Curitiba formaliza parceria internacional para implementar a economia circular

A cidade de Curitiba e a Fundação Ellen MacArthur, organização internacional sem fins lucrativos, sediada na Inglaterra, formalizaram, no início deste mês, uma parceria com o intuito de fortalecer a transição a uma economia circular na capital paranaense.

A instituição britânica apoiará a cidade no desenvolvimento de estratégias de economia circular, além de incluir Curitiba na sua rede global. Como membro dessa rede, Curitiba  passa a ter acesso a programas de capacitação aos servidores e trocas de experiência com outras cidades e empresas. Tudo isso sem gerar custos ao município. A parceria com a fundação foi encaminhada por intermédio do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc).

“Curitiba é terreno fértil para avançar num modelo sustentável e inclusivo de economia. As ações de eficiência energética, segurança alimentar, geração de emprego e renda, desenvolvimento socioambiental e de fomento à inovação, orientadas pelo prefeito Rafael Greca, credenciam nossa cidade para evoluir com vistas à qualidade de vida dos cidadãos,” afirma o presidente do Ippuc, Luiz Fernando Jamur.

Para a Fundação Ellen MacArthur, a parceria com Curitiba reforça o compromisso com um crescimento econômico de melhor qualidade e inspira outras cidades a seguirem na mesma direção.

“Com essa parceria, Curitiba se junta a um grupo de cidades pioneiras no mundo que reconhecem a importância de fazer a transição a uma economia circular, que regenera a natureza ao passo que gera inúmeras oportunidades. Reconhecemos o potencial de Curitiba em demonstrar a economia circular na prática e enxergamos essa parceria como uma inspiração para que outras cidades do Brasil e da América Latina sigam na mesma direção,” afirma Luisa Santiago, líder das operações da Fundação Ellen MacArthur na América Latina.

Economia circular

A economia circular é um modelo de soluções sistêmicas que se baseia em três princípios impulsionados pelo design: eliminar resíduos e poluição, circular produtos e materiais em seu mais alto valor e regenerar a natureza. Em uma economia circular, os modelos de negócio, produtos e materiais são projetados para aumentar o seu uso e reuso, criando assim uma economia em que não há desperdício e tudo tem valor. Fundamentada em uma transição para fontes de energia renovável e materiais renováveis, uma economia circular é distribuída, diversa e inclusiva.

Ilustração: IPPUC

Este modelo se opõe à economia atual, que é linear e baseada em extrair recursos naturais para transformá-los em produtos e alimentos e desperdiçá-los após o uso. Além de ser intenso em desperdício, o modelo econômico vigente contribui para grandes desafios mundiais da atualidade, como a poluição, as mudanças climáticas e a perda da biodiversidade. A transição para um modelo de economia circular é fundamental para resolver esses desafios.

Projeto modelo

O foco da parceria entre Curitiba e a Fundação Ellen MacArthur será a construção de uma visão e um roteiro de economia circular para a cidade que converse com os setores dos principais fluxos de materiais existentes atualmente. A Fundação também irá colaborar com o projeto de Gestão de Risco Climático do Bairro Novo do Caximba, uma iniciativa do município com financiamento da Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD).

O projeto é referência para a transição do modelo de desenvolvimento econômico voltado à sustentabilidade. Esta é a maior intervenção socioambiental da história recente de Curitiba e prevê a recuperação ambiental e urbanização, com novas moradias e suporte à emancipação econômica de uma das áreas mais carentes do extremo sul da cidade. A região também oferece a oportunidade de colocar a economia circular em prática, proporcionando uma revitalização resiliente.

Ilustração: IPPUC

Entre os agentes do município com participação ativa no convênio estão o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc), o Gabinete do Prefeito, a Procuradoria Geral do Município, a Companhia de Habitação Popular de Curitiba (Cohab), as secretarias municipais de Governo, Meio Ambiente, Defesa Social, Educação e Fundação de Ação Social, e a Agência Curitiba de Desenvolvimento, que será responsável por fomentar a economia circular como parte do movimento do Ecossistema de Inovação da cidade, alinhado aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Compromisso de Curitiba

Mesmo antes da parceria, a cidade de Curitiba já demonstrava interesse pela economia circular e apresentou suas práticas em eventos internacionais. No último mês de agosto, a Curitiba foi a única cidade brasileira a participar da Cúpula Mundial de Economia Circular, em Córdoba, Argentina, representada pelo prefeito Rafael Greca. Em julho, a capital paranaense também participou da Conferência das Cidades Circulares do G20, evento on-line promovido pela OCDE em parceria com a Green Building Council Italia, sendo representada por Cris Alessi, da Agência Curitiba.

Sobre a Fundação Ellen MacArthur

Fundada em 2010, a Fundação Ellen MacArthur é uma organização sem fins lucrativos com atuação global que tem como missão acelerar a transição a uma economia circular. A Fundação desenvolve e promove a ideia de uma economia circular para enfrentar alguns dos principais desafios da atualidade, como a poluição, as mudanças climáticas e a perda de biodiversidade.

A organização trabalha com empresas, governos, academia e instituições internacionais para mobilizar soluções sistêmicas em grande escala.

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Com a frota renovada, acidentes no transporte coletivo caíram 46%

O número de acidentes no sistema de transporte coletivo de Curitiba caiu 46% desde 2019. Segundo levantamento da Urbanização de Curitiba (Urbs), ocorreram 834 acidentes envolvendo ônibus de janeiro a setembro de 2021 entre colisões, atropelamentos e quedas de passageiros. No mesmo período de 2019 foram 1.537 acidentes.

Mesmo com a retomada do movimento nas ruas em 2021, provocada pela flexibilização das restrições sanitárias e pelo avanço da vacinação, o número de acidentes está 10% abaixo do registrado no mesmo período de 2020, quando foram apuradas 924 ocorrências de janeiro a setembro.

Em todo o transporte coletivo da capital, o número de colisões envolvendo ônibus diminuiu 43%, de 1.197 para 681, e o de atropelamentos reduziu 47%, de 90 para 47. O número de quedas de passageiros foi 51% menor, passando de 187 para 91.

Também houve diminuição de outros acidentes, como situações em que o ônibus colide com grade de terminal, atropelamento de animais e quebra de vidros devido a galhos e fios baixos. Essas ocorrências tiveram redução de 76%, de 63 para 15.

Por que?

Novas tecnologias, renovação da frota de ônibus, treinamento de motoristas e aperfeiçoamento dos serviços de manutenção dos veículos ajudam a explicar a diminuição nos acidentes, na avaliação do presidente da Urbs, Ogeny Pedro Maia Neto. 

“Curitiba avançou nos últimos anos,  com recorde de renovação de frota – foram 535 novos ônibus desde 2017. O volume representou uma renovação de 40% da frota”, disse.

Os veículos têm novas tecnologias de segurança, como a que garante a redução automática da velocidade dos biarticulados nas canaletas quando próximos a locais de grande fluxo, como shoppings, praças e escolas. Os ônibus novos também possuem pneus e sistemas de frenagem mais eficientes. 

Além disso, para maior segurança dos passageiros, os 535 ônibus possuem dispositivos para evitar a aceleração com as portas abertas e também para impedir que estas sejam abertas com o veículo em movimento.

Os ônibus articulados e biarticulados possuem câmeras exclusivamente dedicadas à orientação do motorista para o acoplamento na estação-tubo e também ao desembarque de passageiros no caso daqueles veículos com acesso por escadas, como os da linha Interbairros II.

As novas tecnologias têm ajudado a reduzir os acidentes nas canaletas dos expressos – onde circulam os biarticulados e articulados. O número de acidentes nos corredores exclusivos caiu 41%, de 384 para 225 na comparação entre janeiro e setembro de 2019 e o mesmo período de 2021.

Inspeção

Os sistemas de segurança embarcados são especificados pela equipe técnica da Urbs para os fabricantes dos ônibus. Os veículos são periodicamente inspecionados, inclusive com teste de rodagem para verificar a conformidade de seu funcionamento e assegurar que os ônibus circulem nas linhas do transporte coletivo com segurança operacional.

Para o presidente do Sindicato das Empresas de Ônibus de Curitiba (Setransp), Mauricio Gulin, a queda no número de acidentes é resultado de um conjunto de ações, com destaque também ao investimento das empresas na capacitação.

O treinamento dos motoristas tem como foco a direção defensiva, isto é, conduzir o ônibus de maneira a prevenir acidentes. Além disso, as equipes de manutenção das empresas estão em constante evolução. Em algumas garagens, o mecânico fica encarregado de cuidar sempre dos mesmos veículos. Dessa forma, ele conhece o histórico do carro, as inspeções já realizadas e suas características, explica Gulin. 

Conscientização

Apesar dos avanços, ainda há muito que se fazer, na avaliação do presidente da Urbs, principalmente em relação à maior conscientização da população para evitar condutas de risco, como o uso de canaletas dos expressos por ciclistas e pedestres.  

A circulação de pedestres e ciclistas nas canaletas é proibida. As canaletas são exclusivas para circulação do transporte coletivo e para veículos que fazem atendimentos de emergência hospitalares e de segurança pública, mas continuam sendo utilizadas por uma parcela dos ciclistas na cidade.

Agentes de trânsito e guardas municipais desenvolvem ações educativas, de forma periódica, para alertar motoristas sobre o respeito a ciclistas e, também, atividades específicas com ciclistas sobre condutas perigosas.

Indicadores mostram que o cenário econômico em Curitiba já apresenta melhora

Depois do impacto negativo gerado pela pandemia de covid-19, Curitiba começa a dar sinais de retomada econômica com maior geração de empregos, abertura de negócios e aumento de faturamento das empresas.

“Estamos vendo a retomada acontecer e acreditamos que a economia acelere ainda mais nos próximos meses. A pandemia ainda não acabou, mas o pior, tudo indica, já passou”, diz o prefeito Rafael Greca.

Vários indicadores apontam para uma melhora do cenário econômico na cidade, mesmo com os desafios macroeconômicos do País – como inflação e dólar em alta.

“A Prefeitura vem fazendo uma série de movimentos para dar suporte, dentro do possível, a esse retorno da atividade. Queremos que a cidade se recupere o mais rápido dentro das possibilidades”, diz o Secretário de Planejamento, Finanças e Orçamento, Vitor Puppi.

Trabalho

O mercado de trabalho, duramente afetado pela retração da economia no ano passado, bateu recorde de empregos em 2021.

O número de vagas com carteira assinada abertas no acumulado de janeiro a agosto de 2021 é o maior dos últimos 18 anos (início da série histórica), segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério da Economia.

Em oito meses, foram 36.179 vagas abertas com carteira assinada em Curitiba. O saldo é medido pela diferença entre admissões e demissões, ou seja, o ritmo de geração de novas vagas está bem superior ao de fechamentos. Realidade bem diferente da registrada no mesmo período do ano passado, quando o saldo estava negativo em 18.262 vagas.

O setor de Serviços foi o responsável pelo maior número de contratações, com 21.099 novos empregos, seguido pela Construção Civil, com 5.451 vagas.

Previsão de mais vagas

A previsão da Secretaria de Finanças é que Curitiba feche o ano, se mantido o ritmo, com cerca de 50 mil novas contratações, 17 vezes mais do que o registrado no ano passado. Em 2020, esse saldo foi de apenas 2.928 vagas.

Na reta final do ano entram no radar das empresas as contratações temporárias para o Natal, que devem ser 37% maiores que em 2020, de acordo com a previsão da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

Segundo Puppi, além dos empregos gerados pelo setor privado e o trabalho que a Prefeitura faz na capacitação, orientação e colocação de pessoas no mercado de trabalho, o investimento público é um importante indutor e geração de empregos.  

A estimativa é que, com uma carteira de investimentos do município de R$ 2,6 bilhões, cerca de 113,7 mil empregos (diretos, indiretos e induzidos) sejam gerados com obras públicas nos próximos cinco anos.

Mais receita

As empresas também registram aumento de receitas. Dos 20 principais setores de arrecadação de ISS do município, 17 registram aumento de faturamento de janeiro a agosto em relação ao mesmo período do ano passado. Juntos, esses segmentos faturaram R$ 35,8 bilhões de janeiro a agosto de 2021, 22% a mais do que mesmo período do ano passado – um acréscimo de R$ 6,4 bilhões, de acordo com levantamento da Secretaria de Finanças.

Entre os setores com maior faturamento nesse período estão: serviços de apoio técnico, administrativo, jurídico, contábil, comercial e congêneres, com alta de 26,48% no faturamento, para R$ 8,47 bilhão; serviços relativos a engenharia, arquitetura, geologia, urbanismo, construção civil, manutenção, limpeza, meio ambiente, saneamento e congêneres (14,39%), para R$ 6,1 bilhões; serviços de saúde, assistência médica e congêneres (20,82%), para R$ 6 bilhões; e os serviços de informática e congêneres (31,89%), para R$ 3,1 bilhões.

Novos negócios

A abertura de negócios também está acelerada na capital. De janeiro a setembro foram expedidos 56.837 alvarás de abertura, 98,48% mais do que no mesmo período do ano passado: 28.635.

Em nove meses, os segmentos líderes na abertura de empresa foram: promoção de vendas (3.828 alvarás); preparação de documentos e serviços especializados de apoio administrativo (2.987); comércio varejista de artigos de vestuário e acessórios (1.981); cabeleireiros, manicure e pedicure (1.393); serviços de entrega rápida (1.336) e transporte de carga municipal (1.306).    

Plano de Retomada

A Prefeitura de Curitiba mantém programas e ações para dar sustentação à retomada da atividade econômica tanto para trabalhadores quanto para empreendedores. O conjunto de ações formam o Plano de Retomada, com ações na área econômica, social e de segurança alimentar.

Os Liceus de Ofício, da Fundação de Ação Social (FAS), promovem cursos e preparam para o mercado de trabalho quem está em busca de qualificação. Além disso, os Espaços do Empreendedor da Agência Curitiba dão suporte a microempresários e microempreendedores individuais. Além disso, o Programa 1ºEmpregotech 2021, lançado no ano passado, oferece qualificação na área de tecnologia com aulas e oficinas.

O Fab Lab Cajuru, laboratório de fabricação por prototipagem, por sua vez, gera novas oportunidades para estudantes, empresas e comunidade, que podem compartilhar conhecimentos e colocar em prática ideias inovadoras.

A Prefeitura também vem adotando medidas para reduzir o impacto da pandemia sobre a economia. Entre elas, a criação de um fundo de aval, de R$ 10 milhões, com potencial para alavancar até R$ 100 milhões em investimentos por parte das empresas curitibanas.

Para reduzir a burocracia na abertura de negócios, o número de atividades incluídas na lei de liberdade econômica foi ampliado. A lei prevê a dispensa de alguns alvarás para atividades de baixo risco, facilitando o processo. No ano passado, o número de atividades abrangidas pela lei passou de 242 para 545 na capital.

O município também prorrogou o prazo de pagamento de impostos e promoveu um programa de refinanciamento, o Refic-Covid-19, que permitiu o parcelamento de débitos em até 36 meses.

A Prefeitura também vem dando apoio ao setor de eventos, com a utilização de R$ 2,7 milhões para projetos desse segmento e moratória de dívidas, até o fim do ano.

Saiba mais sobre o Plano de Retomadahttps://retomada.curitiba.pr.gov.br/