Um novo relatório da Atribuição Climática Global (WWA) e da Climate Central revela que o cumprimento das metas do Acordo de Paris pode prevenir 57 dias adicionais de calor extremo por ano. Publicado nesta quinta-feira (16), o estudo destaca a urgência de ações efetivas na redução das emissões de gases de efeito estufa para mitigar os impactos das mudanças climáticas.
Agravamento das ondas de calor
Embora frequentemente ofuscado por eventos climáticos mais visíveis como enchentes e tempestades, o calor extremo é responsável por cerca de meio milhão de mortes anuais. O aumento das temperaturas está colocando em risco ecossistemas críticos, incluindo recifes de corais, que estão perto do colapso. A climatologista Friederike Otto, da WWA, ressalta a falta de ambição nas metas de emissões, afirmando que “isso será pago com as vidas e meios de subsistência das populações mais vulneráveis”.
O papel do Acordo de Paris
O Acordo de Paris, estabelecido em 2015, reúne 196 países no compromisso de limitar o aquecimento global a menos de 2 °C, com esforços para não ultrapassar 1,5 °C em relação aos níveis pré-industriais. Atualmente, o aquecimento global já atinge cerca de 1,4 °C. Mesmo se objetivos de redução de emissões forem cumpridos, a previsão é de um aumento de pelo menos 2,6 °C até o final do século, resultando em 57 dias adicionais de calor extremo em comparação ao cenário atual.
A climatologista Kristina Dahl, da Climate Central, apontou que “ainda estamos caminhando para um futuro perigosamente quente”, e vários países continuam despreparados para lidar com o nível atual de aquecimento.
Potencial aumento de temperaturas
Sem o Acordo de Paris, a temperatura global poderia aumentar 4 °C, resultando em 114 dias extras de calor extremo até 2100. Com isso, a probabilidade de eventos climáticos extremos, como as ondas de calor observadas na Europa em 2023, aumentaria significativamente, levando a um equilíbrio insustentável no planeta.
Impactos diretos na saúde e no meio ambiente
Desde a implementação do Acordo de Paris, o mundo já experimentou um aumento de 0,3 °C e, como resultado, 11 dias adicionais de calor extremo por ano. Eventos extremos em regiões como a Índia e o Paquistão, que acarretaram graves redução nas safras e incêndios florestais, tornaram-se duas vezes mais prováveis.
A Floresta Amazônica, crucial para o equilíbrio climático, também é destacada no relatório. O aumento de 0,3 °C a mais de aquecimento poderá tornar condições climáticas extremamente secas no bioma dez vezes mais prováveis, impactando a vida de milhões.
Urgência nas adaptações necessárias
Mesmo com as metas do Acordo de Paris, um acréscimo de 60 dias de calor extremo anual pode gerar sérias consequências para os direitos humanos e a necessidade de adaptação. De acordo com o relatório, apenas 50% dos países contam com sistemas de alerta para calor extremo, e a necessidade de medidas de adaptação é urgente.
A implementação de sistemas mais robustos de saúde, energia e infraestrutura, além de áreas verdes urbanas, pode amenizar os impactos do calor extremo. No entanto, o financiamento para essas adaptações é considerado insuficiente.
A conclusão do relatório é que, apesar de o Acordo de Paris ter desviado os cenários climáticos mais severos, o mundo ainda precisa fazer cortes drásticos nas emissões para manter o aumento da temperatura abaixo de 2 °C. Muitos países carecem de planos climáticos claros, e é destacado que a transição para energias renováveis deve ser acelerada. “Temos necessidade de políticas mais fortes e justas para facilitar essa mudança”, concluiu Otto.
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