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Cientistas Descobrem Interruptor da Ansiedade e Desligam Transtorno em Ratos

Cientistas acham interruptor da ansiedade e desligam o transtorno em ratos

Cientistas Identificam Conexão Entre Amígdala e Ansiedade em Estudo Inovador

Um estudo recente do Instituto de Neurociências de Alicante, na Espanha, revelou novas informações sobre a amígdala, uma estrutura cerebral associada à ansiedade. Publicada na revista iScience, a pesquisa mostra como uma população específica de neurônios na amígdala está ligada a comportamentos patológicos, abrindo portas para potenciais novos tratamentos.

Compreendendo a Amígdala e a Ansiedade

A amígdala, com aproximadamente 1,5 cm de comprimento e em forma de amêndoa, é crucial para a regulação das emoções, especialmente a ansiedade. A partir dos anos 1990, a neuroimagem funcional (fMRI) documentou sua conexão com transtornos de ansiedade. No entanto, a relação exata entre a amígdala e a ansiedade, envolvendo neurônios e circuitos específicos, ainda não era clara até agora.

O estudo em questão identifica um grupo de neurônios conhecidos como “células de disparo regular”. Este tipo de célula é caracterizado pela sua capacidade de disparar impulsos elétricos de maneira imediata e constante. Diferentemente das células de disparo tardio, que demoram para se ativar, as de disparo regular são rápidas e rítmicas, semelhante ao tique-taque de um relógio.

Estudo em Ratos Transgênicos

A pesquisa, liderada pelo cientista Juan Lerma, utilizou uma linhagem transgênica de ratos com cópias adicionais do gene Grik4, presente em pessoas com autismo e esquizofrenia. Nestes camundongos, os neurônios da amígdala basolateral enviam sinais significativamente mais intensos para as células de disparo regular, resultando em uma hiperatividade neuronal que provoca comportamentos de ansiedade.

Os pesquisadores, então, realizaram uma manipulação genética que eliminou as cópias nativas do gene, permitindo uma produção normal de GluK4. Esta alteração levou à normalização da comunicação entre as células da amígdala, revertendo os comportamentos de ansiedade observados nos ratos transgênicos.

Segundo Álvaro García, primeiro autor do estudo, a modificação pontual já foi capaz de reverter os comportamentos relacionados à ansiedade, demonstrando que alterações em circuitos específicos podem ser mais eficazes do que intervenções globais.

Implicações Futuras

O estudo enfatiza que as células de disparo regular inibem as células de disparo tardio de maneira eficaz, controlando as respostas de ansiedade. Em situações normais, o funcionamento equilibrado entre esses grupos neuronais previne o surgimento de ansiedade excessiva.

Embora os resultados tenham sido obtidos em modelos animais, eles propõem novas direções para tratamentos farmacológicos. Atualmente, os medicamentos para ansiedade e depressão afetam o cérebro de maneira ampla, mas a identificação de um receptor molecular específico pode conduzir ao desenvolvimento de fármacos mais direcionados e com menos efeitos colaterais.

Os achados também podem mudar a maneira como entendemos a regulação emocional. Compreender que uma pequena população de neurônios pode impactar de forma desproporcional a ansiedade e a depressão altera o foco do tratamento, que vai além de “danos estruturais” para compreender descompassos em circuitos neuronais.

Fonte: CNN https://www.cnnbrasil.com.br/saude/cientistas-acham-interruptor-da-ansiedade-e-desligam-o-transtorno-em-ratos/

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