Diagnóstico precoce pode evitar sequelas mais graves causadas pela “doença do beijo”

No início de dezembro, durante o lançamento do documentário Eu, de Ludmila Dayer, que trata a relação da atriz com a luta contra a esclerose múltipla, a cantora Anitta revelou que foi diagnosticada com o vírus Epstein-Barr, conhecido como causador da “doença do beijo”.

A cantora recebeu há alguns meses o diagnóstico e decidiu tornar o assunto público para conscientizar mais pessoas sobre o problema. Epstein–Barr é um vírus da família do herpes, cuja infecção ocorre por meio da transferência oral pela saliva – normalmente, no beijo, mas também pelo contato com objetos contaminados usados pela pessoa portadora do vírus ou pela transfusão de sangue. 

Ele invade as células do nariz e da garganta, causando uma doença que afeta os glóbulos brancos (células da defesa do organismo). Os principais sintomas da infecção são dor de garganta e de cabeça, tosse, inchaço nos gânglios e perda de apetite. Também pode haver fadiga, inflamação do fígado e hipertrofia do baço. Os primeiros sintomas podem se manifestar em torno de 45 dias após o contato com o vírus. 

A maior predominância do Epstein–Barr ocorre em crianças mas quando se manifesta durante a adolescência ou na juventude, entre 15 e 30 anos, provoca a doença – mononucleose.

Vírus pode desencadear esclerose múltipla e outras doenças autoimunes 

O mais preocupante, é que o vírus também pode desencadear outras doenças e a esclerose múltipla é uma delas. Outras doenças autoimunes como Lúpus eritematoso, artrite reumatóide, diabetes e até mesmo determinadas formas de câncer, como o Linfoma de Hodgkin, Linfoma de Burkitt e o carcinoma da nasofaringe, por exemplo, também podem ser desencadeadas ou avançar pelo estímulo do vírus no organismo. 

No lançamento do documentário, a atriz Ludmila Dayer explicou que o vírus Epstein-Barr foi o responsável pelo desenvolvimento da esclerose múltipla com a qual ela vem lidando há alguns anos. A doença crônica, em que o sistema imunológico agride a bainha de mielina que recobre os neurônios, comprometendo a função do sistema nervoso. 

A relação entre o vírus e a esclerose é estudada há anos pelos cientistas. “A evidência ainda é escassa. E não dá pra dizer que esse vírus necessariamente causou ou causa a esclerose múltipla”, esclareceu o infectologista André Bon ao jornal Diário de Pernambuco. 

Segundo o Ministério da Saúde, a infecção viral por EBV e a esclerose múltipla não possuem relação direta. A mononucleose aumenta o risco de EM em pacientes que já têm predisposição a doenças autoimunes e que a associação entre mononucleose aumenta o estigma de pessoas diagnosticadas com EM por ser uma doença não contagiosa.

Entretanto, em janeiro deste ano, um estudo feito por cientistas da Universidade Harvard forneceu uma evidência mais forte sobre essa relação até o momento. A pesquisa foi feita com mais de 10 milhões de militares e mostrou que praticamente todos os casos de esclerose aconteceram após uma infecção pelo vírus, o que torna a infecção pelo Epstein-Barr uma das hipóteses estudadas.

Diagnóstico precoce pode evitar sequelas 

O diagnóstico da infecção por EBV pode ser feito a partir de exames clínicos e moleculares, como o realizado no laboratório ID8 – Inovação em Diagnóstico, focado no diagnóstico molecular. O laboratório realiza os testes e entrega os resultados, com bastante precisão, em poucas horas após o recebimento da amostra.

De acordo com Lisandra Maba, doutora em Genética e responsável pela Assessoria Científica do ID8, pelos sintomas serem normalmente comuns, o diagnóstico precoce é uma das formas de auxiliar no tratamento e, com isso, evitar possíveis sequelas. “Como vários sintomas dessa patologia são comuns em outras infecções, o diagnóstico laboratorial assertivo é de extrema importância. Existe um elevado número de pessoas que só descobrem a doença quando se torna crônica ou quando há complicações decorrentes do vírus. Ainda, alguns dados da literatura relacionam o EBV a um possível potencial oncogênico, já tendo sido relacionado a casos de Linfoma de Hodgkin”, explica. 

O exame que o ID8 oferece para detectar a doença é o Vírus Epstein-Barr (EBV – detecção e quantificação). É coletada uma amostra de sangue e não há necessidade de nenhum preparo e jejum por parte do paciente. Em até 24 horas, o resultado está em mãos. 

Depois que a pessoa é infectada pelo Epstein-Barr, ela passa a ser portadora dele por toda a vida. A doença não tem cura. Passada a infecção, o vírus se torna latente no corpo do paciente, podendo ser reativado em alguns casos, especialmente, quando a imunidade diminui. Se houver qualquer tipo de sintomas mais graves, procure um médico de sua confiança ou o pronto-atendimento e realize os exames necessários para detectar a doença ainda no início. 

Sobre o ID8 

O ID8 é um laboratório de apoio focado no diagnóstico molecular com entrega rápida, oferecendo resultados em poucas horas após o recebimento da amostra, com um fluxo de trabalho operacional de sete dias da semana. Os serviços vão além do diagnóstico. Metodologias simples e ágeis que reduzem consideravelmente o tempo de entrega do resultado, possibilitando ao paciente a chance de um tratamento mais assertivo e direcionado. Saiba mais em: www.id8diagnostico.com.br.

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Medicina integrativa pode evitar 80% de doenças relacionadas ao envelhecimento

80% das doenças atreladas ao processo de envelhecimento são completamente evitáveis com o apoio da medicina funcional e integrativa. Segundo um estudo da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, o estilo de vida e o ambiente são decisivos para uma pessoa viver mais de 65 anos. Por isso, hospitais públicos e privados têm dado novos passos na direção de tratamentos que olhem para além da doença do paciente. “A saúde precisa começar por dentro e levar em consideração todos os aspectos que formam o ser humano. É nesse ponto que entra a medicina integrativa, como um elo para guiar a promoção de saúde e qualidade de vida”, afirma a clínica-geral dos hospitais Universitário Cajuru e Marcelino Champagnat, Larissa Hermann.

A medicina integrativa reafirma a importância da relação entre médico e paciente. Para a Organização Mundial da Saúde (OMS), o foco precisa estar no indivíduo e ultrapassar a dualidade saúde-doença. Ao estar embasado em evidências científicas e fazer uso de múltiplas abordagens, o médico observa diferentes ângulos do paciente: mental, emocional, funcional, espiritual, social e, até mesmo, comunitário. Isso não quer dizer que não sejam mantidos tratamentos tradicionais ou medicamentosos, mas, sim, que a adição de novas abordagens pode trazer benefícios reais para cada pessoa. “O objetivo é somar esforços com outras áreas, acompanhando o paciente como referência para a avaliação inicial e coordenação do cuidado”, explica a clínica-geral dos hospitais de Curitiba (PR).

A adesão a essa prática tem ajudado a reduzir o uso de analgésicos, anti-inflamatórios e encaminhamentos para exames de alta complexidade, que estão entre os maiores gastos do país com a saúde. É o que verificou uma pesquisa realizada pelo Observatório Nacional de Saberes e Práticas Tradicionais, Integrativas e Complementares em Saúde (ObservaPICS), já que o cuidado integral permite um diagnóstico mais preciso para pacientes que chegam às unidades de saúde. No Brasil, a oferta de tratamentos complementares acontece no Sistema Único de Saúde (SUS) desde 2006 e, atualmente, conta com mais de 28 modalidades na rede pública, por meio da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PNPIC). O destaque está para tratamentos relacionados à oncologia, cardiologia e pediatria.

Centro do cuidado

A característica principal da medicina integrativa é pensar no indivíduo integralmente e dar valor para a promoção da saúde, mesmo que a pessoa não esteja doente. Segundo a clínica-geral Larissa Hermann, é cada vez mais evidente a necessidade de se discutir novas formas de lidar com o cuidado. “As pessoas esperam ser olhadas e tratadas como um todo, e não somente em partes, como se estivessem fazendo a revisão das peças do carro num mecânico, por exemplo. Elas querem e devem ser observadas na totalidade: corpo, mente e alma”, enfatiza.

“A medicina integrativa não substitui a medicina tradicional, mas ela é uma grande aliada para tratar não só a doença como o indivíduo”, assegura Larissa Hermann. É exatamente isso que a abordagem procura resgatar por meio de valores importantes como: integralidade, preservação da saúde e autocuidado. “É importante que esse tipo de cuidado esteja dentro dos hospitais. Mas antes disso, deve estar presente na vida das pessoas. Porque a promoção da saúde não pode acontecer apenas no consultório médico, precisa estar no dia a dia”, reforça.

O futuro da medicina vai além da tecnologia e do ato de curar. Cada vez mais, o médico assume o importante papel de tratar as raízes dos problemas e evitar o surgimento de outras doenças. “A medicina integrativa precisa ser preventiva, colocando o paciente como protagonista do cuidado com a saúde. O foco no equilíbrio metabólico e nos pilares do ser humano gera um envelhecimento saudável e com qualidade”, conclui.

São Paulo sanciona lei que prevê distribuição gratuita de remédios com cannabis no SUS

O estado de São Paulo sancionou na noite da última terça-feira, dia 31 de janeiro, a distribuição gratuita de cannabis medicinal através do Sistema Único de Saúde (SUS). O texto, homologado pelo governador Tarcísio Gomes de Freitas, faz parte do Projeto de Lei 1.180/2019, de autoria do deputado Caio França, que já havia sido aprovado pela Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) em dezembro do ano passado.

Segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Cannabis (ABICANN), a cannabis medicinal pode impactar tratamentos e pesquisas clínicas em dezenas de especialidades médicas e beneficiar milhares de pessoas. Em São Paulo, o número de pacientes autorizados pela Anvisa a importar produtos de cannabis já ultrapassa 40 mil pessoas. Entretanto, o alto preço dessas fórmulas limita o acesso de muitos pacientes.

“São Paulo vai ter uma política pública dedicada e esse medicamento. É uma grande vitória”, comemora o governador. “O que não queremos é que ocorra o mesmo [que houve] em outros estados, em que a lei foi sancionada, mas não está viva. Estamos convictos de que estamos fazendo a coisa certa”, complementa.

Agora, cabe à Secretaria de Saúde a regulamentação da lei. A legislação prevê que, após a sanção, o prazo para a lei entrar em vigor é de 30 dias, e define que os medicamentos devem ter registro prévio na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e só serão distribuídos mediante laudo médico para doenças com Classificação Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID), como Parkinson, Alzheimer, epilepsia, autismo e doenças raras. Para ter acesso ao tratamento, o paciente deve realizar um cadastro prévio na Secretaria da Saúde do Estado.

“Sofrer com uma condição crônica e não encontrar alívio adequado, mesmo já existindo a alternativas disponíveis no mercado, como o uso medicinal da cannabis, é um atraso para a saúde pública e a medicina nacional”, comenta Kathleen Fornari, CEO e cofundadora da Anna Medicina Endocannabinoide, startup brasileira que nasceu para desburocratizara o acesso à cannabis medicinal no país. “Com essa novidade, São Paulo estará na vanguarda brasileira, atendendo principalmente aqueles pacientes que não têm recursos para o tratamento com medicina endocanabinoide”, celebra.

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