Curitiba começa a vacinação da população em situação de rua acolhida pela FAS

A Secretaria Municipal da Saúde começou nesta terça-feira (8) a imunização contra covid-19 da população em situação de rua. Nesta fase, podem se vacinar apenas pessoas que estão acolhidas em unidades oficiais e parceiras, além daquelas que procurarem espontaneamente a Praça Solidariedade, desde que possuam cadastro que comprove a situação de rua.

A FAS espera vacinar, neste primeiro momento, aproximadamente 1.600 pessoas. Algumas das pessoas em situação de rua acolhidas pelo município já foram imunizadas, seguindo o cronograma da Saúde, de acordo com a idade e comorbidades.

A imunização acontece das 8h às 11h, dependendo da unidade, e vai até sexta-feira (11). Para quem está acolhido nas casas de passagem, unidades de acolhimento oficiais e república, a vacinação ocorre no local.

Os acolhidos em unidades da rede parceira, que serão imunizados a partir de quinta-feira (10), serão transportados pela Fundação de Ação Social (FAS) até o ponto de vacinação.  

Já os acolhidos nos quatro hotéis sociais mantidos pelo município devem se dirigir à Praça Solidariedade, que funciona na Rua Engenheiros Rebouças, 875, no Jardim Botânico.

Protegidos

Jaime de Paulo Oliveira, 55 anos, foi vacinado nesta terça-feira. Abrigado na unidade de acolhimento Boqueirão, ele disse que foi orientado pela equipe da FAS sobre a imunização. “Eu tenho muito receio de injeção, mas vim em respeito aos meus colegas, que estão acolhidos comigo e me pediram”, contou.

Em situação de rua há vários anos, Oliveira disse que se preocupa com a covid-19, mas que se sente seguro porque nos abrigos da FAS todos são orientados a manter distanciamento, usar máscara e higienizar as mãos.

Mauro Edson Barbosa, 52 anos, que nos últimos três anos é acolhido pela FAS, desde que perdeu o emprego e a família em função do alcoolismo, também recebeu a primeira dose do imunizante. “Eu estava aguardando chegar a minha hora. A vacina é importante para a minha proteção e também de todas as pessoas”, comentou ele, na Casa de Passagem Boqueirão, um dos sete pontos fixos de vacinação para a população em situação de rua.

Mauro faz planos de conseguir um novo emprego e ser atendido em um Centro de Atenção Psicossocial (Caps), depois de receber a segunda dose da vacina e a vida voltar ao normal.   

Próxima etapa

A segunda fase da imunização deste grupo vai atender àqueles que estão nas ruas e que são acompanhados sistematicamente pelas equipes de abordagem social da FAS.  

Pontos fixos para vacinação da população em situação de rua

– Casa de Passagem Solidariedade (Regional Matriz) – atende homens de 18 a 59 anos – vacinação de 8 a 11/6 – 8h30 às 11h
– Praça Solidariedade (Regional Matriz) – busca espontânea – vacinação de 8 a 11/6 – 8h30 às 11h
– Casa de Passagem para Mulheres 24 Horas (Regional Matriz) – vacinação 10/6 – 8h às 10h
– Casa de Passagem Boqueirão (Regional Boqueirão) – atende homens e mulheres – vacinação 8 a 11/6 – 8h às 10h
– Casa de Passagem Júlia da Costa (Regional Santa Felicidade) – atende homens de 18 a 59 anos – vacinação de 8 a 11/6 – 8h às 10h
– Casa de Passagem Santo Expedito (Regional Matriz) – atende homens de 18 a 59 anos e pessoas com comorbidades – 8h às 10h
– Casa de Passagem Rockfeller (Regional Matriz) – atende pessoas encaminhadas durante a Ação Inverno – vacinação 8/6 – 8 às 10h

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Fiocruz: cai média de idade de mortes e de casos de covid-19

A idade média dos casos e das mortes de covid-19 apresentou uma queda quando se compara a semana epidemiológica (SE) 1 (3 a 9 de janeiro) e a 27 (3 a 10 de julho) de 2021, segundo o Boletim Observatório Covid-19, publicado hoje (22) pela  Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Nos dados mais recentes, a média de idade das internações está em 53 anos, contra 62,5 na SE 1; as médias de óbitos foram 73 e 65 nas semanas epidemiológicas 1 e 27, respectivamente.

Os dados foram obtidos a partir do Sistema de Informação de Vigilância Epidemiológica da Gripe (SivepGripe)  e, segundo os especialistas, apontam para uma nova fase da epidemia no país. “Convém ressaltar que houve uma inflexão na tendência de declínio. Para os casos, a média de idade das internações já chegou a 52,1 anos. Para os óbitos, a inflexão é mais evidente: a média da idade atingiu 59,4 anos”, disseram os especialistas.

Em comparação com a semana epidemiológica 23 (6 a 12 de junho), houve um aumento de internações entre idosos, que esteve em 27,2% na semana epidemiológica  23 e na 27 subiu para 31,8%. Os dados indicam que na semana epidemiológica 23 foi registrada a menor porcentagem de idosos no número de óbitos (44,8%). Na SE 27, esse percentual subiu para 58,2%. Os dados mostram também redução de internações em leitos de terapia intensiva na faixa etária de 50 a 59 anos e uma interrupção no aumento na faixa de 40 a 49 anos na comparação entre as duas semanas epidemiológicas.

Duas últimas SE

Nas últimas duas semanas epidemiológicas, a trajetória descendente no número de casos de Síndromes Respiratórias Agudas Graves (SRAG) desacelerou. Segundo os cientistas do Observatório Covid 19, nas últimas duas semanas epidemiológicas, o aumento recente ou o registro de estabilidade em alguns estados sugere um quadro a ser monitorado. Nesse período foi registrada uma queda tanto no número de casos novos (-2,1%), quanto no de óbitos (-2,6%), tendência sustentada desde a análise das semanas anteriores. A taxa de letalidade foi mantida em torno de 3%.

Os pesquisadores destacaram a importância do avanço da campanha de imunização para a  melhora nos números da pandemia. “O avanço da vacinação no Brasil tem ocorrido de forma mais lenta do que a desejável. Ainda assim, a melhoria do quadro pandêmico no país é uma consequência direta do aumento no número de imunizados”, disseram os especialistas.

Estados

Não houve aumento das taxas de incidência ou mortalidade em nenhum estado. Houve uma redução expressiva no número de casos de covid-19 no Rio Grande do Norte, em Rondônia e em Alagoas e uma redução no número de óbitos expressiva no Piauí, no Acre, no Pará e em Sergipe. 

As maiores taxas de incidência de covid-19 no período das últimas duas semanas foram observadas nos estados de Roraima, de Mato Grosso e de Santa Catarina. Paraná, Mato Grosso e São Paulo apresentam as maiores taxas de mortalidade. As maiores taxas de letalidade foram registradas no Rio de Janeiro (5,7%), São Paulo (3,4%), Amazonas (3,4%) e Pernambuco (3,1%).

Para os especialistas, as altas taxas de letalidade “revelam falhas no sistema de atenção e vigilância em saúde nesses estados, como a insuficiência de testes diagnósticos, da triagem de infectados e seus contatos, identificação de grupos vulneráveis, bem como a incapacidade de se identificar e tratar adequadamente os casos graves de covid-19”.

Campanha “Vacina UFPR” chega a mais de mil doações individuais; saiba como contribuir

A campanha “Vacina UFPR” mobiliza a sociedade para a captação de recursos e o financiamento de uma vacina 100% nacional e de baixo custo contra a Covid-19 e outras doenças. 

Em 20 dias, já foram arrecadados R$ 83.323,48 em 1005 doações individuais. No mesmo período, o site vacina.ufpr.br já teve mais de 8 mil acessos e os posts nas redes sociais da UFPR já alcançaram quase 400 mil pessoas, com 3600 compartilhamentos. 

A divulgação da campanha estimulou outros tipos de engajamento. Por sugestão de uma amiga, a fotógrafa e influenciadora digital Patrícia Miguez compartilhou um vídeo para incentivar as doações. Apenas nas redes da UFPR, o material já foi visto por mais de 132 mil pessoas.

Ela aceitou o desafio por entender que a vacina pode servir para outras doenças e ajudar pessoas no Brasil e em outras partes do mundo, no futuro.  “É uma questão de ajudar a comunidade científica e o nosso país como um todo. A vacina é uma arma muito importante. Caso você não possa ajudar, marque as pessoas nas suas redes e espalhe. Quanto mais gente tiver essa informação, mais gente pode doar e ajudar a UFPR a desenvolver a vacina. Vai ser uma bênção ter uma opção barata, nacional e com multipropósito”, relata Patrícia.  

As contribuições para a campanha “Vacina UFPR” permitirão aos pesquisadores avançar com as fases de testes em animais até o final do ano, o que credenciará o pedido à Anvisa para os testes em humanos. 

Com as doações, será possível também aprimorar a infraestrutura física e laboratorial, buscar a transferência de tecnologia para produção em escala industrial e o desenvolvimento de imunizantes.

Sobre a capacidade de produção 100% nacional, o reitor da UFPR, Ricardo Marcelo Fonseca, destaca: “É muito importante para a soberania do país que tenhamos uma vacina sem a dependência de importação de insumos. Esta luta por uma vacina nacional reforça a importância da ciência e da universidade pública, que se mostraram imprescindíveis durante essa pandemia”. 

O superintendente de parcerias e inovação da UFPR, Helton José Alves, ressalta a economia para os cofres públicos que o imunizante da UFPR poderá trazer. “Para cada real economizado por dose da vacina, estamos falando de milhões de reais, o que torna mais interessante essa plataforma, para a Covid-19 e outras patologias”, revelou Alves em entrevista ao programa “Volume UFPR”, da Rádio UniFM. 

O professor Emanuel Maltempi de Souza, um dos pesquisadores responsáveis pelo desenvolvimento da Vacina UFPR, em reportagem da Agência Escola de Comunicação Pública da UFPR, explica que o projeto foi concebido pensando no retorno à sociedade dos conhecimentos produzidos na universidade. “Se continuarmos tendo sucesso no desenvolvimento e testagem da Vacina UFPR, estou convencido que o país terá condições de produzir as doses necessárias para todos os brasileiros”. 

Para alcançar esses objetivos, os custos estão estimados em R$ 76 milhões de reais. Por isso, a campanha aceita doações de qualquer valor, por depósito, transferência bancária para a conta da campanha ou usando chave Pix. 

No site vacina.ufpr.brestão disponíveis os relatórios de acompanhamento dos recursos captados para o desenvolvimento da vacina e notícias sobre o avanço das pesquisas. 

A conta bancária para as doações é exclusiva do Programa de Imunizantes da UFPR, gerida pela Fundação da Universidade Federal do Paraná – FUNPAR. Todas as doações de pessoas físicas e/ou jurídicas são destinadas exclusivamente à continuidade da pesquisa e desenvolvimento da vacina  e não são dedutíveis do Imposto de Renda. 

Os valores captados pela campanha se somam aos financiamentos já obtidos via Rede Vírus, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), a recursos próprios da UFPR e aos do Governo do Estado do Paraná, que chegam a R$ 1,3 milhão.  

Além disso, o Tribunal de Contas do Estado transferiu R$ 18 milhões ao Governo do Estado, que serão destinados à estrutura de laboratórios para a Vacina UFPR. O poder executivo deve repassar esse valor à universidade por meio de um acordo que será celebrado em breve.