Uma nova pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) revela que apenas 56% dos empresários industriais pretendem investir em 2026, uma queda significativa em comparação aos 72% registrados no ano anterior. O levantamento, intitulado “Investimentos na Indústria 2025-2026”, foi divulgado na última terça-feira (17) e aponta que o cenário econômico atual está desafiando os planos de investimento das empresas do setor.
Planos de Investimento
Dos empresários que planejam investir, 62% apostarão em projetos já existentes, enquanto 31% buscarão implementar novas iniciativas.
Por outro lado, 23% dos industriais afirmam que não têm intenção de realizar investimentos em 2026, sendo que 38% deles já adiaram ou cancelaram projetos em andamento.
Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI, destaca que o cenário econômico é um dos principais fatores influenciadores.
“O percentual de empresas que não pretende investir é elevado e reflete o cenário adverso que a indústria herdou do ano passado, principalmente por conta dos juros altos”, afirmou Azevedo em comunicado.
Objetivos dos Investimentos
As empresas que decidiram investir têm como foco principal a melhoria de processos e ampliação da produção.
De acordo com a pesquisa, 48% dessas empresas buscam otimizar suas operações, 34% pretendem aumentar a capacidade produtiva, 8% planejam lançar novos produtos e 5% desejam implementar novos processos produtivos.
Financiamento dos Investimentos
A dificuldade no acesso ao crédito persiste como um desafio significativo para o setor industrial.
Cerca de 62% das empresas afirmam que utilizarão recursos próprios para financiar seus investimentos. Apenas 28% buscam financiamento em instituições bancárias, enquanto 11% ainda não definiram a origem dos recursos.
Para Azevedo, a preferência pelo uso de capital próprio é influenciada pelo alto custo do crédito e pelas exigências rigorosas do sistema financeiro.
Foco no Mercado Interno
O mercado brasileiro será o principal destinatário dos investimentos da indústria.
Conforme a pesquisa, 67% dos empresários planejam direcionar seus investimentos em função do mercado interno. Outros 24% irão atuar tanto no mercado interno quanto externo, e apenas 4% priorizarão o mercado internacional.
Balanço de 2025
Em 2025, a CNI registrou que 72% das empresas da indústria de transformação efetivamente realizaram investimentos.
Dentre essas,
36% mantiveram os investimentos de acordo com o planejamento;
29% realizaram aportes parciais;
4% adiaram os investimentos para o ano seguinte;
3% não têm previsão de retomada;
2% postergaram os investimentos e;
2% cancelaram seus projetos.
Obstáculos ao Investimento
Os empresários citam incertezas econômicas como o maior obstáculo a novos investimentos.
A pesquisa apontou que 63% dos empresários consideram esse fator o principal impedimento. Outros desafios incluem a queda na receita (51%), as incertezas do setor (47%), a expectativa de baixa demanda (46%) e problemas tributários (45%).
Azevedo afirma que as altas taxas de juros e as mudanças na política comercial internacional têm exacerbado essa situação.
Investimento em Capital Humano
O investimento em qualificação da mão de obra se destaca entre as prioridades das empresas para 2025.
Quase 80% das companhias que investiram consideraram o desenvolvimento de capital humano — focando em qualificação, produtividade e segurança no trabalho — fundamental.
Inovação tecnológica (76%), impacto ambiental (65%) e eficiência energética (64%) também foram citados como pontos importantes.
Tipologia dos Investimentos
Os investimentos realizados em 2025 concentraram-se em diferentes áreas.
Os principais tipos de investimento incluíram:
73% em compra de máquinas e equipamentos;
50% em modernização de plantas industriais;
38% em recondicionamento de equipamentos;
35% em expansão ou aquisição de instalações.
As empresas também investiram em software, bancos de dados e tecnologia da informação. Apesar das dificuldades enfrentadas, 62% das companhias utilizaram recursos próprios para financiar seus investimentos, com bancos comerciais privados respondendo por 9% e bancos de desenvolvimento por 5%.
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