O Instituto Água e Terra (IAT) articulou o atendimento especializado de 47 ovos de aves silvestres nativas do Brasil apreendidos na terça-feira (3), no Aeroporto Internacional de Foz do Iguaçu, no Oeste do Paraná. A ação foi conduzida pelo escritório regional do Instituto no município, em parceria com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a Polícia Federal e a Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS). O IAT é vinculado à Secretaria de Estado do Desenvolvimento Sustentável (Sedest).
Os ovos estavam na bagagem de um turista chinês e tinham a Ásia como destino. Depois da apreensão, a Polícia Federal encaminhou o passageiro à delegacia e acionou o Ibama, que deu continuidade aos procedimentos administrativos e à definição da destinação dos ovos.
A UFFS recebeu o material no Hospital Veterinário do campus de Realeza, no Sudoeste do Paraná. Os ovos permanecem sob monitoramento. Eles pertencem a aves das famílias dos psitacídeos, como araras, papagaios e periquitos, além de representantes dos ramphastídeos, grupo que inclui tucanos e araçaris.
A destinação exigiu uma resposta diante da elevada demanda por atendimento de fauna silvestre na região. Cerca de 15 dias antes, a Polícia Federal havia apreendido outros 36 ovos durante uma fiscalização em um ônibus. A ocorrência aumentou a ocupação da estrutura regional e reduziu a disponibilidade dos parceiros habituais para receber novos animais.
Diante desse cenário, o IAT, por meio da regional de Foz do Iguaçu, assumiu a articulação para encontrar uma alternativa de atendimento. Em conjunto com o Ibama, o Instituto mobilizou instituições públicas, representantes da sociedade civil e parceiros da iniciativa privada para viabilizar o encaminhamento dos 47 ovos à UFFS, em Realeza.
“Juntos, Ibama e IAT trabalharam em uma estratégia para garantir o atendimento aos ovos e a sobrevivência dos animais”, destaca o engenheiro florestal e servidor do IAT de Foz do Iguaçu, Henrique Ferreira Chaves.
A estrutura de incubação também contou com a colaboração de um empreendimento privado, que emprestou a chocadeira utilizada no desenvolvimento dos embriões. O transporte dos ovos até a universidade foi feito pela equipe do próprio IAT.
Os primeiros ovos já estão em processo de eclosão. O IAT acompanha o nascimento dos filhotes, identifica as espécies e contabiliza os animais sobreviventes. As informações são encaminhadas ao Ibama, responsável pelos procedimentos administrativos, e compartilhadas com a Polícia Federal, para mantê-la informada sobre os resultados da operação.
Segundo o IAT, as duas apreensões realizadas em um intervalo de aproximadamente 15 dias envolveram turistas chineses com destino à Ásia. As ocorrências evidenciam a dimensão internacional do tráfico de animais silvestres e a pressão sobre a fauna nativa brasileira.
A atuação do órgão ambiental paranaense foi necessária para encontrar uma alternativa de destinação diante da demanda por atendimento especializado, especialmente durante a primavera, período em que há expectativa de aumento dos atendimentos de animais silvestres vitimados.
“A iniciativa reforça a importância da atuação integrada dos órgãos ambientais, das instituições de segurança pública, das universidades e da iniciativa privada no enfrentamento do tráfico de animais silvestres e na proteção da biodiversidade”, afirma Henrique Ferreira Chaves.
Com informações da Agência Estadual de Notícias do Paraná.
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