A busca por atualização para atender crianças e adolescentes neurodivergentes levou parte da equipe da Central Integrada de Apoio Familiar (Ciaf) ao II Seminário pelo Desenvolvimento Humano desde a Infância, realizado nesta sexta-feira (9/10), no Salão de Atos do Parque Barigui. O encontro reuniu 326 participantes e praticamente lotou o espaço.
Segundo Simone Martins, a Ciaf atende 27 crianças, sendo três diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) nível 1 de suporte, classificação que engloba pessoas com mais autonomia. Ela explicou que a unidade adapta a dinâmica para garantir a participação de todos.
“Nosso objetivo, é incluir a turma de modo que todos aproveitem as atividades. Por isso, orientamos e damos aos neurodivergentes a oportunidade de escolher ficar em sala ou buscar outros espaços na unidade onde eles podem se sentir melhor, por exemplo, por causa do barulho”, explicou Simone Martins.
Neurodivergências são um conjunto de características de pessoas com funcionamento cerebral não convencional. O TEA é uma das modalidades de neurodivergência. De acordo com o censo populacional realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Curitiba tinha, em 2022, 24.998 moradores com TEA, o equivalente a 2% da população geral da cidade. Desse total, 8.361 tinham entre 0 e 14 anos.
Também estão entre as neurodivergências o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e as altas habilidades. Essas condições fazem com que o cérebro processe informações, aprenda, se comunique e interaja de modo singular.
A rede municipal de ensino de Curitiba atende 4.216 estudantes com TEA e outros 79 que têm esse diagnóstico associado a altas habilidades e superdotação. Na rede municipal de saúde, 2 mil crianças com TEA são acompanhadas no Ambulatório Encantar, da Prefeitura, e em clínicas contratadas.
O seminário foi promovido pelo Departamento da Criança, Adolescente e Migrante da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Humano (SMDH), em parceria com o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (Comtiba). O público-alvo foi formado por profissionais das áreas de saúde, educação, ação social, segurança, justiça e Terceiro Setor.
O evento foi presidido pelo secretário da SMDH, Carlos Eduardo Pijak Júnior, que participou da mesa de abertura ao lado de representantes da Fundação de Ação Social (FAS) e das secretarias municipais da Educação e da Saúde.
“Se estamos abertos ao que existe de novo na área do conhecimento especializado, é para melhor atender a esse público e garantir a manutenção e o respeito aos seus direitos”, disse Pijak, que também contou à plateia ter um filho com TEA. “Oportunidades, proteção e pertencimento é o que eles precisam”, afirmou.
Participaram como palestrantes a neurologista Fernanda Wagner Fredo dos Santos; a psicóloga e professora do Departamento de Teoria e Fundamentos da Educação da Universidade Federal do Paraná Maria de Fátima Minetto; e a mestre em Educação com foco no TEA Mariana Minetto. As participantes abordaram temas como neurodesenvolvimento, família e neurodiversidade, manejo de crises e conhecimento e atendimento na prática.
O seminário terminou com uma mesa-redonda que reuniu os psicólogos Camila Cardoso Rauen, Cláudia Mazziotti Moreira Rabel e Eduardo Cassanho de Oliveira, além da mãe atípica Mayara Ferreira Budel.
Com informações da Prefeitura de Curitiba.
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