No dia 27 de maio, o Centro Cultural Teatro Guaíra (CCTG) celebra os 28 anos do Teatro José Maria Santos. Para marcar a ocasião, foi lançado o documentário “Teatro José Maria Santos: Estamos Juntos!”, que retrata a história do espaço e homenageia o legado do ator e diretor que contribuiu para a cena cultural paranaense. O filme está disponível no canal do YouTube do CCTG.
Documentário Dividido em Três Partes
Com duração de 23 minutos, o documentário apresenta a conexão entre a história do teatro e as lutas dos artistas envolvidos na sua preservação. O material inclui depoimentos de figuras importantes que se mobilizaram durante momentos críticos, como a ameaça de demolição do prédio histórico para a construção de um estacionamento.
Os Primeiros Anos e a Luta Moral
Durante a década de 1980, a produção teatral em Curitiba enfrentou inúmeras dificuldades. Havia uma escassez de espaços disponíveis, e muitos permaneciam vazio. O ator Enéas Lour, que deixou seu testemunho antes de falecer, mencionou um período de intensas discussões entre os artistas sobre a necessidade de suporte governamental para as artes cênicas, defendendo a criação de um espaço próprio para o teatro.
A Criação do Teatro da Classe
Em resposta a essa demanda, José Maria Santos fundou o Teatro da Classe no início dos anos 80, em um prédio do século XIX na Rua 13 de Maio. Originalmente, o local era utilizado para ensaios de escolas de samba e, após se transformar em teatro, abrigou também uma escola de dança e um restaurante.
História do Teatro 13 de Maio
A primeira apresentação do espaço ocorreu em março de 1982. Com o passar do tempo, a gestão do teatro foi dividida entre diferentes grupos, resultando na rebatização do local como Teatro 13 de Maio. O novo espaço diversificou sua programação, incluindo várias manifestações artísticas, mas também enfrentava a ameaça de despejo e demolição.
Mobilização da Classe Artística
A manutenção do teatro se deu por meio da união de diversas companhias, destacando a participação de artistas renomados como Gilberto Gil e Paulo Leminski em eventos e campanhas de preservação. Em 1988, o prédio foi tombado pelo Patrimônio Cultural do Paraná, e em 1991 recebeu oficialmente o nome de Teatro José Maria Santos, um tributo ao seu fundador.
Legado e Reconhecimento
O documentário “Teatro José Maria Santos: Estamos Juntos!” também serve para refletir sobre a importância da preservação cultural. A memória de José Maria Santos permanece viva, destacando sua contribuição inestimável à cena teatral paranaense. Segundo Cleverson Cavalheiro, ex-aluno de Santos, ele observa com orgulho o legado que seu mentor deixou na cultura curitibana.
Contribuições de José Maria Santos — Ao longo de mais de 30 anos, José Maria não só atuou como ator e diretor, mas também se destacou como produtor e professor, moldando gerações. Suas ações foram fundamentais para a constituição do Sindicato dos Artistas e fortaleceram o teatro paranaense, que hoje leva seu nome.
O reconhecimento do seu talento foi além das fronteiras de Curitiba. Em 1977, ele ganhou o Kikito de Ouro no Festival de Gramado, destacando sua interpretação no filme “Aleluia Gretchen”. Atualmente, a estatueta está em exibição no Teatro José Maria Santos, preservando sua memória e influência na cultura do Paraná.



