A recente intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela tem gerado intensas críticas, especialmente sobre suas repercussões no cenário global e na legitimidade do uso da força. A professora de Direito e Estudos Internacionais de Paz da Universidade de Notre Dame, Mary Ellen O’Connell, alerta que o ataque ordenado pelo presidente Donald Trump pode aumentar a desconfiança internacional, prejudicando a imagem dos Estados Unidos como líder global.
Consequências do Ataque
O’Connell destaca que a perspectiva de que a situação na Venezuela permaneça a mesma é alta. Ela ressalta que o Estado de Direito é essencial para prevenir a violência entre as nações, argumentando que as leis internacionais existem para promover a paz e a harmonia.
Durante a execução do ataque, forças militares norte-americanas causaram a morte de civis e geraram um clima de medo entre a população venezuelana, sem apresentar justificativa legal para as operações. “Esse ato representa um desrespeito às normas internacionais e uma falha em reafirmar a liderança dos Estados Unidos no respeito ao Estado de Direito”, afirma Mary Ellen O’Connell.
Novos Rumos na Venezuela
A vice-presidente Delcy Rodríguez deve assumir a liderança do país conforme determinação do Supremo Tribunal de Justiça da Venezuela. O’Connell analisa que a remoção de Nicolás Maduro do poder, embora impactante, não resulta em uma clara vitória para a democracia, mas sim em um desprezo pelas normas legais.
“Apesar da ilegalidade em que Maduro foi removido, isso não transformará significativamente o panorama político na Venezuela”, observa a professora.
O’Connell enfatiza que a verdadeira liderança global é alcançada pelas nações que respeitam e obedecem às leis internacionais, e não por aquelas que buscam soluções pela força. Ela ressalta a necessidade de enfrentar problemas como o tráfico de drogas de forma legal e estruturada, por meio do apoio ao Estado de Direito.
Entenda o Contexto
No último sábado (3), explosões foram registradas em Caracas enquanto as forças norte-americanas executavam a operação militar. A captura de Maduro e sua esposa, Cilia Flores, e sua transferência para Nova York marcam uma nova fase nas intervenções militares diretas dos EUA na América Latina, comparando-se à invasão do Panamá em 1989.
Os Estados Unidos alegam que Maduro lidera um cartel de drogas, mas críticos da operação questionam a existência do tal cartel e acusam a ação de ser uma manobra geopolítica para conter a influência da China e da Rússia na região, além de garantir o controle sobre as vastas reservas de petróleo da Venezuela.
*Com informações da Reuters.
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