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Documentário registra radionovela encenada por idosos em Curitiba

Cerca de 20 idosos do Espaço ConViver Boa Vista, da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Humano (SMDH), assistiram nesta terça-feira (29/9), na Cinemateca de Curitiba, ao documentário produzido a partir dos preparativos para a encenação da radionovela O Menino da Porteira. O projeto é do grupo Triska Cultural e conta com apoio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura.

O documentário tem 40 minutos e mostra parte da rotina de ensaios realizada durante os 15 encontros da equipe com os idosos, além do dia da apresentação, em junho de 2025, no teatro do Memorial Paranista. No início do projeto, havia 36 participantes.

O Menino da Porteira está no Instagram. A radionovela dos 60+ também pode ser vista no YouTube.

“Nós nos divertimos muito e tivemos a oportunidade de participar de algo novo. Foi incrível”, afirmou Marinês Fae, de 66 anos. Inscrita em oficinas de práticas físicas oferecidas pelo Espaço ConViver para a promoção do envelhecimento saudável, ela participou do coral da radionovela.

O secretário da SMDH, Carlos Eduardo Pijak Júnior, cumprimentou o grupo pela iniciativa. “É por essa forma de envelhecimento, saudável, inclusivo e criativo, que a gestão do prefeito Eduardo Pimentel trabalha. São pessoas como vocês, exemplos para quem ainda não é 60+, mas vai ser, que Curitiba é a Cidade Amiga da Pessoa Idosa que vocês conhecem”, disse.

Referências afetivas e interatividade

A radionovela é um gênero dramático que teve grande popularidade no Brasil entre as décadas de 1940 e 1950. A adesão do público ao formato era semelhante à observada atualmente com as séries de televisão e as telenovelas. Antes de se tornarem conhecidos do público, atores como Laura Cardoso, Paulo Gracindo e Fernanda Montenegro emprestaram a voz a personagens de radionovelas.

Segundo o produtor musical e gestor de projetos culturais Lucas Marcelli, a iniciativa tem entre seus objetivos combater o etarismo na arte. “Cresci ouvindo que alguém começou tarde na área ou que música é coisa de criança. Na verdade, arte não tem idade e o fato de a maioria desses idosos terem se preparado para subir ao palco pela primeira vez prova isso”, diz Marcelli.

O produtor contou ainda que pensava nos avós enquanto desenvolvia o roteiro de O Menino da Porteira. “Eles tinham o rádio e a música como algo muito presente e eu queria muito que eles tivessem participado, mas morreram enquanto a gente aguardava a aprovação do projeto. Em compensação, ganhei muitos avôs e avós nesse lugar maravilhoso que é o Espaço Conviver”, revelou.

De acordo com o coordenador do projeto, Gustavo Wisniewski, o desenvolvimento da radionovela foi interativo. “Eles ajudaram a selecionar as músicas, que dialogam com a vivência cultural deles. Essa participação ajuda a explicar a receptividade alcançada pela proposta. Esperamos dar continuidade a ela e alcançar ainda mais idosos”, conclui.

Com informações da Prefeitura de Curitiba.

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