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BB registra lucro de R$ 3,78 bi no terceiro trimestre, queda de 60,2%

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O Banco do Brasil (BB) divulgou, na noite desta quarta-feira (12), seus resultados do terceiro trimestre, evidenciando uma queda significativa em seu lucro líquido ajustado, que atingiu R$ 3,785 bilhões, representando uma diminuição de 60,2% em relação ao mesmo período do ano anterior. A pressão causada por novas regras contábeis e pelo aumento da inadimplência está afetando os resultados financeiros da instituição.

Resultados Acumulados de 2024

Nos primeiros nove meses de 2024, o lucro do Banco do Brasil totalizou R$ 14,943 bilhões, uma redução de 47,2% em comparação ao ano anterior, quando o banco alcançou um lucro recorde de R$ 37,9 bilhões. Na comparação com o segundo trimestre deste ano, o lucro apresentou leve variação, subindo de R$ 3,784 bilhões para R$ 3,785 bilhões.

Aumento de Receitas Apesar da Inadimplência

De acordo com o BB, a geração de receitas está em ascensão, mesmo diante da pressão relacionada à inadimplência. Um dos destaques é o Programa Crédito do Trabalhador, que unifica a contratação de crédito consignado para trabalhadores de empresas privadas. A instituição informou que a margem financeira bruta avançou, impulsionada pelas operações de crédito.

“O crescimento da margem [financeira bruta] no trimestre foi calcado principalmente em negócios com clientes, especialmente em operações de crédito, influenciadas pelo Crédito do Trabalhador”, destacou o BB.

Alterações Contábeis e Seus Impactos

A entrada em vigor de uma resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN) em janeiro trouxe mudanças significativas nos modelos contábeis do BB. Estas alterações, que afetam o reconhecimento de receitas e provisões para perdas esperadas, devem-se às novas regras de contabilização de receitas de juros.

Com essas diretrizes, o banco deixou de registrar cerca de R$ 1 bilhão em receitas de crédito devido ao regime de caixa, que permite reconhecimento apenas quando o pagamento é efetivamente recebido.

Índice de Inadimplência

O índice de inadimplência do BB subiu para 4,93% no terceiro trimestre, contra 4,21% no mesmo período de 2024 e 3,33% no ano passado. A elevação é atribuída, principalmente, ao agronegócio, onde o banco é líder na concessão de crédito, além de impactar a linha de cartões de crédito.

Revisão das Projeções para 2025

Com a redução nos lucros, o BB reavaliou suas projeções para 2025, que agora são:

  • Lucro líquido ajustado: R$ 18 bilhões a R$ 21 bilhões, baixando a estimativa anterior de R$ 21 bilhões a R$ 25 bilhões.
  • Custo do crédito: R$ 59 bilhões a R$ 62 bilhões, versus a antiga previsão de R$ 53 bilhões a R$ 56 bilhões.

Desempenho da Carteira de Crédito

No terceiro trimestre, o BB avançou menos em concessão de crédito, especialmente para empresas, com a carteira totalizando R$ 1,279 trilhão, uma baixa de 1,2% no trimestre, mas alta de 7,5% em um ano. Os principais segmentos apresentaram os seguintes resultados:

  • Pessoa Física: R$ 350,51 bilhões, aumento de 2,3% no trimestre e de 7,5% em um ano, com destaque para o crédito consignado com R$ 9,2 bilhões emprestados.
  • Pessoa Jurídica: R$ 452,97 bilhões, queda de 3,2% no trimestre, mas alta de 10,4% em 12 meses.
  • Agronegócios: R$ 398,79 bilhões, com queda de 1,5% em relação ao trimestre anterior, mas alta de 3,2% em um ano.

Receitas e Despesas Administrativas

As receitas de prestação de serviços alcançaram R$ 8,863 bilhões, refletindo um aumento de 1,3% em relação ao trimestre anterior, mas uma queda de 2,6% ao ano. O crescimento foi sustentado por linhas de administração de fundos e seguros.

Por outro lado, as despesas administrativas totalizaram R$ 9,812 bilhões, uma alta de 1,4% em relação ao trimestre anterior, atribuída a reajustes salariais e investimentos em tecnologia.

Dividends e Projeções para 2025

Em julho, o Banco do Brasil reduziu a parcela de lucro distribuída a acionistas de 40% para 30%. As projeções de dividendos de estatais para 2025 também foram revisadas de R$ 43,4 bilhões para R$ 41,9 bilhões, conforme o Relatório Bimestral de Receitas e Despesas.

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