Brasil Não Pressionará Maduro, Afirma Celso Amorim
O Brasil, sob a orientação de seu principal assessor para assuntos internacionais, Celso Amorim, não realizará pressões ao presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, para que ele renuncie sob influência dos Estados Unidos. Em entrevista ao jornal The Guardian, Amorim também afirmou que não pretende encorajar a hipótese de asilo para o venezuelano, embora não descarte essa possibilidade.
Contexto Internacional
Amorim abordou o atual conflito envolvendo os Estados Unidos e a Venezuela, enfatizando que a insistência em invasões por questões eleitorais poderia levar a uma escalada de militarização global. “Se cada eleição questionável desencadeasse uma invasão, o mundo estaria em chamas”, ponderou o ex-chanceler, em resposta a perguntas sobre uma eventual invasão norte-americana à Venezuela.
“A última coisa que queremos é que a América do Sul se torne uma zona de guerra – e uma zona de guerra que inevitavelmente não seria apenas uma guerra entre os EUA e a Venezuela. Acabaria por ter envolvimento global e isso seria realmente lamentável”, destacou Amorim.
O assessor enfatizou que a invasão dos EUA na Venezuela poderia resultar em um sentimento antiamericano crescente na América Latina, semelhante ao que ocorreu durante o conflito no Vietnã.
Movimentação Militar Norte-Americana
- Desde agosto, os EUA intensificaram sua presença militar na América Latina e no Caribe, justificando essa ação como um combate ao tráfico de drogas na região.
- Navios de guerra, fuzileiros navais e o porta-aviões USS Gerald R. Ford estão posicionados na área.
- A operação militar Lança do Sul também foi criada para aumentar os esforços norte-americanos de combate ao tráfico de entorpecentes.
- Dados do Pentágono indicam que 23 embarcações foram atacadas no Caribe e no Pacífico durante a campanha militar. No entanto, a conexão dessas embarcações com o tráfico de drogas ainda não foi confirmada publicamente.
- A movimentação militar levanta suspeitas, pois o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, é um dos alvos das ameaças do governo Trump.
- Maduro é, segundo Washington, o líder do cartel de Los Soles, grupo recentemente classificado como organização terrorista internacional, o que abre espaço para operações em outros países sob a justificativa de combater o terrorismo.
- Trump também alertou que as operações navais podem se expandir, afetando diretamente países que produzem e vendem drogas para os EUA, incluindo a Colômbia, cujo presidente, Gustavo Petro, já foi acusado por Trump de ser traficante.
Asilo Político e Relações Históricas
Celso Amorim, ao ser questionado sobre um potencial asilo político de Maduro no Brasil, enfatizou que o asilo é uma prática latino-americana, válida tanto para políticos de direita quanto de esquerda. Embora não quisesse especular sobre os tópicos, indicou que não descarta a possibilidade de um pedido.
Amorim recordou a concessão de refúgio ao ex-presidente equatoriano Lucio Gutiérrez, em 2005, quando um avião foi enviado para buscá-lo, ressaltando que essa é uma prática que pode ser considerada em situações semelhantes.
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