05/12/2025 – 17:24
Riscos no Setor Nuclear em Debate
Durante audiência na Comissão Mista de Orçamento, autoridades governamentais alertaram para os riscos financeiros e operacionais das usinas nucleares Angra 1 e Angra 2 após 2030. O principal problema identificado é a falta de um depósito definitivo para rejeitos nucleares, conhecido como projeto Centena.
Implicações para a Indústria Nuclear
O deputado Carlos Zarattini (PT-SP) enfatizou que a comissão deve considerar “riscos imediatos e pouco visíveis no setor nuclear”. Esses riscos, embora de valores financeiros menores que os relacionados à Angra 3, podem impactar de maneira significativa a segurança econômica e física da sociedade se não forem tratados prontamente.
O auditor do Tribunal de Contas da União (TCU), André Carneiro, destacou a necessidade de investimentos de R$ 3 bilhões apenas para garantir a extensão da vida útil da usina de Angra 1. Ele também chamou atenção para as dificuldades financeiras enfrentadas pela Eletronuclear, que recorreu a empréstimos de curto prazo para se manter à tona.
Potencial de Insolvência da Eletronuclear
O diretor da Eletronuclear, Alexandre Caporal, expressou preocupação com o risco de insolvência da empresa. Ele revelou que as indefinições em relação à usina Angra 3, cujas obras estão paralisadas há mais de uma década, custam cerca de R$ 1 bilhão anualmente.
Situação dos Rejeitos Nucleares
André Carneiro também manifestou apreensão em relação aos rejeitos nucleares. Atualmente, os resíduos das usinas e de outras fontes estão armazenados em depósitos provisórios com capacidade limitada. O único depósito definitivo do país, reservado para os rejeitos de césio 137 do incidente em Goiânia em 1987, está longe de ser suficiente, e o projeto Centena, que era previsto para 2013, agora é esperado para 2030.
A audiência também abordou a falta de recursos para a Autoridade Nacional de Segurança Nuclear, recém-implantada e responsável pela fiscalização do setor. Recentemente, pelo menos três incidentes com rejeitos nucleares foram relatados.
Obras Públicas em Risco
No mesmo encontro, foi discutido o risco de suspensão de recursos orçamentários em 2026 para obras com indícios graves de irregularidades. A obra da BR-040, na Serra de Petrópolis, é a única até o momento que poderia enfrentar essa situação. Segundo o TCU, uma nova licitação de concessão foi realizada neste ano, porém, a comissão ainda irá analisar o caso, que foi apontado desde 2014.
Reportagem – Silvia Mugnatto
Edição – Pierre Triboli
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