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Conselho de Segurança Analisa Tensões entre EUA e Venezuela

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Em resposta a um pedido da Venezuela, o Conselho de Segurança da ONU convocou uma reunião urgente na última terça-feira para discutir o aumento das operações militares dos Estados Unidos no sul do Caribe, próximo à costa venezuelana. As tensões na região têm gerado preocupação entre os países-membros da ONU e organizações internacionais.

Aumento das tensões militares

Durante a reunião, Khaled Khiari, secretário-geral assistente da ONU para Assuntos Políticos e de Consolidação da Paz, destacou o aumento significativo das atividades militares dos EUA desde a última discussão sobre o assunto, ocorrida em 10 de outubro. Ele enfatizou que o secretário-geral da ONU, António Guterres, está pronto para apoiar iniciativas de diálogo, reiterando que “o diálogo é o único caminho para evitar maior instabilidade e sofrimento humano na região”.

Justificativas e reações

Os Estados Unidos justificam suas ações como parte de uma estratégia para combater o narcotráfico, referindo-se à situação como um “conflito armado não internacional”. O presidente dos EUA, Donald Trump, declarou que utilizará “todo o poder dos Estados Unidos” para desmantelar cartéis de drogas. Por outro lado, o governo venezuelano rejeita essa narrativa, classificando as operações como uma grave ameaça à paz e à segurança internacionais. Em comunicações formais ao Conselho de Segurança, a Venezuela acusou os EUA de violação da soberania e integridade territorial.

Operações no Caribe e impactos

De acordo com Khiari, os EUA têm realizado ataques a embarcações suspeitas de transporte de drogas no sul do Caribe e no leste do Oceano Pacífico, resultando na morte de ao menos 105 pessoas desde 2 de setembro. O incidente ocorre em “águas internacionais” ou dentro da área de responsabilidade do Comando Sul dos EUA. O Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos já classificou essas ações como contrárias ao direito internacional, sugerindo que o combate ao narcotráfico não deve envolver o uso letal da força.

Bloqueios e sanções

A escalada no conflito se acentuou após os EUA classificarem o Cartel dos Sóis como organização terrorista em novembro, o que incluiu o fechamento total do espaço aéreo da Venezuela e a apreensão de navios petroleiros. As autoridades venezuelanas definem essas ações como um bloqueio aéreo e naval unilateral, enquanto a Marinha venezuelana passou a escoltar navios que partem de seus portos, segundo relatos.

Crescente militarização da região

Khiari também observou que, enquanto alguns aliados regionais apoiam as medidas norte-americanas, outros expressam preocupação com a crescente militarização do sul do Caribe. Vários países destacaram a necessidade de reduzir as tensões e promover o diálogo, enquanto o alto funcionário da ONU abordou a situação interna na Venezuela, marcada por militarização, recrutamento forçado e uma crise econômica acentuada.

EUA e a liderança de Maduro

O embaixador dos EUA na ONU, Michael Waltz, desconsiderou Nicolás Maduro como autoridade legítima, acusando-o de ser um “foragido da justiça” e líder do Cartel dos Sóis. Waltz alegou que Maduro permanece no poder por meio de eleições fraudulentas, utilizando os lucros do petróleo para financiar atividades criminosas. Ele defendeu a continuidade das sanções e interdições, afirmando que a falta dessas medidas comprometeria sua eficácia.

Resposta venezuelana às acusações

Em resposta, o embaixador venezuelano, Samuel Moncada, acusou os EUA de cometer um “crime de agressão” e de implementar um “plano de conquista” contra a Venezuela. Moncada denunciou uma série de ações que classificou como uso ilegal da força e pediu ao Conselho de Segurança para condenar explicitamente essas agressões. Ele ainda afirmou que, se a escalada continuar, a Venezuela exercerá seu direito à legítima defesa.

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