22/05/2026 – 16:11
Vinicius Loures / Câmara dos Deputados
Deputado Reginaldo Veras, relator do projeto de lei
A Comissão de Educação da Câmara dos Deputados aprovou uma proposta de lei que altera a Lei de Cotas, estabelecendo o cancelamento automático da matrícula e a nulidade de todas as atividades acadêmicas de alunos que ingressem de forma fraudulenta em vagas reservadas para estudantes pretos, pardos, indígenas e pessoas com deficiência em universidades e institutos federais.
Com essa medida, todo o histórico acadêmico do estudante fraudador será invalidado, resultando na perda de seus créditos e na cassação definitiva do diploma obtido.
Alterações Significativas no Texto
O colegiado aprovou o substitutivo do relator, deputado Prof. Reginaldo Veras (PV-DF), ao Projeto de Lei (PL) 2941/23, de autoria do deputado Rubens Pereira Júnior (PT-MA). O texto original previa apenas a anulação dos créditos e a cassação do diploma, mas foi ampliado para incluir o cancelamento de todos os direitos acadêmicos conquistados por ingresso ilegal.
Checagem Obrigatória
O novo texto determina que a autodeclaração racial terá presunção “relativa” de veracidade. Isso exige confirmação através de um procedimento de heteroidentificação, que consiste na avaliação por uma comissão responsável por analisar as características físicas ou a condição do candidato.
Segundo o relator, “as universidades públicas já adotam comissões de heteroidentificação, mas a inclusão desse mecanismo na lei é essencial. As fraudes geram injustiças e vão contra a inclusão, enfraquecendo as políticas de justiça social que a lei busca promover”.
Ademais, o texto exige que os editais de vestibulares e processos seletivos especifiquem como as avaliações serão realizadas e garantam a criação de uma comissão de recursos, permitindo que o candidato conteste eventuais negativas.
Próximos Passos
O projeto tramita em caráter conclusivo, seguindo agora para análise na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para que se torne lei, o projeto precisa ser aprovado tanto pela Câmara dos Deputados quanto pelo Senado.
Reportagem – Emanuelle Brasil
Edição – Roberto Seabra
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