O combate à violência contra a mulher é tema central das ações promovidas pela Secretaria da Segurança Pública do Paraná (SESP) neste mês de março, dentro do programa Mulher Segura. Com foco na conscientização sobre o feminicídio e violência doméstica, o programa realiza palestras e distribui material informativo em diversas cidades, incluindo a capital. Neste sábado, 14, as iniciativas se intensificam com eventos em Curitiba e municípios do interior, destacando a importância de identificar os cinco tipos de violência: física, psicológica, sexual, patrimonial e moral.
Tipos de Violência Contra a Mulher
A violência física, embora seja a mais comentada, é apenas uma das formas de agressão dirigidas às mulheres. A violência psicológica, por exemplo, pode ser igualmente devastadora, causando danos emocionais profundos. O tenente-coronel da Polícia Militar do Paraná, Cleverson Rodrigues Machado, coordenador do programa Mulher Segura, destaca que muitas vezes esse tipo de agressão passa despercebido. Em uma das ações, ele conheceu uma mulher que, após 20 anos de relacionamento, percebeu, em meio às lágrimas, que sofreu violência psicológica sem saber.
“Ele depreciava seu corpo e sua inteligência, e até hoje, ao vê-lo, ela se esconde”, relata o tenente-coronel, enfatizando que as marcas dessa agressão nem sempre são visíveis, mas são igualmente sérias.
Explorando Outros Tipos de Violência
A violência sexual inclui atos sem consentimento e a coação em uso de métodos contraceptivos. A violência patrimonial refere-se ao controle, destruição ou retenção de bens e documentos, enquanto a violência moral envolve ofensas e humilhações públicas. Cleverson explica que reconhecer essas diversas formas de violência é fundamental para a interrupção de ciclos de abuso. “É essencial que as mulheres compreendam que esses comportamentos são violentos e que elas têm o direito de se libertar”, afirma.
Ciclo da Violência
A ação do programa também aborda o ciclo da violência, que explica por que muitas mulheres permanecem em relações abusivas. Esse ciclo começa com uma fase de tensão, seguida por agressão e, eventualmente, uma fase de “lua de mel”, onde o agressor pede desculpas. O tenente-coronel ressalta que cada pessoa vive essa situação de forma única, e cabe a cada mulher identificar seu momento de ruptura.
Ele relata um caso de uma mulher no litoral que, inicialmente relutante em denunciar o companheiro, acabou por fazê-lo após revisitar uma fase de violência, demonstrando que a conscientização pode servir de catalisador para a mudança.
Mobilização e Conscientização
No dia 14, diversas cidades paranaenses, como Curitiba, Londrina e Maringá, recebem mobilizações das Forças de Segurança, com o objetivo de disseminar informações sobre a prevenção da violência contra a mulher. Policiais, bombeiros e outras autoridades estarão presentes nas praças para conversar com a população. Detalhes sobre locais e horários podem ser encontrados nas redes sociais da SESP.
Programa Mulher Segura
Desde sua criação em 2023, o Programa Mulher Segura atua em todo o estado, promovendo palestras e campanhas educativas que já impactaram cerca de 224 mil pessoas. Mais de 1,4 mil policiais e bombeiros receberam capacitação para atuarem como multiplicadores das orientações sobre direitos das mulheres e os mecanismos de proteção disponíveis.
Denúncias
Casos de violência podem ser reportados à Polícia Militar pelo telefone 190 ou à Polícia Civil pelo 197. O Disque Denúncia 181 também está disponível 24 horas para denúncias anônimas em todo o estado.
