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Após oito anos nas ruas, Kelly comemora aniversário em comunidade terapêutica de Curitiba

Depois de passar oito anos nas ruas de Curitiba e fazer uso de drogas ilícitas, Kelly voltou a comemorar o aniversário. Há pouco menos de dois meses, ela celebrou a chegada dos 39 anos na comunidade terapêutica para onde aceitou ir e que se tornou seu endereço desde março. A comemoração teve bolo e o tradicional “Parabéns pra Você”, cantado pelas colegas de internamento e pela equipe do local.

Kelly é a mulher que, em janeiro, chamou a atenção da opinião pública ao ser internada involuntariamente para tratar a dependência química. Muito magra, suja, alterada e andando entre os veículos na Avenida das Torres, no Jardim Botânico, ela foi a primeira pessoa internada conforme a Portaria Conjunta nº 2, publicada em dezembro passado. A ação foi realizada por equipes da Secretaria Municipal da Saúde, da Fundação de Ação Social (FAS) e da Guarda Municipal.

Segundo o secretário municipal de Desenvolvimento Humano (SMDH), Carlos Eduardo Pijak Júnior, Kelly estava em uma situação de risco e também colocava outras pessoas em perigo. “Ela estava em risco e pondo terceiros em risco. Não podíamos simplesmente ficar torcendo para que ela procurasse ajuda”, relembrou.

Pijak visitou o serviço de acolhimento acompanhado da secretária municipal da Saúde, Tatiane Filipak, e do presidente da Fundação de Ação Social (FAS), Renan Rodrigues. A visita teve o objetivo de acompanhar o resultado do trabalho conjunto realizado pela Prefeitura para ajudar pessoas em situação de dependência química.

Após o tratamento, Kelly aceitou seguir para a comunidade terapêutica. Ela reconhece que, na época da internação, não tinha condições de fazer escolhas e representava uma ameaça ambulante.

“Se eu tivesse continuado na rua, podia ter acontecido algo pior comigo: a prisão ou uma overdose. Agora, tenho esperança e fé no futuro”, disse Kelly.

Entre a internação para estabilização psíquica e o acolhimento voltado à reabilitação, foram dez meses. Nesse período, Kelly ganhou peso, passou a usar maquiagem suave, recebe visitas com beijos e abraços e se dedica ao artesanato. Durante a visita, ela mostrou um trabalho de crochê e contou: “Isso aqui vai ser um trilho de mesa”.

Para Maria Amélia Natel Kugler Mendes, gerente de Cuidado e Reinserção Social do Departamento de Política sobre Drogas da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Humano (SMDH), a evolução de Kelly é animadora.

“É um avanço e tanto para quem chegou aqui tendo que reaprender regras básicas de convivência, como usar o vaso sanitário e escovar os dentes”, comparou a técnica, que acompanha a evolução das pessoas em situação de dependência química encaminhadas pela Prefeitura à rede conveniada de comunidades terapêuticas.

A família é um dos incentivos de Kelly para permanecer na comunidade terapêutica até o último dia de acolhimento, previsto para depois da virada do ano. “Vou ficar aqui até quando der e, então, morar com meu irmão e meu filho mais velho. Também quero me reaproximar dos meus outros dois filhos”, planejou.

O gestor do serviço de acolhimento afirmou que o apoio familiar é fundamental para a evolução da acolhida. “É uma família muito presente e amorosa, que não se desinteressou dela mesmo nos dias mais difíceis e já esteve várias vezes aqui. Ela percebe esse amor e quer devolver”, explicou.

Agora com documentos e cadastrada para receber benefícios sociais, como o Bolsa Família, Kelly também faz planos para o futuro. Entre eles estão levar o filho mais velho para comer em uma famosa lanchonete e economizar para comprar os móveis necessários para a casa do irmão.

Com informações da Prefeitura de Curitiba.

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