A Polícia Federal iniciou um inquérito para investigar a tendência viral “Caso ela diga não”, que incentiva práticas de violência contra mulheres. Essa prática, difundida nas redes sociais, envolve simulações de agressões a mulheres que rejeitam propostas de casamento ou outras solicitações.
### Normalização da Misoginia
Clarissa Oliveira, especialista no tema, destaca que a normalização da misoginia nas plataformas digitais é um fator crítico para o aumento dos feminicídios no Brasil. Ela aponta que o discurso de ódio direcionado às mulheres encontra espaço fértil nas redes, permitindo que homens as menosprezem e criem um ambiente propício à violência.
“O que está em discussão aqui é a normalização da misoginia”, afirma. Ela reforça a importância de criminalizar não apenas a violência física, mas também os discursos que incitam ódio, mesmo que disfarçados de brincadeira.
### Influenciadores e seu Impacto
Um exemplo preocupante mencionado é o influenciador conhecido como “Calvo do Campari”, que difundiu ideias que menosprezam as mulheres e exaltam a superioridade masculina. “Ele é um líder para muitos, legitimando um discurso de ódio”, comenta Oliveira.
A especialista observa que a tendência “Caso ela diga não” não teria tantos seguidores sem a validação desse comportamento na sociedade. O conceito subjacente é que “a mulher é feita para servir” e deve aceitar as imposições masculinas.
Representantes da proteção às mulheres e do meio jurídico associam o crescimento alarmante dos feminicídios às influências da misoginia nas redes sociais. A sociedade deve debater a responsabilização tanto das plataformas digitais quanto daqueles que fomentam comportamentos violentos.
Matéria completa em: https://www.cnnbrasil.com.br/politica/analise-normalizacao-escalou-misoginia-digital/
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