09/12/2025 – 17:43
Debate sobre Fragilidades do Banco Master Mobiliza Câmara dos Deputados
Representantes do Sindicato dos Bancários de Brasília trouxeram à tona preocupações sobre o Banco Master durante sessão da Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara dos Deputados, realizada nesta terça-feira (9). As questões levantadas incluem fraquezas operacionais e os riscos vinculados à tentativa de aquisição do banco pelo Banco de Brasília (BRB).
Histórico do Caso
Desde 2024, o sindicato vem alertando sobre as fragilidades operacionais do Banco Master. O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou a aquisição em junho de 2025, mas o Banco Central impediu a transação em setembro, após identificar riscos significativos e inconsistências nos ativos do Banco Master, alegando incompatibilidade com o perfil do BRB. Essa decisão suspendeu a negociação e ocorreu antes da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que investiga suspeitas de irregularidades no Banco Master.
Denúncias e Ações Legais
Ivan Amarante, diretor financeiro do sindicato, relatou que a entidade tem acompanhado o caso desde que a Caixa Econômica Federal rejeitou uma proposta de operação com o Banco Master. Amarante mencionou estudos do Dieese que sustentaram denúncias ao Ministério Público Federal e à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), ressaltando a urgência de investigação acerca da situação. Ele também destacou falhas em operações de crédito na Bahia e a polêmica em torno da oferta de CDBs com taxas de juros excessivas.
Além disso, o sindicato moveu uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) contra a lei distrital que autorizou a compra, descrevendo o processo como apressado e questionável.
Ponto de Vista do Cade
Hugo Vecchiato, representante do Cade, enfatizou que a análise realizada focou nos impactos concorrenciais da operação, sem abordar a saúde financeira do Banco Master. Ele assegurou que a participação combinada do BRB e do Master ficaria abaixo do limite de 20% do mercado, conforme estipulado na Lei 12.529/11, o que justificou a dispensa de intervenções adicionais.
Suspeitas de Fraude e Críticas
O deputado Daniel Almeida (PCdoB-BA), que solicitou a audiência, levantou a questão sobre se o Banco Central e o Cade estavam cientes das 19 denúncias feitas pelo sindicato antes da suspensão da negociação. Almeida classificou o episódio como um “escândalo gigantesco, de uma fraude evidente”, com potenciais repercussões negativas para consumidores e para o Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Reações e Ausências
A deputada Erika Kokay (PT-DF) criticou a ausência de representantes do Banco Master, do BRB, do Banco Central e da CVM no debate. Ela argumentou que suas intervenções são cruciais para esclarecer o que ela chamou de “grande e fabuloso escândalo”, prometendo persistir na convocação dos ausentes para que prestem esclarecimentos.
Reportagem – Emanuelle Brasil
Edição – Geórgia Moraes
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