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Conselho da ONU afirma que fome em Gaza é “ação humana” sem EUA.

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A crise alimentar na Faixa de Gaza foi classificada pelos membros do Conselho de Segurança da ONU, exceto pelos Estados Unidos, como uma “crise provocada pelo homem”. Os países, incluindo China, França e Reino Unido, acusam Israel de utilizar a escassez de alimentos como uma arma de guerra, o que, segundo eles, infringe o direito internacional humanitário.

Apelo por Cessar-Fogo e Ajuda Humanitária

Em uma declaração conjunta, os 14 países membros exigiram um cessar-fogo imediato e incondicional, além da libertação de reféns mantidos pelo Hamas. Foi solicitado também um aumento significativo da ajuda humanitária e a suspensão das restrições que Israel impôs à entrada de suprimentos essenciais na região.

Condições Críticas na Faixa de Gaza

Joyce Msuya, vice-chefe humanitária da ONU, alertou que a fome já foi confirmada na região centro-norte da Faixa de Gaza, incluindo a Cidade de Gaza, e deve se espalhar para o sul até setembro. “Mais de meio milhão de pessoas enfrentam fome, miséria e morte. Até o fim de setembro, esse número pode ultrapassar 640 mil. Esta não é uma seca ou um desastre natural, mas uma catástrofe causada pelo conflito”, afirmou Msuya.

“Até o fim de setembro, esse número pode ultrapassar 640 mil. Esta não é uma seca ou um desastre natural, mas uma catástrofe criada pelo conflito”, afirmou.

A ONU acrescenta que pelo menos 132 mil crianças menores de cinco anos estão em risco de desnutrição aguda, com 43 mil podendo enfrentar condições de risco de vida nas próximas semanas. Dados do Ministério da Saúde de Gaza indicam que 313 pessoas já faleceram devido à fome, incluindo 119 crianças.

Resposta de Israel

O governo israelense refutou as conclusões do relatório do IPC (Classificação Integrada de Fases de Segurança Alimentar), que confirma a presença de fome no enclave. Eden Bar Tal, diretor-geral do Ministério das Relações Exteriores de Israel, descreveu o documento como “profundamente falho e pouco profissional”. Apesar da contestação, os membros do Conselho de Segurança reafirmaram seu apoio ao trabalho do IPC.

Apelos da Comunidade Internacional

Nesta semana, o Papa Leão XIV fez um apelo à comunidade internacional por um cessar-fogo imediato no Oriente Médio. “Mais uma vez, lanço um forte apelo para que se ponha fim ao conflito na Terra Santa, que causou tanto terror, destruição e morte”, enfatizou durante sua audiência semanal.

A chefe da ONG Save the Children, Inger Ashing, criticou a inação das potências globais diante da crise alimentícia em Gaza. “A fome em Gaza está aqui. Uma fome planejada. Crianças estão sendo sistematicamente mortas de fome”, declarou, ressaltando o impacto trágico que isso tem nos sonhos e aspirações das crianças na região.

Reação do Hamas

O Hamas, por sua vez, elogiou a posição do Conselho de Segurança, afirmando que a declaração “expõe os crimes da ocupação em Gaza” e representa “um consenso internacional contra o genocídio e a guerra da fome”. O grupo também acusou os Estados Unidos de cumplicidade por rejeitarem resoluções vinculantes e solicitou que os líderes israelenses sejam responsabilizados por crimes contra a humanidade.

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