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Ciência e comunidade se unem na luta contra a dengue nas Américas

Recentemente, o mapa de surtos de dengue nas Américas tem passado por mudanças significativas, impulsionadas pela crise climática. O mosquito Aedes aegypti tem avançado para regiões dos Estados Unidos, incluindo Texas e Flórida, além das áreas tropicais tradicionais.

O enfrentamento da dengue evolui de uma questão puramente médica para uma urgência social e econômica. Em palavras do diretor da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), Jarbas Barbosa, a saúde é um pilar essencial para a força de trabalho e, consequentemente, para a economia.

Carência de Profissionais de Saúde

Barbosa alerta que, até 2030, a América Latina poderá enfrentar um déficit de até 1 milhão de profissionais de saúde. Para mitigar essa situação, a Opas investe na educação digital, oferecendo capacitação através de seu campus virtual, o que visa garantir que “o conhecimento chegue aonde o mosquito ataca”.

Aiea/Dean Calma
Estatística ressalta que a maioria esmagadora dos focos nasce dentro do seio familiar

Inovação na Luta contra o Vírus

O uso da ciência moderna também vem transformando a abordagem de combate ao mosquito. Em vez de apenas tentar erradicar a espécie, novas estratégias buscam “desarmá-lo” utilizando a bactéria Wolbachia, que, ao infectar o mosquito, impede sua contaminação pelo vírus da dengue, conforme explica Barbosa.

Foto: Kate Mayberry/Irin
Nova estratégia passa por desarmar o mosquito

A Opas também investe em tecnologias que envolvem radiação para a esterilização de mosquitos e na expansão da capacidade vacinal, com destaque para a produção regional pelo Instituto Butantan no Brasil, formando um novo arsenal de tecnologias para proteger a população.

Movimento Começa em Casa

Contrariamente ao que muitos possam pensar, a verdadeira batalha contra a dengue se dá nos quintais. Jarbas Barbosa enfatiza que cerca de 80% a 85% dos focos do mosquito estão localizados nas residências. “Se cada família cuidar da sua casa e as autoridades monitorarem os espaços públicos, poderemos reduzir significativamente a população de mosquitos”, afirma.

Medidas simples, como o uso de areia em vasos de plantas e a limpeza de calhas, podem ser facilmente adotadas por qualquer cidadão.

Saúde como Pilar Econômico

Barbosa destaca a lição que a pandemia de Covid-19 deixou: uma sociedade doente é uma sociedade estagnada. Portanto, ele afirma que investir em saúde não é um custo, mas sim o fundamento do desenvolvimento sustentável. A saúde deve ser a prioridade de governos e sociedade, pois, se o sistema de saúde falhar, o impacto será sentido tanto na economia quanto na sociedade.

A Opas defende uma abordagem abrangente, que inclua tanto a saúde digital quanto a saúde mental. Preparar-se para futuras epidemias começa com investimentos imediatos nas estruturas de saúde.

*Eleutério Guevane é jornalista-sênior da ONU News.

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