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Pesquisa da UEM transforma cascas de beterraba em corante natural para gelatinas

A Universidade Estadual de Maringá (UEM) desenvolveu um projeto inovador no seu Restaurante Universitário (RU), onde cascas de beterraba são transformadas em um corante natural para balas de gelatina. Esta iniciativa busca substituir os corantes sintéticos por uma opção mais saudável, alinhada com a crescente demanda por produtos alimentícios nutritivos.

Processo de Produção Sustentável

O processo começa com a coleta das cascas de beterraba no RU, seguido por uma rigorosa higienização e desidratação em estufa a 50º C por aproximadamente 20 horas. Esse método visa preservar os compostos bioativos presentes na casca, que é nutricionalmente mais rica do que a polpa.

Após a secagem, as cascas são trituradas até se tornarem uma farinha, concentrando compostos fenólicos, minerais e antioxidantes. A mestranda Larissa Lira Delariça Navarro, que coordena a pesquisa, destaca que essa técnica é de fácil reprodução, podendo ser utilizada em ambientes industriais e domésticos com equipamentos simples.

Benefícios Nutricionais das Balas

A farinha de beterraba, além de ser usada como corante natural nas balas, enriquece o produto com antioxidantes que podem auxiliar na prevenção de doenças, combatendo radicais livres e apresentando propriedades anti-inflamatórias e antienvelhecimento. Pesquisas mostram que o sabor da beterraba não impacta negativamente na aceitação do produto, o que é crucial para garantir a adesão dos consumidores.

As balas são formuladas com suco natural de maçã, gelatina e ácido cítrico, proporcionando um sabor doce e um equilíbrio de acidez, semelhante ao das balas industrializadas, mas com uma composição mais natural.

Tendências do Mercado Alimentício

Segundo o professor Oscar de Oliveira Santos Jr, o mercado já percebe uma tendência de enriquecimento nutricional, com produtos que incorporam ingredientes como linhaça e ômega-3. A expectativa é direcionar esta tendência para alimentos que contenham antioxidantes naturais, atendendo a um público mais consciente em relação à qualidade da alimentação.

Futuras Pesquisas e Expansão do Projeto

O estudo com a beterraba serve como um pontapé inicial para novas investigações. A equipe já iniciou a pesquisa com cascas de cenoura e cebola, aplicando o mesmo processo de secagem. A intenção é identificar os compostos nessas cascas e analisar como podem ser incorporados em diversos alimentos, aumentando assim o seu valor nutricional.

Viabilidade Econômica e Sustentabilidade

Outro aspecto relevante do projeto é a viabilidade econômica. O processo utiliza técnicas já conhecidas, com baixo consumo de energia e custos de produção reduzidos. A proposta é transformar resíduos em ingredientes de valor agregado, contribuindo para a sustentabilidade.

A implementação do modelo terá início no RU, que serve mais de três mil refeições diariamente, e as receitas resultantes do estudo serão disponibilizadas em sua cozinha antes de serem oferecidas à comunidade externa.

Etapas Futuras

Com seis meses de desenvolvimento, a pesquisa avança para novas etapas, incluindo testes de aplicação e definição das concentrações ideais dos ingredientes. A expectativa é que em breve, as novas formulações sejam disponibilizadas no mercado e também integradas ao cardápio do Restaurante Universitário.

Foto: UEM

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