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Contas externas registram saldo negativo menor em janeiro de 2026

O Banco Central (BC) divulgou, nesta terça-feira (24), que as contas externas do Brasil apresentaram um déficit de US$ 8,360 bilhões em janeiro. Em comparação ao mesmo mês de 2025, quando o saldo negativo foi de US$ 9,809 bilhões, a análise demonstra uma leve melhoria nas transações correntes, que incluem a troca de mercadorias e serviços e transferências de renda entre países.

Desempenho Comercial

A melhora no saldo é atribuída a um superávit comercial que aumentou em US$ 2,1 bilhões. Fernando Rocha, chefe do Departamento de Estatísticas do BC, ressalta que essa expansão se deve, em grande parte, à diminuição das importações geral, refletindo uma desaceleração da atividade econômica no Brasil.

No setor de serviços, houve uma redução de US$ 581 milhões no déficit, mas o déficit em renda primária, que inclui pagamentos de juros e lucros, subiu em US$ 1,3 bilhão.

Nos 12 meses até janeiro, o saldo das transações correntes totalizou US$ 67,551 bilhões, ou 2,92% do Produto Interno Bruto (PIB). Houve uma redução em relação ao período equivalente encerrado em janeiro de 2025, que registrou um déficit de US$ 72,421 bilhões, correspondendo a 3,35% do PIB.

Investimentos Externos

Fernando Rocha destaca que as transações correntes mostram um panorama robusto, com uma tendência de diminuição no déficit em 12 meses desde setembro de 2025. Os déficits estão sendo financiados por capitais de longo prazo, com investimentos diretos no país (IDP) demonstrando qualidade de fluxo e estoque.

Os investimentos diretos somaram US$ 8,168 bilhões em janeiro, superando os US$ 6,708 bilhões do mesmo período do ano anterior. Assim, o Brasil deve cobrir saldos negativos em transações correntes com investimentos ou empréstimos externos, sendo o IDP a forma preferida devido ao seu impacto positivo nos setores produtivos e seu caráter de longo prazo.

No acumulado de 12 meses até janeiro, os investimentos diretos totalizaram US$ 79,137 bilhões (3,42% do PIB), uma ligeira alta em comparação aos US$ 77,676 bilhões registrados anteriormente e aos US$ 72,798 bilhões no ano anterior.

Além disso, no mercado doméstico, os investimentos em carteira apresentaram uma entrada líquida de US$ 8,867 bilhões em janeiro, o maior volume desde julho de 2018. No total de 12 meses, esses investimentos contabilizaram ingressos líquidos de US$ 24,9 bilhões.

As reservas internacionais do Brasil também mostraram crescimento, atingindo US$ 364,367 bilhões em janeiro, um aumento de US$ 6,134 bilhões em relação ao mês anterior.

Análise das Transações Correntes

As exportações de bens em janeiro totalizaram US$ 25,282 bilhões, o que representa uma queda de 1,2% frente ao mesmo mês de 2025. As importações, por sua vez, ficaram em US$ 21,766 bilhões, com um recuo de 10% na comparação anual.

Com esses números, a balança comercial obteve um superávit de US$ 3,516 bilhões, contrastando com o saldo positivo de US$ 1,396 bilhões de janeiro de 2025.

O déficit na conta de serviços, que abrange viagens, transporte e outras atividades, alcançou US$ 3,972 bilhões em janeiro, uma diminuição de 12,8% comparado ao ano anterior, quando registrou US$ 4,553 bilhões.

No segmento de viagens internacionais, o déficit foi de US$ 1,453 bilhão, um aumento de 48,4% em relação ao mesmo mês de 2025. Isso se deve à diminuição de 9,3% nas receitas, que foram de US$ 731 milhões, e ao crescimento de 22,4% nas despesas de brasileiros no exterior, totalizando US$ 2,184 bilhões.

O déficit em renda primária, referente a lucros, dividendos e juros, totalizou US$ 8,312 bilhões, um aumento de 18,7% em relação ao ano anterior, que teve um déficit de US$ 7,001 bilhões. Essa conta geralmente apresenta déficits, uma vez que há mais investimentos de estrangeiros no Brasil, que repatriam lucros, do que o contrário.

Por fim, a conta de renda secundária, que abrange doações e remessas sem contrapartida, teve um superávit de US$ 408 milhões em janeiro, comparado a um superávit de US$ 349 milhões em janeiro de 2025.

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