O documentário A Dança do Tempo, que recupera os 25 anos de trajetória da G2 Cia. de Dança, do Centro Cultural Teatro Guaíra, foi selecionado para o Festival Cine Tornado. O evento será realizado de 12 a 14 de novembro, na Cinemateca de Curitiba, e a sessão do filme está marcada para 13 de novembro, às 17h. A entrada é gratuita.
Com 41 minutos de duração, o documentário foi produzido em dezembro de 2025, durante as comemorações dos 25 anos da companhia. A direção é de Fabio Simioni Freitas, servidor de carreira do Estado que atua no Teatro Guaíra. A produção teve apoio da EPR Comunicação, do Centro Cultural Teatro Guaíra e da Secretaria de Estado da Cultura.
“A ideia surgiu de uma profunda admiração por esse grupo que tem um trabalho superbonito, que acompanho desde sempre e que merece ser visto por outras pessoas fora do Paraná. A direção do teatro e os integrantes da G2 toparam a ideia e, então, iniciamos a produção com o objetivo de documentar essa história que é de muita superação desses bailarinos”, explicou Freitas.
Depois da participação no Cine Tornado, a expectativa é levar o documentário a outros festivais. “Meu objetivo com este trabalho é mostrar ao maior número possível de pessoas para conhecerem o trabalho da G2 Cia de Dança. Esse documentário deverá também ser posteriormente disponibilizado no canal oficial do Teatro Guaíra no YouTube”, comentou o diretor.
Construído a partir de depoimentos dos integrantes da companhia, imagens de ensaios e apresentações e registros de arquivo, A Dança do Tempo aborda os desafios de permanecer na dança profissional, as transformações do corpo ao longo dos anos e as motivações que levam os bailarinos a continuar nos palcos. A proposta é mostrar como a experiência acumulada pode se transformar em novas possibilidades de expressão artística.
O documentário também discute a permanência na carreira. O trabalho de um bailarino profissional exige preparação física intensa e está sujeito a grandes demandas corporais, o que frequentemente leva artistas a buscar outros caminhos profissionais depois do período de atuação nos palcos.
A trajetória da G2 propõe outro olhar sobre a relação entre tempo e dança, ao reconhecer a maturidade como uma possibilidade de criação e continuidade artística. Os relatos dos integrantes mostram como a experiência acumulada pode ampliar os repertórios expressivos e contribuir para novas formas de investigação do movimento.
“A G2 tem um trabalho singular e único no mundo e está inscrito em um debate contemporâneo dos limites e do trabalho saudável do próprio corpo. É isso que o documentário traz: esta poética do grupo, que é linda e de alguma maneira vai reverberar em outros lugares. Ver esta companhia e seu trabalho, mostrado com tanta delicadeza neste documentário, é fundamental”, comentou o diretor da G2 Cia de Dança, Ivan Andrade.
Além do documentário, a G2 Cia de Dança prepara o lançamento de um perfil próprio no Instagram, o @g2teatroguaira. A previsão é que o canal seja lançado em novembro, como complemento aos perfis institucionais do Centro Cultural Teatro Guaíra. A página reunirá informações sobre espetáculos, bastidores, processos criativos e registros da história da companhia.
A iniciativa faz parte do trabalho de organização e preservação do acervo do grupo, que inclui o levantamento de fotografias, programas, registros audiovisuais e outros documentos produzidos ao longo de sua trajetória.
“Este canal cria diálogos com outros corpos artísticos e servirá também para criar novas pontes, criando um espaço de diálogo com o público. O grupo está entrando numa nova etapa, em seu momento mais maduro e belo, e este instagram também faz parte desta nova etapa”, explicou o diretor da G2 Cia. de Dança.
“Estamos em um novo momento da companhia, organizando o acervo da G2 Cia de Dança e fazendo o levantamento de fotografias, programas, registros audiovisuais e outros documentos produzidos ao longo de seus 26 anos de trajetória. A expectativa é também disponibilizar esse acervo gradualmente ao público por meio das redes sociais, fortalecendo a preservação da memória da companhia e aproximando sua história de novas gerações”, finalizou Andrade.
Criada em dezembro de 1999, a G2 Cia. de Dança nasceu no Centro Cultural Teatro Guaíra com o propósito de dar continuidade à trajetória profissional de bailarinos do Balé Teatro Guaíra, valorizando a maturidade artística e a experiência adquirida ao longo dos anos.
Atualmente, a companhia é descrita como a única companhia pública de bailarinos master em atividade na América Latina. A estreia ocorreu em julho de 2000, com os espetáculos Instável Sonata, de Adriana Grechi, e Pare, pense, faça alguma coisa!, de Tuca Pinheiro. Desde então, o grupo desenvolve uma linguagem própria, que articula dança contemporânea, teatro, improvisação e pesquisa de movimento.
A proposta da G2 Cia de Dança também se diferencia pelo processo de criação dos espetáculos. Os integrantes atuam como intérpretes-criadores e participam diretamente da concepção das obras, incorporando suas experiências e pesquisas de movimento ao resultado artístico.
A companhia foi inspirada em uma iniciativa da companhia de dança holandesa Nederlands Dans Theater, que criou, em 1991, um grupo formado por bailarinos maduros: o Nederlands Dans Theater 3 (NDT 3). Concebida pelo coreógrafo Jiří Kylián, a companhia valorizava as particularidades expressivas de artistas experientes e apresentava novas possibilidades para a dança contemporânea. O NDT 3 encerrou suas atividades em 2006, mas deixou um legado na discussão sobre a permanência de bailarinos maduros nos palcos.
A G2 Cia. de Dança conta com nove integrantes: Cintia Andrade, Clionise de Barros, Daisy Wor, Grazianni Canalli, Julio Mota, Leandro Nascimento, Neuri Gayo, Ricardo Garanhani e Rogério Halila.
Com informações da Agência Estadual de Notícias do Paraná.
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