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Mauro Vieira defende acordo de cooperação com os EUA para combater crime organizado

18/03/2026 – 16:53

Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados

Mauro Vieira: “Não podemos deixar que a soberania nacional esteja sob risco”

Em uma audiência recente na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara dos Deputados, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, abordou a postura do Brasil em relação à guerra no Oriente Médio. O ministro também teve que justificar a resistência do governo em aceitar que os Estados Unidos considerem organizações criminosas brasileiras como terroristas.

Posição do Governo Brasileiro

O deputado General Pazuello (PL-RJ) defendeu que o Brasil deve estabelecer uma postura firme de apoio aos Estados Unidos. “Não podemos permitir que um governo como o do Irã massacre dezenas de milhares de pessoas sem consequências”, afirmou, enfatizando a necessidade de ação contra o regime iraniano e suas milícias.

Em resposta, Mauro Vieira disse que o Brasil condena tanto as ações dos EUA e de Israel quanto as do Irã. O ministro explicou que os ataques iniciados em 28 de fevereiro ocorreram enquanto as partes estavam envolvidas em negociações sobre o programa nuclear iraniano, mediadas pelo governo de Omã.

A opinião do Congresso

O deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) mencionou a demissão de Joe Kent, diretor de contraterrorismo dos Estados Unidos, que alegou que o Irã não representa uma ameaça direta à segurança dos EUA. Em contrapartida, o deputado Lucas Redecker (PSDB-RS) apoiou a intenção americana de classificar organizações criminosas brasileiras como terroristas, acreditando que isso facilitaria a adoção de sanções.

Cooperação no Combate ao Narcotráfico

Sobre o assunto, Mauro Vieira destacou que o Brasil pretende formalizar um acordo com os EUA para o combate ao narcotráfico, com foco na cooperação. O ministro também reforçou que o Congresso não aprovou a classificação de organizações terroristas, o que evitaria a possibilidade de intervenção militar americana em solo brasileiro. “Não podemos deixar nossa soberania em risco”, enfatizou.

Parcerias com a China

O ministro também respondeu a questionamentos sobre a suposta presença de bases militares chinesas no Brasil. Vieira mencionou o telescópio Bingo, que é fruto de uma colaboração entre instituições científicas de Brasil, Reino Unido, África do Sul e China para pesquisar fenômenos científicos. Ele garantiu que não há relação com atividades de espionagem ou militares.

Além disso, sobre a mencionada “estação tucano”, o ministro assegurou que este projeto de telecomunicações não foi concretizado, sendo apenas uma proposta de uma empresa privada.

Reportagem – Silvia Mugnatto
Edição – Roberto Seabra

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