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Brasil Adota Posturas Dúbias, Afirma WWF em Negociações sobre Plásticos

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As negociações para a criação do primeiro tratado internacional contra a poluição por plásticos chegam ao seu término nesta quinta-feira (14/8) em Genebra, Suíça. Com a participação de cerca de 180 países, os representantes ainda buscam um consenso sobre um acordo que seja juridicamente vinculante.

Debates e Reações

Durante a assembleia plenária da ONU em Genebra na quarta-feira (13/8), os debates geraram um cenário confuso em torno de uma proposta de síntese de 10 páginas. Apenas a Índia aceitou o texto como base para discussão, enquanto a maioria dos governos e organizações presentes o consideraram “desequilibrado” e “inaceitável” para proteger as gerações futuras.

Michel Santos, gerente de políticas públicas da WWF Brasil, comentou sobre os principais entraves nas negociações, destacando a posição indefinida do Brasil. “Infelizmente, o Brasil não teve até agora uma posição clara sobre questões cruciais, como a redução da produção de polímeros e o banimento de plásticos de uso único e produtos químicos perigosos,” afirmou Santos. “Sem regras globais, a poluição plástica continuará a ser um problema,” complementou.

Desafios e Lobby Contrário

Entre os principais opositores a um tratado global, Santos mencionou a influência significativa do lobby petroquímico. “Este lobby é fortíssimo e atua para evitar um acordo efetivo,” ressaltou. A Colômbia, que defende um texto mais ambicioso, classificou a proposta atual como “inaceitável”, recebendo apoio de países como Chile, México, Panamá, Canadá e da União Europeia, além de pequenas ilhas do Pacífico.

Apesar dos desafios, a ONG suíça CIEL, representada por Cate Bonacini, acredita na possibilidade de que um novo texto seja apresentado nesta quinta-feira. A ministra francesa da Transição Ecológica, Agnès Pannier-Runacher, também expressou otimismo, afirmando que “é possível elaborar um texto mais equilibrado”. O prazo das negociações pode ser estendido até a sexta-feira, caso os diplomatas se aproximem de um consenso.

Impactos da Poluição Plástica

Iniciadas em 5 de agosto, as negociações pretendem finalmente estabelecer um acordo para enfrentar a crescente poluição por plásticos. A preocupação com a questão ganhou força com imagens impactantes dos oceanos e da fauna marinha afetadas pela poluição. Além disso, estudos científicos recentes apontam para os riscos à saúde humana devido ao contato com plásticos e aditivos químicos.

Motivados por uma resolução da ONU de 2022, os países têm se esforçado para elaborar um texto juridicamente vinculante que trate da poluição plástica, incluindo a que ocorre nos oceanos. Desde 2000, a produção de plásticos ultrapassou a produção dos 50 anos anteriores, com a previsão de que essa quantidade triplique até 2060, conforme dados da OCDE. Atualmente, menos de 10% do plástico gerado é reciclado.

O projeto de tratado apresentado na quarta-feira foi criticado por David Azoulay, da ONG CIEL, que afirmou que o texto “garantiria apenas que nada iria mudar”.

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