17/03/2026 – 20:57
Bruno Spada/Câmara dos Deputados
Promulgação do acordo foi celebrada por autoridades presentes na cerimônia.
A promulgação do acordo entre o Mercosul e a União Europeia, após 26 anos de negociações, marca um importante passo em direção à criação de uma zona de livre comércio. A cerimônia contou com a participação de deputados e senadores, que comemoraram a conclusão do tratado.
Vantagens para os Mercados
O presidente do Senado, David Alcolumbre, destacou que 95% das exportações brasileiras para a Europa ficarão isentas de impostos. De forma recíproca, 92% dos produtos europeus também chegarão ao Mercosul sem tributações. Para o relator do projeto na Câmara, deputado Marcos Pereira (Republicanos-SP), o tratado deve entrar em vigor em cerca de 60 dias.
“Este acordo representa mais de 700 milhões de consumidores nos dois blocos, praticamente 1/5 da economia global. Estudos indicam que para cada bilhão em exportações adicionais para a União Europeia, aproximadamente 22 mil empregos serão criados no Brasil”, afirmou Pereira.
Impacto Econômico e Integração Regional
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), ressaltou que este é o maior acordo comercial já assinado pelo Mercosul, abrangendo um mercado com um Produto Interno Bruto (PIB) que supera US$ 22 trilhões.
Novas Iniciativas Comerciais
O vice-presidente da República, Geraldo Alkmin, anunciou a chegada de novos projetos de acordos de livre comércio no Congresso. Entre eles, um acordo com Singapura e outro com a Associação Europeia de Livre Comércio. Segundo Alkmin, a soma destes tratados, juntamente com o acordo com a União Europeia, deve aumentar de 12% para 31% a parcela do comércio brasileiro regulada por acordos internacionais.
Apostando na Estabilidade Internacional
Os participantes da solenidade de promulgação enfatizaram que o acordo vai além das cifras, representando um compromisso com a estabilidade internacional por meio da parceria e da paz. O deputado Marcos Pereira lembrou que as negociações tiveram início em 1999, durante uma cúpula no Rio de Janeiro. O texto final foi aprovado pelo Parlamento do Mercosul em 17 de janeiro deste ano, antes de seguir para as votações na Câmara e no Senado.
Na Europa, o Parlamento aprovou a proposta em 9 de janeiro, mas, sob pressão da França, solicitou ao Tribunal de Justiça da União Europeia uma avaliação jurídica do acordo. Apesar disso, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, garantiu que o bloco aplicará provisoriamente as normas a partir de maio, mesmo com a incerteza jurídica.
Reportagem – Maria Neves
Edição – Ana Chalub
