conselho de Segurança da ONU.

Os impactos do deslocamento são significativos: aproximadamente 83% dos refugiados estão abrigados em casas de familiares, sobrecarregando comunidades, especialmente em áreas rurais. Para promover uma solução duradoura, Lola Castro enfatizou a necessidade de uma abordagem política para mitigar o sofrimento da população haitiana.

Eleições Previstas para 2026

“É fundamental encontrarmos uma solução conjunta. A previsão é de que até o final do ano haja um referendo constitucional, seguido por eleições presidenciais no próximo ano. Contudo, a instabilidade política levanta preocupações sobre possíveis atrasos no calendário eleitoral”, afirmou Castro, que também ressaltou o trabalho em conjunto das agências da ONU com o governo para garantir a realização desses eventos.

Atualmente, 5,7 milhões de haitianos enfrentam insegurança alimentar, cifra que representa metade da população do país. Durante a crise, os desafios aumentam para a população e as agências humanitárias, que tentam mitigar os efeitos da emergência.

Apelo Humanitário

Castro descreveu a situação no Haiti como catastrófica, reiterando que as agências da ONU continuam a apoiar aqueles em necessidade. O WFP informou que menos de 10% do apelo de emergência foi atendido pelos doadores, o que levou à redução das rações destinadas a milhões de haitianos. “Com o corte de verbas, estamos diante de um cenário de intenso desespero e tensão”, concluiu.

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