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Curitiba testa hidrossemeadura para proteger margens de rios e reduzir erosão

A Prefeitura de Curitiba iniciou um teste de hidrossemeadura para proteger as margens dos rios e reduzir o deslocamento de terra para os leitos durante as chuvas. O projeto-piloto é realizado pela Secretaria Municipal de Obras Públicas (Smop) em um trecho do Rio Vila Formosa, no Fazendinha.

A técnica aplica sobre o solo, com um jato de alta pressão, uma mistura líquida de sementes, água, fertilizantes, adesivos e matéria orgânica. A expectativa é que as raízes das gramíneas ajudem a conter a terra, diminuam a erosão e aumentem a durabilidade dos serviços de limpeza e desassoreamento dos rios.

O teste ocorre em aproximadamente 200 metros das margens do Rio Vila Formosa, na Rua Adorides de Jesus Cruz Camargo, no Fazendinha, próximo à foz, onde o rio encontra o Rio Barigui.

A semeadura foi feita na quarta-feira (16/9) e na quinta-feira (17/9). O trecho será acompanhado nos próximos meses pelas equipes do Departamento de Pontes e Drenagem da Smop. A previsão é que a germinação das gramíneas comece nos 15 dias seguintes e que, em cerca de 90 dias, a vegetação forme uma cobertura significativa do talude, iniciando a proteção das margens.

A combinação de sementes, fertilizantes e matéria orgânica acelera a germinação, ajuda a reter a umidade, protege o solo e aumenta a estabilidade das encostas. Diferentemente de uma cobertura convencional de grama, o teste utiliza espécies de gramíneas escolhidas pela capacidade de desenvolver raízes profundas e contribuir para a contenção natural das margens.

As espécies podem florescer em diferentes períodos do ano e desenvolver raízes com profundidade aproximada de 2 a 5 metros. A expectativa é formar uma estrutura vegetal que ajude a manter o solo no lugar e reduza a erosão provocada pela ação da água.

Desde janeiro de 2025, mais de 106 km de rios de Curitiba receberam serviços de limpeza, desobstrução e desassoreamento, em 350 intervenções realizadas pelo Município. A cidade tem 106,7 km de rios limpos e desassoreados como parte das ações de prevenção a alagamentos.

O teste integra uma estratégia de manutenção dos cursos d’água que combina a retirada de resíduos e sedimentos com medidas preventivas para reduzir a entrada de terra novamente nos leitos. Segundo o secretário municipal de Obras Públicas, Luiz Fernando Jamur, a avaliação vai verificar se a vegetação pode contribuir para proteger as margens e aumentar a eficiência dos serviços de drenagem e prevenção de alagamentos.

“Vamos avaliar se a vegetação pode ser usada como parte da solução, uma vez que as raízes devem ajudar a segurar as margens. A cobertura vegetal protege o solo e menos sedimentos chegam ao rio. Se os resultados forem positivos, a técnica poderá se tornar mais uma ferramenta utilizada pelo Município para cuidar dos rios e aumentar a eficiência dos serviços de drenagem e prevenção de alagamentos”, diz Jamur.

O diretor do Departamento de Pontes e Drenagem, Paulo Vitor Lucca, afirma que a medida também busca reduzir o carreamento de solo e sedimentos para o interior do rio. “Além de proteger o curso d’água, a medida busca reduzir o carreamento de solo e de sedimentos para o interior do rio. Com menos material sendo depositado no leito, os serviços de limpeza e desassoreamento tendem a apresentar maior durabilidade”, explica.

A hidrossemeadura não é uma medida inédita e costuma ser utilizada em encostas. O teste em Curitiba avalia a aplicação da técnica em um curso d’água. “É amplamente usada, mas geralmente aplicada em encostas, pouco usada em curso d'água como estamos testando”, explica Lucca.

Por enquanto, a hidrossemeadura é utilizada de forma experimental. Nos próximos meses, as equipes da Smop vão acompanhar o desenvolvimento da vegetação e observar o comportamento das espécies. A análise levará em conta a eficiência da técnica na proteção das margens, os custos envolvidos e a durabilidade da solução.

“A partir dos resultados, será avaliada a viabilidade de ampliar a utilização dessa técnica para outros rios e córregos de Curitiba”, afirma Lucca.

Com informações da Prefeitura de Curitiba.

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